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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Narração- Phelipe Braga

Depois que a Lala conseguiu salvar a Bia, tudo ficou melhor. não que os acontecimentos recentes fossem motivo de alegria, mas podíamos sorrir por algum tempo antes que algum zumbi faminto corresse atrás de nós.
-Lala? A gente podia parar um pouco pra descansar assim você dava uma olhada na Bia e tudo. A gente já passou pelos túneis, eu preciso dela acordada desse ponto.
-Tudo bem, eu quero mesmo esticar as pernas.
Saímos do carro e montamos um pequeno acampamento, todos ao redor de uma fogueira, comendo e rindo. Talvez fosse a cena mais feliz que eu tenha visto nesses últimos meses.
 * 3 meses antes do apocalipse zumbi *
-Ela ja chegou?
-Não ! Ela devia estar em casa faz uns 20 minutos.
- Calma Lala, ela deve ter se atrasado na escola.
-Ela não atende o celular. Onde ela deve estar?
Assim que a Dona Denise disse isso o telefone tocou. O senhor Beulke, pai das meninas, atendeu.
-Tudo bem.
Uma única resposta, algo estava errado.
-Ela foi sequestrada. Nossa filha foi sequestrada.
Ele estava em choque, tanto que a Lala foi buscar alguma coisa na cozinha. Pouco tempo depois ele nos explicou, o cara queria 1milhão e passar pelo firewall da maior empresa do mundo. Ele era louco. E então eu me lembrei, na escola, havia um amigo meu que tinha uma idéia um tanto louca. Ele queria se formar em ciência biológica, criar um antídoto para qualquer coisa e ficar muito rico. Ele não batia muito bem da cabeça, sempre todo retraído e estranho. Eu nunca o levei a sério até que ele foi preso por entrar no banco de dados da Medi-Com, ele ficou preso até mês passado eu acho.
Sexta passou muito devagar, Denise, o Beulke e a Lala ficavam aflitos, choravam e esperavam pela chegada da polícia. Depois que eles foram embora eu decidi ir também, não havia muito o que eu podia fazer se não lembrar das estranhas palavras de Jason, meu amigo do colégio.
"Eu tenho essa ideia Braga, eu vou ficar rico!" Essas palavras ficaram na minha mente até que eu caí no sono. No sábado, os policiais esperaram uma ligação que não veio. Finalmente no Domingo eu pude acompanhá-los até um galpão velho onde acharam ele. Jason Mueller. Ele havia sequestrado a Tatz e a Iara, louco por vingança, antes de fugir ele olhou para mim e disse :" Isso ainda não acabou Braga, eu vou revolucionar o mundo!" E então ele correu.
-Tudo bem?
A Lala me tirou dos pensamentos.
-Tudo sim, eu ainda não acredito que escondemos tudo da Bia, ela precisava saber.
-Phe, na época em que tudo aconteceu ela tinha acabado de sair do castigo por ser presa, ainda estava tentando se recuperar da raiva que ela sentida daquele menino. Não era uma boa hora pra contar que a melhor amiga dela tinha side sequestrada e que o cara tava solto.
-Eu sei, mas porque a gente mentiu pra ela dizendo que a Tatz tinha passado mal, e que a Iara estava gripada. A gente devia ter dito a verdade, mesmo depois de tudo.
-Porque você tá se importando com isso agora bobinho?
Ela me beijou e fomos comer. Depois colocamos a Bia no banco de trás do carro para que a Lala pudesse ver melhor o ferimento.
-É, não parece uma boa ideia estragar tudo isso agora.
Comemos, rimos e concordamos em manter segredo sobre o incidente do começo do ano. Quando as meninas começaram a brincar de lutinha.
-Qual é Tatz, você é a mais fraca de todos nós. Só ganha porque tem essas unhas de Zé do caixão.
A Iara mostrou a lingua. E elas começaram a se empurrar até que a Tatz bateu no vidro e a Bia gritou, altamente e tão agudo que meus ouvidos doeram. Ajudamos ela a sair do carro, a Tatz sorriu, todos a saudaram felizes por ela estar viva.

-Pessoal, eu acho que seria melhor a gente ir.
Lala veio falar comigo.
-Você vai querer comer primeiro, deve estar muito fraca, perdeu bastante sangue.
-Eu não acho que tenhamos tempo para isso.
Assim que ela disse isso, um bando enorme de zumbis nos alcançou, correndo, espumando e sedentos por nosso sangue. Tentamos encaixar a Bia no banco de trás mas a cada tentativa era um grito dela e uma aproximação dos zumbis.
-Você vai ter que ir na caçamba. sinto muito.
-Que seja! Só tire a gente daqui.
Colocamos ela lá atrás com os amigos da Bia e entramos no carro. Eu tentei girar a chave, uma , duas , três vezes, a chave travou.
-Phe! Tira a gente daqui!
-A chave emperrou!
-Phe!
-Eu sei fazer ligação direta.
- O quê?!
O menino estranho falou pela primeira vez, em meio ao carro apertado eu troquei de lugar com ele, assim que o menino juntou os fios o carro pegou e aceleramos na estrada. Peguei a mão da Lala e adormecemos grande parte do caminho.


sábado, 24 de março de 2012

Enquanto Eu Estiver Viva.

Eu acordei. Ainda era madrugada, o céu escuro já não possuía estrelas. O que aconteceu? Eu estava deitada no capô do carro, me levantei sem fazer barulho, peguei a arma que esteve do meu lado o tempo todo. Estava tudo ensombreado. Não estava escuro mas não estava totalmente claro. Eu não voltaria a dormir tão cedo, resolvi andar por aí. Em meio á carros desmontados, pessoas dormindo e um céu estranho estava eu, sozinha e com insônia. Eu estava andando, nem sei onde parei. Era uma porta de ferro, estava entreaberta. Claro que eu entrei.

-Droga.
Havia alguém la dentro, estava escuro.
-Oi?
A pessoa deu um pulo e derrubou algumas coisas que ecoaram no pequeno espaço.
-AI!
Eu abri a porta para que pudesse ao menos ver a sombra. Agora já estava mais claro, o Colírio estava ali com uma mochila e algumas latas.
-O que você tá fazendo?
Eu ri, ele parecia todo desajeitado e confuso.
-Eu não posso mais ficar aqui, eu sonhei com a minha irmã e percebi que fiz uma grande besteira deixando eles para trás. Eu tenho que voltar.
-Pera. Para tudo. Como assim? Mas eu achei que seus pais já tinham se tornado... O que você tá fazendo menino?
Ele suspirou.
-Eu os deixei Bia, eles estavam ocupados vendo o noticiário eu sai sem deixar nenhum bilhete. Eu não achei que ficaria tão sério assim. Eu preciso ir.
Eu segurei o braço dele.
-Você tá percebendo o que você tá fazendo? A gente sobreviveu á uma horda de zumbis em um supermercado, sobrevivemos á um ataque no meio da estrada, passamos por militares que queriam proteger essa área. Você vai acabar se matando, eu não posso deixar você fazer isso.
-Eu preciso voltar mocinha...
Ele estava realmente triste. Só me chamava de mocinha quando eu o chamava de mocinho, geralmente quando ele falava algo fora de nexo. Eu não podia deixá-lo ir. Não assim.
-Pega.
Dei a arma para ele, ele não sobreviveria sem ajuda.
-Tem um pente e meio de munição. Só usa quando for necessário. Pega também algum carro e vai seguindo as placas até a auto-estrada. Toma cuidado mocinho.
-Obrigado, Bia.
Ele me abraçou,e então saiu pela porta, estava procurando algum carro quando eu me sentei perto do portão. Havia um zumbi ali, ele estava sem braços e mancava muito, eu estava pensativa. O que faríamos? Aqui era um local seguro, não ficava muito longe do comércio mas estava bem localizado. Poderíamos ficar aqui então. Um carro sendo ligado. Colírio partiria logo e eu perderia mais um amigo.
-Abre o portão pra mim mocinha?
Ele sorriu. Eu não sorriria tão rápido assim.
-Tem certeza que sabe dirigir isso?
Ele escolheu um carro grande e espaçoso que mais parecia uma banheira. Não gosto de carros assim.
-Eu me viro.
Eu abri o portão, que fez um barulho muito alto. Em questão de segundos vários zumbis dispararam da pequena floresta á nossa frente, só podia ser brincadeira.
-Fecha o portão Bia!
-Não dá... Tá emperrado!
Ele desceu do carro e veio me ajudar, tarde demais. Eles estavam em um número muito maior do que o nosso, e só tínhamos duas armas, uma pessoa que sabia atirar e o Lucas. Eu gritei, gritei por que estava com medo de algo acontecer com eles, essa era a minha família. E eu tinha que protegê-la. Eles saíam correndo dos carros e das barracas, olhavam para nós e depois para os zumbis que se aproximavam mais e mais, corriam tentando achar um jeito de nos ajudar, as meninas vieram tentar empurrar o portão, mas era tarde. Eles haviam entrado. Haviam tiros, disparados pelo Phe e pelo Colírio, eles erravam e acertavam, Zumbis caíam e se levantavam. Eu puxei as meninas pelas mãos, corri com elas para os fundos, tentando alcançar os carros. Imagine esta cena em câmera lenta. Eu a via assim, tudo muito devagar do nosso lado e os zumbis correndo rápido demais. Gritos por toda parte, estávamos no Jipe. Ironicamente meu celular estava lá. Eu acelerei, passei por cima de ferramentas, bati em carros e atravessei o pátio no que pareceram anos. Acertei alguns zumbis e bloqueei a passagem do resto.
-Tentem achar outra saída daqui, eu vou ajudá-los.
Corri de volta para meus amigos, ou o resto deles, quando passei pelo Colírio ele me deu a arma. Eu parei.
-O que houve?
-Ajuda eles, eu sou horrível com isso.
Eu recarreguei, não seria capaz de atirar. Eu não tenho mira nenhuma. Eu corri, havia alguns zumbis aglomerados na mesma porta de ferro que o Colírio arrumava as suas coisas. Eu estava perto. perto o bastante para atirar sem errar. Um, dois,três no chão. Esse caíram e eu tinha certeza que não se levantariam mais. Abri a porta e encontrei o Vinny lá dentro, ele estava com cara de pânico e totalmente aterrorizado.
-Pegaram eles. Os desgraçados pegaram eles.
-Calma.
Eu coloquei a mão no seu braço e ele olhou para mim.
-Vamos fugir daqui Bia, eu e você. Estamos dominados não tem como escapar daqui. Á não ser por aquela porta.
Ele apontou para uma pequena e frágil porta de madeira.
-Não, eu não posso deixá-los assim, eu não sou como você.
Ele ficou nervoso.
-Eu errei uma vez Bia! Uma única vez! Você vai me culpar até quando?
-Eu não sei tá legal! Eu fui presa! Se estivéssemos num mundo normal eu nunca iria entrar numa faculdade descente ou num trabalho legal. Você errou, e o seu erro acabaria com a minha vida.
-Não estamos mais num mundo normal.
Ele pegou meu braço e começou a me levar em direção á porta.
-Me larga!
Eu peguei a arma, não era minha intenção atirar nele. Mas foi o caso, a bala acertou seu joelho e ele caiu. Ele gritou, mas parecia não desistir, ele ainda queria me arrastar com ele.
-Eu não vou com você.
-Me dá outra chance Bia.
As lágrimas começaram a cair quando eu olhei para o seu braço, havia uma mordida. Ele percebeu que eu o olhava.
-Isso não significa nada, eu ainda sou eu mesmo.
-Não por muito tempo.
Atirei nele. Não pense que foi á sangue frio. Eu matei o único menino que já amei. Eu o matei enquanto as lágrimas caíam e minhas mãos tremiam. Eu o matei mas não pensei que foi fácil, eu estava pensando no que seria depois. Eu não tinha escolha. Larguei a arma e caí de joelhos chorando ao lado do corpo. Alguém entrou e me puxou, era a Pammy. Ela me ajudou a levantar enquanto eu me recompunha.
-Eles precisam de você.
Ela repetia isso várias vezes enquanto eu olhava para o corpo inerte do garoto que eu acabara de matar. Ela o olhou, viu o sangue, a mordida e a bala.
-Você fez o que precisava, vamos. Eles querem falar com você.
Saindo da salinha eu me deparei com sangue. Muito sangue. No chão, nos carros. Em todo o lugar. Havia corpos também. Zumbis e os amigos do Vinny estavam largados no chão. Era uma cena deprimente de se ver. felizmente, no meu grupo, todos estavam vivos.
-Olha ela aí!
A Tatz veio do meu lado.
-Achei que você tinha sido mordida,  que aconteceu?
-Longa história.
Eu sequei as lágrimas e olhei para o pessoal. Anne, Milly, Jamille, Iara,Lala, Pammy, Tatz, Colírio, Gabe, Phe e Lucas. Faltava alguém. Milly estava chorando e então eu vi o corpo do namorado dela, três balas e uma mordida. Isso não ia mais acontecer.
-Vamos sair agora daqui.
Eles entraram nos carros, alguns ainda pararam para recolher as coisas e voltar rapidamente. Partiríamos hoje. Eu estava no banco de trás do Jipe, sozinha. Não prestei atenção para ver quem dirigia, eu estava fazendo uma promessa. Ninguém mais iria morrer enquanto eu estiver viva.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Um ultimo encontro Parte II

-Eu te conheci antes de tudo isso, foi assim que eu soube.
Sabe quando você dá de cara com uma porta de vidro? Foi o que eu senti.
-Como assim. Ele não estava não estava inseguro, travando ou com dificuldade de explicar como ele me conhecia. Não tinha lugar algum que eu poderia ter conhecido o Lucas.
Ele me encarava.
-Me explica, por favor. Eu realmente não lembro.
Ele suspirou.
-Eu imaginei que você diria isso. Você se mudou para um apartamento na Pitangueiras, ou sua avó. Sei lá. Eu tinha um apartamento lá também, eu vía você com os meninos, mas nunca tive chance de falar com você até que...
-O dia em que jogamos verdade ou desafio. Minha voz era um sussurro, não podia ser o mesmo menino.
Então eu me lembrei.
Faltava uma semana para o ano novo, eu estava jogando cartas com a galera do condomínio.
-Truco!
-Não é justo, eu não sei como esse jogo funciona.
Eu não sabia mesmo como jogar essa porcaria de jogo.
-Por que não jogamos 21?
Milena era a minha amiga do condomínio, mas nada me faria esquecer o velho prédio. Ele estava com as minhas lembranças, a minha infância. Minha vó mudou para cá porque estava com medo da criminalidade na Enseada, só que ela acha que um morrinho vai separar tudo isso.
-Por que vocês jogam então? Vão brincar de fofocar, sei lá.
Victor era o metido do prédio, morava aqui desde os 8 anos e achava que mandava em tudo.
-O baralho é meu seu mané. Vocês só jogam se eu quiser.
Eu mostrei a lingua para ele. Ele bufou.
-Só porque minha mãe não gosta que eu desça as coisas de casa.
E olhei para o céu, como de costume todo estrelado. Essa era a minha ilha, o meu paraíso.
-Vou beber água. Sem olhar minhas cartas em!
Eu me levantei, o bebedouro não era tão longe, mas ficava num canto escuro. Era sinistro, se a noite não estivesse tão bonita eu poderia contar as antigas lendas do meu velho condô. Eu ouvi passos, não que eu estivesse assustada, desde que pisei aqui os meninos tentam me assustar.
-Saiba que isso não vai funcionar meninos, eu sei todas as regras de terror que vocês nunca vão decorar.
Os passos continuavam vindo mais perto.
-Já sei, vocês tem alguma lanterna aí?
Eu estava rindo. Era patético.
-Oi?
A voz era estranha, rouca. Como se não fosse usada a pouco tempo.
-Quem tá aí?
Não que eu estivesse assustada mas não era ninguém que eu conhecesse então era meio estranho.
O menino chegou mais perto, estava a alguns centímetros de mim.
-Nossa como você tá aguentando com esse moletom?
Ele riu.
-To acostumado.
Eu estava de shorts e uma regata, estava quase pulando na piscina de tanto calor e o menino estava de calça jeans e moletom com o capuz sobre o rosto. Ele era estranho.
-Bia!
Gritaram meu nome e Milena estava lá com os meninos. Pedro, Matheus e Gabriel desceram também.
-Vamos jogar Verdade ou Desafio? Eles que deram a idéia. Ah! Oi Estranho.
Ela zombava do menino á minha frente, sem ao menos conhecê-lo.
-Vamos?
-Tá.
Eu olhei par ao menino.
-Quer vir?
Ele se assustou, deu um passo para trás. Milena puxou meu braço e sussurrou no meu ouvido.
-Cara, esse menino é muito estranho, nunca disse uma única palavra toda vez que vem pra cá. Você não vai convidar ele, vai?
-Vou sim.
Eu andei até o menino e o puxei pela mão, ele estava frio. Estranho.
-Bom, já sabem né? Quem não aceitar o desafio vai cumprir algo bem pior.
O jogo continuou até todo mundo cansar e subir. Eu fiquei com o menino estranho até o silêncio tomar conta de tudo.
-Eu te desafio a me contar um plano maluco seu.
Eu sorri e contei para ele sobre meu plano sobre o apocalipse zumbi, ele riu.
-Isso sim é maluco.
Ele me encarou por alguns minutos, o rosto dele estava escuro pela sombra
do capuz.
-TIRA  esse capuz menino!
-Não.
Ele riu. Eu estava prestes a arrancar aquele negócio da cabeça dele quando eu ouço um Bia estridente.
-SOBE AGORA!
-Desculpa.
 Eu disse para o menino e sai correndo antes que minha mãe me matasse.
Eu nunca mais vi aquele menino. E agora o reencontrei.
-Tudo bem?
O Lucas pegou a minha mão.
-Você é aquele menino, o do condomínio. Porque você não me falou antes?
Ele colocou a mão na cabeça.
-Eu não sabia se você ia lembrar de mim.
Ele deu um riso tímido tão fofo.
Eu ouvi um barulho.
-Eu tenho que ir.
Ele pegou minha mão.
-Eu te vejo amanhã.
Quando eu saí o Vinicius estava olhando a cena lá dentro. Foi estranho, mas eu não me senti mal.
Eu deitei no capô do carro, estava cansada demais para procurar o meu celular, cansada demais para dar atenção para o Vinicius e cansada demais para tentar lembrar outra ocasião onde eu tenha visto o Lucas. Eu estava cansada. E eu adormeci com o céu estrelado do meu paraíso e com tantas coisas na cabeça que eu tenho preguiça até de contar.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um último encontro.

Já era noite. Não estava escuro, estranho. Vai ver tinha estrelas. Não. O céu estava claro e era noite, mas havia algo mais. Talvez seja uma aurora. Talvez signifique que o nosso paraíso está perto.Eu vi algo, mas o que era? Eu não me lembro, era apenas uma sombra. Alguém mexeu em mim e eu acordei. Não me lembro de ter dormido.
-Bia?
A Talita estava me cutucando na perna. Eu estava no Jipe. Quando foi que eu entrei no Jipe?
-Oi?
-Eles querem saber se você vai querer dormir em algum dos carros ou nas barracas que trouxemos, pediram pra eu te acordar.
-Tatz?
-Eu.
-Como eu vim parar no carro.
-Bom, depois que você saiu da oficina você comeu metade de um pacote de bolachas e disse que não tava se sentindo bem. Veio pro Jipe e dormiu.
-Tá, eu perdi algo.
Ela olhou para o lado.
-Me diz.
-Sabe "o" menino?
-Infelizmente sim.
Quando dizíamos "o" menino queríamos dizer o Vinicius.
-Ele tá lá fora, disse que não vai sair até falar com você.
-Tem grades em volta da loja, e um portão de ferro super gigante. Como ele entrou?
-É que a gente tinha deixado os portões abertos para ver se os carros estavam funcionando. Quando eles voltaram a gente esqueceu dos portões, daí duas horas depois eles chegaram com três carros perguntando por você, estão de greve até agora lá.
Ai Deus, o que e vou fazer, se eles ficarem tem uma grande chance de algum deles apanhar ou por mim, pela Jamille ou pela Anne. Se eu mandá-los embora eles podem morrer, ou pior, nos seguir.
-Eu preciso de um tempo pra pensar, não diz nada pra ele, para o pessoal diga que eu to bem aqui no carro, eles podem se ajeitar lá.
-Tudo bem.
Ela saiu, e eu fiquei sozinha. Dei uma olhada no Jipe, estava muito bom. As grades estavam em todas as janelas, haviam pedaços afiados de ferro nas laterais. Um verdadeiro carro de apocalipse, acho que os outros ficaram tão bons quanto esse. Tá. Eu tenho uma difícil decisão pra tomar. Eu fiquei ali, brisando, lembrando e me matando com medo de fazer algo errado. Depois de algum tempo, eu já estava entediada, mas esperava que ele também estivesse. Eu não pedi para ele voltar, eu não pedi para que ele falasse comigo, não depois do dia em que eu fui presa. Então ele que esperasse, mas eu estava exausta e queria que esse teatro acabasse logo.
Assim que eu apareci, ele se endireitou rapidamente. O pessoal cochichava e olhava para mim, provavelmente se perguntando sobre a minha decisão. Vinicius ia caminhar na minha direção mas eu apontei para ele e em seguida para um ponto distante onde ninguém poderia nos ouvir. Eu não estava pronta para enfrentá-lo, eu nunca estive. Seria mais difícil agora que eu tinha nossas vidas em mãos.
-Eu só queria falar que senti...
Eu o interrompi.
-Antes que você fale algo que não vai se lembrar daqui á duas horas, eu quero que saiba que demorou muito para eu me decidir, eu levei em conta coisas que eu desejei ter esquecido e você tem que agradecer por eu ter um bom coração.
Um pequena pausa, meu coração está acelerado. Ele sustenta o meu olhar e eu o desvio olhando para o céu. Por que diabos eu tinha que ser tão fraca quando tenho que ser forte?
-Você vai ficar aqui, só por essa noite. Eu não quero você e seus amigos perto da Anne ou da Jamille nem de nenhuma outra pessoa.
-Eu preciso falar com você.
-Você tem cinco minutos.
-Porque você tá assim? Depois daquele dia eu não pude mais falar com você, minha mãe descobriu sobre a festa, tirou tudo o que eu usava para me comunicar. Eu fiquei de castigo todo o tempo que não falei com você, eu senti sua falta. De verdade. Mas quando eu saí do castigo você não respondia as mensagens, nem me atendia e eu não te encontrava on line em nenhum lugar. Quando essa loucura começou eu pensei tanto em você, lembrei que você disse uma vez que seu plano era ir pra cá. Eu estava em Santos no campeonato de kart e lembrei de você, a corrida inteira. Eu te procurei na casa da sua avó e não te achei, daí entramos no mercado e eu te encontrei. Eu fiquei muito feliz em te ver, mas você estava tão fria e parecia nem se lembrar de mim. Eu queria te explicar. Então eu segui você e os seus amigos.
Porque meu Deus! Porque diabos ele tem que sentir minha falta quando eu estou tão bem, porque eu não consigo esquecer de uma vez o meu passado?
-Eu... Porque você... Mas...
Eu não achava palavras, não achava a minha voz eu não achava nada. Eu estava perdida. Estava sendo atacada por várias lembranças, as lágrimas começaram a cair.
-Eu não vou estar aqui o tempo todo. Você sabe disso, eu não vou poder esperar você sentir minha falta pra sentir muito. Eu sinto muito. Sinto por ter ficado meses sem notícias suas e ainda cair na mesma conversa.
E então antes que eu desabasse ainda mais eu disse as últimas palavras que significariam algo.
-Você pode ficar aqui esta noite, mas eu e você, acabamos aqui.
E então eu saí. Andei sem olhar para trás. Ele ficou lá, eu acho. Alguns passos depois eu estava quase inteira.   O pessoal estava sentado, alguns estirados no chão entre carros, pessoas e comidas.
-Tudo bem?
A Tatz estava em pé, como sempre a do contra.
-Tô legal, já viram onde vocês vão se arrumar?
-Eu queria dormir no Jipe.
Ela fez beicinho.
-Você sabe que isso não funciona comigo, mas eu to afim de ver as estrelas então é todo seu.
Ela deu pulinhos e foi pegar um travesseiro. Eu estava sozinha. Não completamente porquê haviam pessoas perto de mim, e eu não ousei olhar para trás mesmo sabendo que certo alguém estaria ali. Mas eu estava sozinha porque ninguém entenderia, e ninguém iria saber o que estava acontecendo dentro de mim. Que horas são? Esse pensamento aleatório me fez procurar nos bolsos do meu shorts para encontrar meu celular. não estava ali. Talvez no Jipe? Eu andei até a oficina e encontrei a Tatz se ajeitando no banco traseiro.
-Seria bem mais fácil se você deitasse os bancos da frente...
-Eu to legal aqui.
-Ei, você viu meu celular aí?
Ela olhou nos bancos.
-Não, talvez esteja na Hilux ou na bancada da oficina.
-Tá, boa noite Tatz.
-Boa noite Bia.
Eu olhei na bancada e não havia nada com botões e cor de rosa. Só ferrugem e ferramentas. Talvez esteja na Hilux... Eu estava quase saindo da oficina quando algo puxou meu braço direito.
-Deus do céu!
-Desculpa.
Lucas estava com a mão no meu braço, ele estava com um olhar sério.
-Você não se cansa de aparecer desse jeito?
Ele sorriu.
-Desculpa.
-Não foi nada. Aconteceu alguma coisa?
Ele olhou para a mão que segurava meu pulso e depois o soltou.
-Eu queria saber.... Eu queria saber quem é o menino de preto lá fora.
Eu sabia que uma hora ele ia perguntar. Eu respirei fundo. Mas foi bom ele ter perguntado, assim eu lembrei de todas as perguntas duvidosas que eu não fiz.
-Você lembra que eu te contei que eu fui presa?
Ele assentiu.
-Então, eu omiti uma pequena parte da história. Eu na verdade fui presa por culpa do menino de preto.
Ele continuou me olhando, esperando a continuação.
-Bom, eu estava com eles e eles estavam bebendo, fumando e dirigindo. A polícia chegou, todo mundo correu e ele ia pular o muro quando eu me dei conta que poderia sobrar para mim. Só que três dias antes eu me machuquei jogando futebol e por isso não podia pular nada. Então ao invés de me ajudar ele me soltou e eu caí. A polícia me pegou e eu fui presa por não denunciar nada.
-Uau.
-Pois é.
Alguns minutos em silêncio. Como eu perguntaria isso?
-Lucas?
Ele me olhou.
-Como você sabia o caminho para a praia?
-Como assim?
-Ontem, quando você dirigiu até a praia da Enseada. Como você sabia ao caminho até o Guarujá? Como você chegou na Enseada? Como você conhece tão bem a região e o mais importante, como você sabe o nome da praia que estamos indo se ninguém sabe além de mim?
Ele ficou quieto por alguns instantes. Eu achei que ele não iria me responder, mas o que ele disse me surpreendeu mais ainda.
-Eu te conheci antes de tudo isso, foi assim que eu soube.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Narração- Larissa Beulke

Depois de colocar todo mundo no carro, depois de acordar a Bia e depois de voltar com os amigos dela, bom... Olha o que aconteceu:
-Phe! tira a gente daqui!
Estava todo mundo nos carros, a Bia estava lá atrás com um menino estranho que não falou nada até agora. Sei lá, os amigos estranhos são dela mas aquele menino era esquisito demais.
-Phe?
Eles estavam pegando as armas, eu me virei e olhei pela janelinha do carro enquanto as meninas gritavam e o Phe olhava para a estrada e acelerava, os amigos da Bia se abaichavam e cobriam as cabeças. Eu olhava e infelizmente ví o que não queria. A Bia gritava e olhava par aos lados e de repente ela veio para frente e olhou para o céu. Uma mancha vermelha começou a se formar na blusa dela e aí, ela caiu. Simplesmente assim, como se não fosse nada.
Eu gritei. Foi imperceptível em meio a tanto caos. O vento que entrava na Hilux bagunçava o meu cabelo e eu não tirava a cena da minha cabeça. A Bia revirava os olhos e caía, exatamente como nos filmes. Só que mais assustador. Ela tinha levado um tiro. Isso não era nada legal.
-Cadê a Bia?
Iara a Pamella a Tatz e a amiga da Bia estavam olhando umas para as outras quando não a viram pela janela. Daí o menino com capuz falou pela primeira vez.
-Tamos que parar agora!
Daí o Phe respondeu com toda a calma do mundo, claro, ele não tinha visto alguém levar um tiro.
-Vou ter que entrar no meio da mata.
-Tanto faz, ela ta sangrando!
Daí as meninas começaram a gritar de novo. Talvez eu estivesse em choque, não tive reação nenhuma, a não ser gritar mas isso é normal.
Demorou alguns minutos para entrarmos na floresta. O tempo agora era crucial. Assim que paramos eu desci e fui vê-la. Nem me importei com a presença do menino estranho. Ela precisava ser salva.
-Faz quanto tempo que ela caiu?
-Cinco talvez sete minutos.
-Bom, a bala provavelmente está aí dentro então eu vou ter que tirar.
-Você sabe como fazer isso?
-Sim. Infelizmente sim.
Por sorte,eu inventei de trazer umas ferramentas médicas que estavam na minha bancada pra fazer um trabalho. Os professorem inventam de tudo. Então, na pressa, eu coloquei tudo da bancada na mochila.
-Cadê o diabo da minha mochila...
Eu estava resmungando enquanto tentava não encostar na Bia, nem no menino e ignorar os olhares curiosos de todos atrás de mim enquanto procurava a minha mochila preta. Infelizmente havia outras três mochilas pretas. Algum tempo depois eu achei, um tempo não muito longo eu espero.
-Cai fora.
Eu apontei pro menino estranho que estava ao lado da Bia.
-Porquê?
-Sai logo!
E daí ele se levantou e pulou depois foi andando em direção á uma árvore.
-Vocês também!
O resto também saiu, eles estavam preocupados. E eu me ví na mesma situação que estava meses atrás.
-Vai ter que dar certo.
Eu sussurrei para mim mesma enquanto tinha que tirar a blusa manchada da Bia para começar a improvisada cirurgia.
-Eu não vou deixar você morrer Bia.
Eu sussurrei as palavras para mim,  enquanto as imagens do meu erro médico passavam pela minha mente.
Foi difícil, não só porque o sangue ainda estava escorrendo e eu não tinha tempo pra pensar. Iria doer, sorte que ela estava desacordada. Eu peguei o bisturi e  fiz a incisão, ainda não estava inflamado. Por sorte eu retirei a bala bem rápido, pude fechar o ferimento e rezar para que ela acordasse. Foi a mesma experiência.
Mas dessa vez eu estava feliz por ter conseguido. Logo ela iria acordar.
-Phe!
Ele veio correndo.
-O que aconteceu?
-Eu consegui! Ela vai ficar bem.
Eu estava sorrindo, não só porque finalmente superei o meu erro como pude ajudar alguém sem ter terminado a faculdade.
-Gente!
Eles aos poucos se levantavam a vinham correndo para perto do carro.
-Ela está bem?
-Quando ela vai acordar?
- O que vai acontecer?
-Me diz que ela vai ficar bem...
-Calma gente...
Eles estavam com olhares preocupados no rosto, felizmente eu tinha boas notícias para dar.
-Ela vai ficar bem, vai demorar um pouco até que ela acorde mas ela vai ficar bem!
E eles abriram sorrisos e começaram a falar todos ao mesmo tempo.
-Bom, agora acho que a gente tinha que sair daqui, não é uma boa ideia ficar no meio da mata.
Então entramos no carro, aquele menino estranho voltou com a Bia, como o carro estava cheio ela teve que voltar lá atrás mesmo. A estrada agora estava um pouco mais feliz, talvez a Bia tivesse razão. Talvez estamos mesmo indo em direção ao paraíso.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Narração- Phelipe Braga

[Continuação...]* Dia do fim do mundo aproximadamente 18:40*
-Tatz?
-Sim?
-Você não acha que estamos indo um pouco rápido demais?
-Não, olha um carro turbo merece ser acelerado, certo?
Ela estava sim indo rapido demais, rápido demais para as leis de trânsito e rápido demais para que os freios funcionassem.
-Tatz...
-Sim?
-Carro.
Ela desviou muito rápido e puxou o carro para a esquerda, o carro estava bem mais devagar agora, mas infelizmente batemos o carro favorito da Bia numa árvore.
-Phe?
Ela olhou para mim.
-Acho que vamos ter encrenca.
-Sim, a Bia vai te matar.
Saímos do carro e ficamos um olhando para o outro.
-Eu disse que era má idéia. A Bia vai te matar Tatz.
-Ela não ousaria, talvez ela me bata, muito, mas nada além disso.
O Phe chegou até a janela.
-Tudo bem aí?
-Com a gente ta tudo legal, mas e com vocês?
-Estamos de boa.
Iara apareceu por de trás da cabeça da Lala sorrindo.
-Você sabe que a Bih não vai perdoar isso né?
-Eu não estava ao volante, me tira dessa.
Ergui os braços em rendição.
-Ela não vai matar ninguém se não descobrir.
Eu, Iara, Lala e Pammy caímos na risada.
-Cara, era o carro favorito dela desde Lua Nova. Você arrebentou ele. Ela com certeza vai perguntar pelo carro.
-Quer apostar?
-Cinco reais que ela pergunta pelo porsche quando acordar.
-Feito.
-Feito.
Elas apostaram e depois entramos no carro. Um pouco de aperto no banco de trás.
-A Bia tá dromindo desde o posto?
Nossa, ela devia estar cansada.
-Não - Lala riu- Ela bateu a cabeça quando vocês arrebentaram o porsche.
-A tá, tomara que ela fique bem.
-Ela vai ficar.
*Estrada para o Guarujá algum horário antes de escurecer.*
- Precisamos acordar a Bia.
-O que tem depois desse túnel?
Lala estava no banco da frente enquanto as meninas não estavam sendo esmagadas lá atrás.
-Eu não sei, por isso que a Bia tem que acordar, vai que eu não estou no caminho certo...
Pammy, Iara e Tatz estavam falando sobre ela.
-Será que ela vai acordar?
-Mas é claro que sim Pamella! Ela não morreu, ainda.
Eu sorri.
-Tomara que ela acorde logo, eu não sei o caminho.
Lala olhou para trás.
-Ela vai acordar, eu sei disso.
Eu fiz uma curva pra direita e alguém bateu alguma coisa.
-Ai.
-Não disse?
-Ai.
-O que foi?
Lala olhou para Bia.
-Bom, além de eu não enchergar nadinha, minha cabeça doí e meu pescoço queima e minhas costas estão doloridas.
-Ah, só isso?
As meninas estavam segurando o riso.
-Sim, só isso.
Ela se sentou e fez uma cara engraçada.
-Tudo bem?
A Iara colocou a mão no ombro da Bia. Depois de algum tempo ela falou de novo.
-Eu... Eu não estou me sentindo bem pessoal.
-Eu preciso que você me diga o caminho, tá legal?
Estávamos indo em direção á um túnel.
-Esse é o primeiro?
-O que?
A voz dela estava esquisita.
-O primeiro túnel, temos quatro pela frente se esse é o primeiro. Depois deles tem mais uma meia hora de estrada com placas sinalizadas para o Guarujá. Esse é o caminho.
-Tudo bem, você precisa de alguma coisa?
-Agora não vai ter nada pela estrada e vocês não vão se arriscar por minha causa. Sigam com a viagem, lá tem alguma coisa pra mim.
-Tá legal.
Seguimos com a viagem, ela deve ter adormecido uma ou duas vezes e acordado com o balanço do carro. Ela estava com algo em mãos, e sorriu ao ver o que quer que fosse. Depois ela colocou o celular no ouvido.
-Gordinha? Onde você tá?
Uma resposta mal ouvida.
-Gorda, me escuta. Eu vou voltar pra te buscar. Me espera, eu já estou indo.
-Phe?
Eu olhei pelo retrovisor.
-Sim?
-Preciso de um enorme favor de vocês. Minha amiga ficou presa com aqueles caras na barricada. A gente precisa ir buscar ela, só que ela não está sozinha. Acho que estão dois meninos com ela, a ligação estava falhando. Eu posso contar com vocês pra isso?
-Claro.
-Sim.
-Pode ser.
-Acho que sim.
-Eu não sei.
Eu olhei para a Pammy, que havia descartado a proposta.
-Porque?
-Sofremos um bocado pra passar de lá, e agora você quer voltar pra buscar uma amiga sua? Me desculpa, mas eu descordo. Eu deixei para trás muitas amigas minhas, ainda bem que estou com vocês, mas voltar pra buscar sua amiga seria como voltar para buscar as minhas amigas.
-Pamella. Eu entendo o que você sente. Não vou dizer que respeito a sua opnião porque não respeito. Eu quero voltar pra buscar ela, não porque ela é minha amiga. Mas porque ela não tem idéia do que fazer, e aqueles caras podem fazer coisas ruins com ela. E ainda tem meus amigos que estão sozinhos e com medo. Eu não te obriguei a vir, não te obriguai a abandonar tudo o que conheceu para fugir do caos. Eu não obriguei ninguém. No entanto vocês quiseram me acompanhar. E se a maioria quiser seguir em frente eu vou ser obrigada a ficar e voltar. E então?
-Acho que nossas opniões não mudaram. A gente volta pra buscar sua amiga.
E então foi isso. Demos meia volta e seguimos para a barreira que sofremos para passar.
-Dessa vez a gente não vai estar em desvantagem.
Eu levantei a arma que peguei. A Bia deu um berrinho.
- Onde diabos você conseguiu isso?
-Dentro da loja. um policial teve o azar de encontrar com aqueles militares eu acho. Tinha um tiro na cabeça mas não parecia estar infectado. Eu peguei a arma, algumas balas e um pente reserva. Graças a seis meses no exército, eu aprendi algumas coisas úteis.
Lala aumentou o volume do rádio. Wolfmother, Woman.
-Alguma recordação meninas?
Elas riram.
-Bons dias eram aqueles que a gente jogava guitar hero no recreio.
-É, agora não vão mais existir.
Um silêncio mortal se formou.
-Não vão mais existir, mas pelo menos eu ainda sei a letra.
A estrada seria diferente agora, espero que tudo dê certo.
[Continua...]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

No Caminho Certo.

A loja não ficava muito longe do mercado, eu deveria saber.Foram apenas oito quadras e mais sete porque a última estava com a rua bloqueada por walkers( não sei se esse termo vai pegar). Milly, Wood, Gabe e Anne vieram comigo e com Lucas na caçamba. Eu estava começando a me acostumar com esse lugar. Milly e Wood eram namorados, e eu não descobri isso de um jeito legal. Eles começaram a se pegar bem na nossa frente.
-Não liga não, esses dois são assim mesmo. Do nada estão quase um engolindo o outro.
Eca, Anne estava com um celular em mãos. Falando nisso, havia algo no bolso da minha calça jeans, eu supuz ser meu celular. Não que fosse importante, dentro de algumas horas não haveria mais sinal nenhum. E nem pessoas com quem se comunicar. Eu não percebi que Lucas ainda segurava minha mão até que ele desceu do carro segurando-a.
-Quer ajuda pra descer?
Ele sorriu.
-Não, valeu.
E então pulei de alguns pequenos metros sem esforço nenhum. Eu nunca fui do tipo de menina muito delicada, seria bobagem começar a ser logo agora.
A loja não era muito grande, apenas uns 15 carros estacionados em um lugar coberto.
-Tá, vocês vão escolhendo os carros enquanto eu vou pegando as chaves que devem estar no escritório.
Eles se dividiram em grupos, basicamente os mesmos de sempre. Seria bom procurar as chaves sozinha, seria bom pensar e analisar o que havia acontecido. Certo, ele estava vivo ou melhor, estava vivo e conseguiu me encontrar. Logo aqui, no meu paraíso secreto. Eu demorei tanto tempo pra negar o que sentia por aquele menino, demorei tanto pra aceitar que  o que ele fez foi errado, que agora que o tive na minha frente, quase não disse o que havia planejado e ignorei todos os meus pensamentos por mais um momento com ele. Era estranho pensar assim, mas é estranho que zumbis existam então eu não duvido de mais nada. não duvido que ele esteja lá ainda. Certamente pensando em mim. NÃO.  Eu não posso me deixar levar assim. Que coisa. Se eu fosse tão molenga, como sobreviveria a essa era de sangue?
Eu cheguei á uma porta cinza, entreaberta. Um mal sinal. Eu pensei em dar meia volta e chamar o Phe, ou o Wood, ou o Gabe talvez até o Lucas, mas eu não posso depender de outras pessoas para tudo agora. A arma ainda estava comigo. Não sei como não me incomodou quando sentei no carro, mas ela estava carregada e pronta para disparar. Eu pensei em entrar, mas seria muito medrosa se ouvesse algo por trás daquela porta. Então, como eles fazem nos filmes, resolvi fazer um pouco de barulho para atrair o que ouvesse ali dentro, ao meu encontro. Devo admitir que parecia uma boba. Imagine uma menina de quinze anos, com uma arma consideravelmente pesada em mãos e um medo percorrendo sua espinha. Agora imagine essa garota tremendo muito. Era eu. Eu não poderia disparar um alarme de carro, poderia atrair mais zumbis pra cá. Então, muito inteligente da minha parte, eu fechei a porta e comecei a chutá-la. Um chute, nada aconteceu. Dois chutes, nada ainda. Eu estava quase entrando de qualquer jeito quando puseram a mão no meu ombro machucado.
-Problemas com a porta?
Lucas riu.
-Aí - Eu estava tirando a mão dele do meu ombro- Na verdade, estou me certificando que eu não vou morrer lá dentro.
-Desculpa. Ei, você não devia deixar a porta aberta, daí se alguma coisa estivesse lá dentro ela saíria e você atiraria nela?
Ele sorriu.
-São apenas detalhes meu caro.
Ele pegou minha mão e com a outra abriu a porta.
-Viu, nada aqui dentro.
Bem, havia algo ali. Mas estava meio impossibilitado de se levantar, ou de fazer alguma coisa. O corpo irreconhecível estava jogado no chão, todo aberto e cheio de mordidas.
-Vamos procurar rápido, sim?
Eu estava começando a enjoar. Procuramos em três gavetas, bom pelo menos eu procurei. Lucas encarou uma gavetinha menor por pelo menos três minutos. Depois ele arrancou a gaveta apenas puxando-a com uma certa delicadeza.
-Cara, a gaveta estaav trancada. Como você puxou ela assim?
Ele estava começando a me assustar. Não só pelo fato de saber coisas que eu não sabia sobre esse lugar, ou pelo fato de ter se envolvido em um acidente de carro que matou a menina que ele gostava. mas pelo fato de ser incrivelmente forte e destemido. Algo que nem o Phe, o garoto mais velho que eu tenho contato, consegue ser completamente. Ele não tem medo, nem dos zumbis e nem da morte. E isso, é muito estranho.
-Mágica.
Ele riu, eu não achei graça.
Voltamos para onde o pessoal estava reunido. Lucas tentou pegar minha mão denovo, mas eu não deixei. Não enquanto ele parece ser um completo estranho pra mim.
-Escolheram?
-Sim!
Gabe, Milly e Wood estavam perto de um Chevy 68 com pinturas de corrida. Não me pergunte como eu sei o nome do carro, eu apenas sei. E Tatz, Iara e a Jamille estavam quase que abraçando um Jipe amarelo. Certo. Não era a minha porsche, e nem era um carro veloz. Mas era amarelo e isso já bastava. No geral, todas as mulheres gostam de carrinhos amarelos. É estranho, mas nem tanto quanto um apocalipse zumbi. Depois de algumas tentativas com chaves de diferentes formatos, conseguimos ligar os carros.
-Gente?
Gabe estava apoaido no Chevy.
-Sim?
Eu me virei para olhá-lo melhor. Ele com certeza era mais velho que eu. Era um pouco mais alto que o Lucas, era moreno e tinha olhos azuis como o mar. Ele estava com a mão no ponto que tinha sangue do curativo. Ele estava muito pálido, a Lala deveria dar uma olhada nele.
-Não sei se alguém aqui viu Resident Evil, mas nos filmes eles protegiam os carros com grades e tudo mais, vocês não acham que deveríamos fazer o mesmo?
-É, tem razão, mas não temos nem material, nem ferramentas e muito menos a mão de obra pra fazer isso.
-Qual é Bia, está subestimando o poder masculino da força de vontade.
- Não senhor, Phe, eu estou subestimando o tempo e a criatividade de vocês.
Eles riram, não foi uma piada. Eles queriam chegar quando na praia? Porque, pra mim, aquele sim era um lugar seguro. Não uma loja qualquer. Gabe andou devagar até a Hilux e pegou uma mochila preta, de dentro dela ele tirou algumas ferramentas que dariam conta do recado.
-Bom, eu tenho as ferramentas e com alguma ajuda, podemos ter a mão de obra.
Eu sorri.
-Mas e o material?
-Bem, eles não vão se importar se alguns dos carros estiverem um pouco mais deformados do que estavam antes, certo?
Milly estava de novo com o canivete em mãos, qual era a dela? Logo, todo mundo foi fazer alguma coisa. Jamille foi procurar alguma coisa pra comer, claro que o Colírio foi com ela. Iara e a Tatz estavam desmanchando os carros, tirando peças que não seriam muito necessárias, como bancos e marchas e... Marchas? Como elas tiraram aquilo?  O Phe e a Lala estavam com a Anne, todos estavam cortando com algumas serras que achamos na oficina da loja, partes para fazer algumas grades.
Eu o Lucas e o Gabe estávamos dando um jeito de montar tudo isso nos carros. Começamos pelo Jipe. Gabe estava deitado em baixo do carro mexendo em alguma coisa lá. Lucas estava brincando com o fogo do maçarico que também estava na oficina.
-Tudo bem aí em baixo?
Eu perguntei pro Gabe que estava ali fazia um bom tempo.
-Tudo - Ele riu- Eu preciso de uma chave de fenda, consegue pegar pra mim?
-Claro.
A caixa de ferramentas estava ao lado da perna dele. Eu remexi a caixa e encontrei o que ele precisava. Estendi para ele mas recolhi pouco depois.
-Pra quê você precisa disso aí em baixo se o nosso trabalho é aqui em cima?
Ele riu outra vez.
-Eu só vou apertar um negocinho aqui, antes que o carro desmonte. Depois podemos colocar o ferro pra proteger as janelas.
-Hum, sei.
Ele ficou lá em baixo por mais alguns minutos. Lucas o ajudou a levantar.
-Pronto pra parte pesada?
-Mais que pronto, já sei até o que vamos fazer pra dar tudo certo.
Eu não fui muito útil nessa parte. Ele não me deixaram pegar o ferro que o Phe trazia por causa do meu ombro. E o Gabe não largava o maçarico de jeito nenhum. Então, como meu ombro doeu quando eu fui tentar cortar o ferro em partes menores, não pude faezer nada s enão olhar o que eles estavam fazendo. Depois de algumas horas lá eu estava realmente com fome. Ainda não estava escuro, mas não era noite e eu não tinha almoçado. Saí da oficina e encontrei o grupo rindo e comendo várias coisas como doritos e refrigerante, e sanduíches que pegamos no mercado. Até enlatados que pegamos ontem. Parecia um acampamento. Vários amigos reunidos em círculo em volta de mochilas com comida. Era parte de um sonho meu, e em breve estaríamos no caminho certo pro nosso paraíso.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Velhos e Novos Amigos Parte II

-O que foi?Ele olhava para mim enquanto eu percebia algumas coisas sobre ele.
-Nada, eu só... Como você sabe que estamos indo para a Praia das Conchas?
-É que...
Ele iria falar alguma coisa mas Anne veio correndo em nossa direção.
-Milly! Wood! Venham aqui, agora!
Eles saíram correndo, e eu como sou extremamente curiosa, fui atrás.
-Ele estava aqui e derrepente as luzes apagaram e eu ouvi vozes e barulhos e daí quando as luzes ascenderam ele havia sumido e tinha um cara alto que trancou a porta e... E ele falou para eu ficar quieta ou ele ia me matar como ia fazer com o Gabe!
Ela estava chorando, realmente. Quando você está de boa e do nada levam o seu amigo, ou sei lá o que ele seja dela, embora seria além de estranho, perturbador.
A porta estava sem a maçaneta, ela deve ter arrombado para poder sair. Mas ela disse que tinha um menino na porta, tinha a porta, ela e nós. Onde estava o menino. Eu saí da sala, depois de alguns passos eu estava em um corredor mal iluminado, alguns passos adiante havia uma curva fechada para a direita. Eu só saberia o que tinha depois da curva, passando por ela. Parecia um estúpido filme de terror, eu estava sozinha, Assim que eu percebi isso, de novo. Dei meia volta, mas algo agarrou meu braço, eu pensei em gritar, mas lembrei que tinha uma arma carregada na minha cintura. Estava escuro mas a pessoa percebeu que tinha algo apontado pra cabeça dela.
-Calma! Você não atiraria em alguém desarmado, atiraria?
Essa voz, não poderia ser. Ele deveria estar morto, ou bem longe de mim. Endireitei os ombros e falei com a voz mais firme que pude encontrar.
-Eu atiraria sim.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos e depois soltou meu braço par me abraçar.
-Bia!
Ele disse meu nome como um suspiro.
-Me solta eu... Não sou a Bia.
Ele se afastou e apontou uma lanterna para a minha cara.
-Deixa de brincadeira, é você sim!
El me abraçou de novo,  me deixando sem ar.
-Me solta!  Agora!
-O que foi? Eu tenho você aqui na minha frente, depois de tanto tempo!
-Eu que o diga Vinicius, você ficou longe! Você escolheu ir embora, não me venha com essa!
Eu puxei meu braço mas ele me seugurou com mais força, a arma ainda estava apontada para ele.
-Me larga!
Eu encostei a arma na testa dele.
-Você não seria capaz de me matar, não depois de tudo o que tivemos.
-Eu sei que por sua culpa, tive uma ficha bem extensa na policia.
Eu puxei meu braço outra vez, mais forte agora. Saí andando nos primeiros 15 passos, e depois corri de encontro ao pessoal.
-Gente, vamos embora daqui.
Anne, Milly e Wood me seguiram quando eu passei em disparada por eles.
-Mas, porque? O que houve nos corredores?
-Nada.
Resposta rápida demais.
-Jamille? Vem comigo, sim?
Eu praticamente a arrastei por todo o caminho até o carro, sentei no capô e esperei até ela falar comigo.
-Tá, isso foi muito estranho. O que aconteceu lá atrás?
-Ele está aqui.
-Ele quem Bia?
-O Viniucius, ele me puxou pelo braço. Ele estava a qiunze centímetros de mim.
-O que você fez?
-Apontei a arma na cabeça dele.
-Eu teria atirado de primeira.
Ela deu de ombros.
-Essa não é a questão, Jamille. Eu quero saber o porquê dessa criatura aparecer quando está tudo certo...
-O que o Lucas estava falando com você hein?
-Ele é um outro assunto que devemos tratar depois, agora precisamos ir embora. O quão antes.
-Vamos chamar eles então.
Andamos de volta para o mercado, tanto o nosso "grupo" quanto os novos amigos estavam reunidos, inclusive Gabe.
-Bih! O que foi aquilo?
Iara, Tatz e Lala estavam juntas.
-Nada, a gente precisa ir embora daqui.
-Mas, porquê?
-Eu não posso falar em voz alta, não na frente de todo mundo aqui.
-Se vocês vão... Gostaríamos de ir com vocês onde quer que vão.
Milly, Wood, Gabe e Anne estavam meio que amontoados vindo na minha direção.
-Seria muito legal se vocês viessem, mas eu acho que não temos espaço no nosso carro.
-Isso não é problema, tem uma loja ali atrás, acho que não seria grande coisa se um carro sumisse.
Milly tinha um canivete em mãos. Como e não notei isso antes e como diabos um canivete se encaichava no que ela acabou de dizer?
-Tudo bem então, mas não será uma viagem muito fácil, estamos indo pro Leste em direção á Bertioga.
-Conhecemos a região, não vai ser problema.
Enquanto saíamos Vinicius veio correndo em nossa direção com mais dois meninos.
-Bia! Espera!
Todo mundo olhou para ele, a Iara e a Tatz se olharam como se entendessem o motivo da saída repentina. Lala e o Phe estavam apenas olhando. Colírio estava meio que segurando o braço da Jamille, antes que ela batesse nele como havia me prometido meses atrás. Lucas estava carregando a Hilux, nem sabia do que tudo isso se tratava. Milly e Wood estavam conversando e não puderam segurar Anne que correu em direção á um dos meninos.
-Seu imbecil! Olha o que você fez com ele! Não viu que ele estava machucado? Babaca.
E aí, ela deu um belo tapa na cara do menino. Ele se irritou, bastante. mas a mão do Vinicius o impediu de avançar na menina em sua frente.
-Bia, fala comigo. por favor!
Eu me virei, e caminhei em sua direção.
-Eu e você, não temos nada pra falar. Tudo ficou bem claro quando você e seus amigos estúpidos deixaram que eu fosse presa, e depois tudo ficou mais claro ainda quando você  não veio falar comigo. Até agora Vinicius, faz 8 meses desde que tudo aquilo aconteceu. Então boa sorte eu sinceramente espero que você sobreviva nessa loucura.
Me virei e passei pelo grupo que falava coisas como: "Então é esse o garoto?" "Quem são aqueles dois?" "Eu não acredito que ele veio atrás da Bih." "Eu deveria mandar ele pro inferno." "Esse é o menino que vocês estavam falando na praia?" "Sorte a dele que eu estou longe."
E enfim eu entrei no carro, o ombro que até agora estava na dele, resolveu começar a doer. talvez seja porque eu tenha feito um golpe super irado em um dos nossos novos amigos, ou porquê, tomada pela raiva, eu puxei mau braço com muita força.
Um por um, as pessoas entravam no carro. Eu iria na caçamba outra vez, não me incomodava mais. Eu veria a paisagem bonita da estrada que tomaríamos para o nosso paraíso secreto. Antes de subir, lancei um último olhar para o menino que deixei para trás pela última vez. Depois de alguns segundos, Lucas sentou do meu lado e segurou minha mão. E pela primeira vez em muito tempo, eu não me importava com esse fato.

Velhos E Novos Amigos.

Após quase sermos mortos por dezenas de zumbis no mercado, ficamos um pouco apreensivos quando entramos no mercado menor. Tipo 98,9% de vezes menor do que o outro.
-Porque não nos separamos? Será mais rápido pra sair daqui?
Iara, que ficou bem perto dos zumbis estava bem agitada.
-Assim também será bem mais rápido para sermos mortos...
Eu sempre ví, lí e aprendi que se você se separar do grupo, você morre. Pena que as 15 regras de ouro para um filme de terror foram esquecidas no outro mercado.
-Tá, temos que pegar o que aqui?
-Esqueci dos acendedores de churrasqueira, e de algumas panelas.
O Colírio queria parecer forte e não se importar, mas olhava para os lados como se estivesse sendo perseguido. não que eu vá zoar ele ou coisa assim, ele ficou cara a cara com um zumbi que estava sem metade da cabeça. É forte até para mim, só que por sorte eu estava com o efeito da adrenalina do momento no sangue. Todos estavam abalados, a maioria ficou bem perto de um zumbi sangrento bem perto do seu nariz.
-Seguinte, vamos corredor por corredor, o que for útil a gente pega, ok?
-Ok!
Eles disseram em coro, e depois sorriram.
No corredor um havia produtos de limpeza, pegamos algumas coisas muito úteis como sabonetes, desodorantes, coisas para lavar roupa e é claro, papel higiênico. Você pode achar que isso não faz falta, tente acampar no meio do nada por três longos dias. Os produtos para lavar roupa eu peguei pensando na casa que iríamos ficar, eu já tinha passado por ela. Várias e várias vezes. Ótimo esconderijo desses monstros. Muros altos, sistema de segunrança por câmeras, fora que a eletricidade é gerada de um gerador á etanol. Os donos faziam parte do Green-Peace e outros órgãos protetores da natureza. No fim do corredor ainda não tinha nada do que se espantar, nem sangue, nem intestinos, cérebros, ou zumbis vindo em nossa direção. Era apenas um mercado bem pequeno com alguns consumidores que saíriam sem pagar.
-Esta tudo muito quieto né?
Lala perguntou para o Phe.
-Não diz isso Lala, regra de prata - Era como chamávamos as regras menos importantes- Nunca fale está tudo quieto, porque a pessoa vai responder, quieto demais. Aí pronto, fudeu. Aparece um pisicopata com uma serra elétrica por de trás da cortina.
Eu ri. Tudo bem, era verdade, mas agora a Tatz estava errada, não seria um pisicopata, mas sim um walker. ( Resolvi usar o termo que usam no The Walking Dead, mesmo sabendo que eu nunca saberei o que vai acontecer no capítulo final da temporada)
-Tá quieto sim- eu respondi- mas a gente nao viu nada quebrado e nem manchas de sangue como no outro mercado- eu me virei e continuei andando de frente para eles- vai ver que esse aqui não tem ninguém.
Assim que eu acabei de falar, algo duro encostou na minha cabeça e o pessoal fez cara de assustado. o Phe colocou a mão para trás pra pegar a arma certamente.
-Parado aí!
Era um homem, não tão velho quanto o do posto. Talvez vinte e poucos anos. Um clique e a arma da pessoa atrás de mim estava carregada.
-Ótimo, escapei de vinte zumbis para morrer por um humano.
Ele apertou mais a arma na minha cabeça.
-Solta ela, a gente não quer nada aqui. Só estamos de passagem.
Lala estava prestes a dar um passo para frente. Outra pessoa passou por mim, uma menina mais ou menos da minha altura. Estava com o cabelo preso em rabo de cavalo e usava uma camiseta preta, uma calça jeans e um tênis.
-Tarde demais, vocês vão atrair aquelas coisas para cá.
Ela estava com uma pistola apontada pra Lala.
-Calma- Eu disse- A gente sai sem fazer barulho.
Eu olhei para o Phe e inclinei a  cabeça em direção da menina, ele assentiu.
Num movimento rápido eu girei e passei por baixo do braço do menino, agarrei sua mão e dobrei seu braço. Ele estava com o braço em "v" com a arma apontada para a própria cabeça e eu estava usando seu corpo como escudo. Como eu fiz isso? Algumas brigas com o meu irmão e muitas horas jogando Play Station Move.  Mas ainda assim era uma proeza o que eu acabei de fazer.
Eu sorria enquanto vía o que fiz, a menina olhava assustada para mim e alternava o olhar entre o Phe e eu. Ela abaixou a arma e se afastou dela, a Lala pegou a arma e apontou para além de nós. Eu virei um pouco a cabeça, havia outra menina com uma chave inglesa levantada. Uma chave inglesa, não é tão ridiculo quanto uma mangueira de gasolina mas, eu nunca havia visto uma assim de tão perto. Ela estava bem atrás de mim.
-Solta isso.
Eu apontei para a chave inglesa na mão dela. Analisando a situação, ela soltou a "arma" que fez um som alto e estranho.
-Solta ele.
A outra menina dava passos pequenos em minha direção.
-Fica longe, ou ele mesmo vai estourar a própria cabeça.
Ela parou.
-Por favor, a gente não queria machucar vocês, é só que estamos seguros aqui e nada pode estragar isso.
-A sua amiga  e seu amigo aqui mostraram o contrário.
Ela ergueu as mãos em rendição.
-Me solta, eu prometo que não vou tentar nada, olha a arma está sem munição, me deixa ir.
O menino que eu segurava não tentou se soltar, mas eu o soltei.
-Tá de brincadeira né! Como você ameaça uma pessoa com uma arma sem balas!
-Usamos todas para limpar o lugar.
A menina da chave inglesa me respondeu.
-Meu nome é Anne Tsubaki, muito prazer.
Eu coloquei a arma como eles fazem nos filmes, mesmo sem balas e mesmo desconfortável.
-Tsubaki né? Nome diferente... Eu sou a Nathalia.
Estendi a mão para ela e ela sacudiu.
-Eu sou Wood.
O menino que eu segurei veio se apresentar. Já tava virando festa. Depois dele a outra menina veio falar comigo.
-Sou a Milly.
Depois disso eles se apresentaram para os outros.
-Tsubaki? Você vía Soul Eater?
Iara e Talita estavam enchendo a menina com perguntas sobre animes e essas coisas. O Phe me deu um pente de munição e me mostrou como carregar a arma. Eu não sabia atirar, mas já fiz algumas aulas com o meu tio que era policial, e jogando muito paintall com o meu irmão. Se o alvo estivesse perto, estava tudo bem.
Logo, todos estavam conversando sobre assuntos variados, eu fui dar uma pequena volta que durou apenas 23 passos. Em uma sala com a porta entreaberta, havia uma cadeira.
Eu entrei devagar e na cadeira havia uma menino, eu apontei a arma e ele levantou rapidamente, logo gemendo de dor.
Ele estava com a camisa aberta e estava com as costelas enfaixadas,havia um ponto de sangue nas bandagens.
- Eu ergueria as mãos, mas você está vendo o meu estado.
Ele sorriu.
-Tudo bem eu... O que foi isso aí? Não foi uma mordida certo?
Eu apontei a arma para a cebça dele.
-Talvez eu responda se você abaixar a arma.
-Não estou brincando, você sabe o que acontece com os mordidos, certo?
-Relaxa, eu sei. Os mordidos estão mortos e não há volta.
Eu sorri, ele viu os filmes do Resident Evil.
-O que aconteceu com o pessoal? Estão todos bem?
-Relaxa, houve um pequeno mal entendido no começo mas estão todos comversando agora.
-Ele se sentou de novo na cadeira, aliviado.
-Hum.. Meu nome é Nathalia.
-Ah sim, Oi, meu nome é Gabe.
-Tá, eu já volto sim?
-Tudo bem.
Eu não sou muito sociável, admito. Também sou a pessoa mais sem assunto que existe na face da Terra. 23 passos de volta e eles ainda estavam conversando. Anne Tsbubaki veio falar comigo.
-Você o viu?
-Quem?
-Gabe. Ele se machucou quando tentamos sair daqui, mas não é uma mordida, eu garanto.
-Sei disso, ele me disse.
-Ele falou com você?
Ela parecia espantada.
-Sim, em português alto e claro.
-Ele estava em choque até agora.
Anne era um pouco mais alta do que eu, estava com uma camiseta de mangas curtas vermelha, uma calça jeans, all-star e tinha uma pulseira, clássica dos rockeiros no pulso esquerdo.
-Bom, acho que ele esta melhor agora.
Eu sorri. Ela também.
-Eu vou vê-lo, aquele machucado pode infeccionar.
Ela foi andando na direção da porta entreaberta onde Gabe estava, por alguns minutos eu fiquei sozinha. Me recostei na prateleira do mercado, acho que grandes amizades comaçariam assim agora.
"Abaixa a arma. Não abaixa você.- os dois abaixam as armas- Nossa, como você não me matou, vamos ser amigos e trabalhar juntos para sobreviver nesse apocalipse zumbi."
Lucas me viu e veio andando na minha direção.
-Não gosta muito de falar, não é?
-Eu só não tenho assuntos que sejam motivos de conversa.
Ele se sentou no chão e fez um gesto para que eu sentasse com ele.
-Eles vão vir com a gente?
-Se eles quizerem, mas eles tem tudo organizado aqui.
-Você vai perguntar se eles vão vir pra praia das conchas com a gente?
Praia das conchas. Era a praia da ponta direita olhando para o mar, depois da praia de São Pedro. Eu nunca disse os nomes das praias para ninguém, nem pras meninas. E na hora no mercado ele havia dito que o outro mercado que ele conhecia ficava á 2 km do outro. Realmente ficavam a essa distância. Ele pode ter morado aqui, ou ter uma praia aqui. Mas ele nunca saberia o nome das praias e a distância exata dos mercados. Eu sei porque eu morava dois meses aqui. Todo ano eu ficava dois meses no memso lugar, desde pequena. Mas ele não. Ou pelo menos, não que eu saiba. Quem era aquele garoto?