Esta é uma nova era. Quando mortos caminham livremente significa que algo está errado. Meu nome é Nathalia, eu estou lutando para ser uma sobrevivente dessa Era de Sangue.
Bem Vindos...
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Fora De Rumo.
Anne, Milly e Colírio estavam no banco de trás comigo, não consegui ver quem dirigia. Mas se o Colírio estava aqui significava que a Jamille estava também. Ou não. Eles começaram a discutir como um bando daqueles estava escondido na floresta. Sério. Não havia sentido em todos aqueles zumbis estarem esperando na floresta. Eu encostei minha cabeça no vidro, ciente de que a arma não estava comigo, eu saí do carro e corri em direção á porta de ferro que agora estava totalmente aberta. O corpo dele estava lá, os braços aberto do lado do corpo, os olhos terrivelmente abertos, sangue por todo o rosto. Eu puxei as mangas, de repente estava muito frio ali dentro. Eu cheguei mais perto, a bala fez um buraco não muito fundo em sua cabeça, eu me abaixei e fechei seus olhos. Não aguentaria olha-los por muito tempo. Peguei a arma e andei de volta, um barulho de porta se fechando fez com que eu parasse, de repente meu coração bateu mais rápido com a falsa impressão de que ele pudesse ter sobrevivido, depois voltou ao estado de depressão que se encontrava antes. Eu voltei correndo, ele não sobreviveu havia mais alguém ali. Quando entrei, não havia corpo, não havia o menino que eu matara porque era necessário. Só havia o sangue, e rastros de que alguém o puxou porta afora. Cheguei bem á tempo de ver um homem alto e moreno carregando o corpo do Vinnicius para dentro de uma caminhonete vermelha. Eu não consegui gritar, a cena era estranha demais. Eu só consegui gravar um detalhe antes do carro aparecer na estrada, eu ví aquela caminhonete vermelha no noticiário 3 meses antes. Algo sobre algum sequestro ou algo assim, o cara era maluco. Tatz e a Pamella chegaram poucos minutos depois que o carro zuniu pela estrada. Elas estavam preocupadas.
-O que você tá fazendo aqui fora sua maluca?
-Alguém levou o corpo dele.
Eu estava em choque.
- Quem Bia? O corpo de quem?
-Do Vinny, um cara levou o corpo dele.
Elas se entreolharam.
-Vamos pro carro, a gente fala com o Phe sobre isso.
Eu as segui, ainda com a cena na cabeça. Quando eu entrei no carro, disseram que eu ia dirigir.
-Bom, já que insistem!
Jamille, Colírio, Anne e Milly estavam no carro comigo. A estrada parecia longa, sem rumo e diferente agora que eu matara alguém, alguém cujo o coração ainda batia, cujos olhos ainda imploravam para que eu não atirasse, cujo as mãos estavam estendidas para mim. As lágrimas começaram a cair e eu só ví a pedra estava no meio da estrada tarde demais para pensar em outra coisa á não ser desviar o carro. Entramos na floresta, o carro passava zunindo pelas árvores mesmo quando o meu pé estava apertando o freio. Estávamos num barranco e só Deus sabe onde iria parar.
-Bia!
Eu olhei para a Jamille que estava agarrada ao banco como se sua vida dependesse disso. Pelo retrovisor, Colírio olhava espantado pela janela, Milly olhava para suas mãos e Anne era a única que parecia estar se divertindo. Isso era estranho. O carro parou, estávamos numa clareira, ás árvores formando um círculo quase perfeito, o céu azul com poucas nuvens era convidativo e agradável. Eu tinha uma certeza, estávamos presos ali em baixo. Saímos do carro e encaramos o lugar, era até bonito. O padrão das folhas, as cores que iam florescendo e ganhando vida conforme o verão se aproximava mais e mais. Estávamos numa espécie de buraco, as paredes de terra ficavam mais íngremes quando estavam mais perto de nós e se aproximavam do nível do asfalto ao subir um pouco mais. Não era fundo, mas o carro não iria subir de jeito nenhum. Tínhamos outro problema, não poderíamos passar a noite no meio da floresta com zumbis á solta.
-Bia!
Alguém gritou meu nome lá de cima, provavelmente a Lala ou o Phe.
-Estamos aqui!
Um momento e responderam.
-Conseguem subir?
-Não tenho certeza de que o carro consegue, mas nós conseguimos!
-Não vai caber todo mundo na Hilux, tenta achar outro caminho!
-Tá legal!
Antes de eu dar o primeiro passo em direção as árvores, o Colírio me parou.
-Deixa que eu vou.
-Tem certeza?
-Tenho sim.
Ele sorriu e saiu andando por entre as árvores. Enquanto isso estávamos presas em um círculo de folhas secas e coloridas, eu me sentei. Não havia como escapar de tudo isso, eu estava cansada e o dial mal havia começado. Alguém sentou do meu lado.
-Ei.
-Ei.
Alguns minutos em silêncio.
-O seu nome é Bia ou Nathalia? É que eu estou meio confusa.
Eu ri, Anne era uma das poucas pessoas que ainda não sabiam o meu nome.
-O meu nome é Beatriz, mas fica muito agressivo então eu digo Bia, mas me traz lembranças demais então eu mudei para Nathalia, um nome que eu sempre gostei.
Ela me encarou por alguns instantes e falou.
-Eu prefiro Bia sabe? Parece mais com você.
Ela riu e depois ficamos em silêncio.
-Como é seu sobrenome mesmo? É que ele é meio difícil de se decorar.
Ela sorriu.
-Tsubaki, mas não é realmente o meu sobrenome. Anne nem é meu verdadeiro nome, é Anna, mas eu prefiro assim. É mais como eu sou.
-E como você é?
-Difícil de se definir, incontente com o que tem e muito temperamental.
Eu sorri.
-Não seria minha definição...
Alguém grita o meu nome na direção onde o Colírio foi. Sem perceber eu já estava correndo e bem perto do lugar minha mente estava cheia de " Ele está em perigo! Eu deixei a porcaria da arma no carro! O que será que aconteceu? Eu preciso ir mais rápido."
Quando eu cheguei ele estava perto de uma trilha de terra, havia um riacho, uma cachoeira e muitas árvores, daqui eu não conseguia ver o céu. Ele estava ajoelhado na perna direita e eu não conseguia ver onde estava o outra perna dele. Algo estava errado, por que ele não estava de pé?
-Aqui Bia!
-Não precisa gritar Colírio já estou aqui.
Andei em sua direção percebendo o que estava errado, o lugar estava com cheiro de sangue e eu ví que ele tinha sido pego por uma armadilha de caça. Algo muito incomum no litoral de São Paulo.
-Ai meu Deus! Não se mexe tá legal! Eu vou buscar ajuda, espera ai...
-Não Bia.
-Não venha com essa menino, eu vou ali buscar ajuda e já volto pra te tirar daí!
-Bia...
-O que foi?
-A estrada fica por ali, o carro deles está á uns vinte metros da entrada.
Ele sorriu.
-Ah, então tá. Fica ai. Eu já volto.
Enquanto subia para a estrada eu só conseguia pensar na perna dele, e no que eu ficava dizendo. "Fica ai..." Como se ele fosse realmente se levantar e fugir de mim. O outro grupo, formado pela Lala, Phe, Tatz, Pammy, Iara, Lucas e Gabe estava discutindo alguma coisa quando eu cheguei.
-Galera!
Eles me olharam e vieram do meu lado.
-Graças a Deus você conseguiu subir.
-Onde estão os outros?
-Eles estão bem?
-Você consegue trazer o carro?
-Gente, o carro está por ali, a saída da clareira é daquele lado e eu preciso que a Lala venha comigo com a mochila dela.
Eu já estava com a mochila preta e pesada da Lala quando comecei a puxá-la pelo braço.
-O resto de você fica ai!
Eu andei com ela de volta para a cachoeira explicando o que tinha acontecido. A pedra, o carro caindo, o que eles falaram e como o Colírio ficou preso. Quando chegamos ele estava no mesmo lugar que o deixei, ainda preso na armadilha.
-Bom, não é algo que eu tenha aprendido á fazer, mas não pode ser complicado.
Ele estava preso pela calça, a armadilha tinha pego boa parte da calça dele mas pouca parte de sua perna. De onde vinha o cheiro de sangue então? Assim que cortamos metade da calça do Colírio ele se levantou dizendo para mim que sabia que não era nada sério mas eu parecia estar muito agitada então ele me deixou ir pegar ajuda. Ele riu.
-Não tem graça sabia. Eu achei que era alguma coisa bem séria.
Voltamos para onde deixei o carro, as meninas pareciam preocupadas.
-Calma gente, achei uma saída daqui, podemos seguir com a viagem.
Elas se levantaram.
-Ja tá na hora da gente chegar nessa praia aí né Bia, ai vamos ter chuveiro e cama e comida!
-Se o problema é banho, tem uma cachoeira logo ali naquela direção.
Ela não pareceu gostar da idéia.
-A gente podia acampar por aqui. A viagem até Bertioga vai demorar mais duas horas, chegando lá a gente vai ter que arranjar um lugar pra ficar mesmo, por que não passar a noite aqui?
Anne e Milly estavam de acordo com a ideia, o Colírio pareceu aceitar qualquer coisa que propuséssemos, a Jamille não ficou muito contente com a ideia de dormir nos carros ou nas barracas no meio do mato. No estacionamento de uma loja de usados tudo bem, mas no meio do mato nuca! A Lala disse que precisava pensar e então voltamos com o carro para o encontro com o resto de nossos amigos. Depois de explicar que teríamos que fazer turnos para a vigilância e etc, eles concordaram. Uma noite no meio da floresta era bem melhor do que passar a noite tirando sangue das paredes. Depois de almoçar ficamos conversando, eu aproveitei pra subir numa árvore e olhar em volta. Era definitivamente bonito por ali. Ás árvores, as folhas, as flores e o riacho. Todos os sons faziam do lugar um paraíso, ao pôr do sol alguém teve a ideia de entrarmos na água. Eu tenho sérios problemas com água gelada então só coloquei os pés. Depois jogaram água em mim e eu acabei entrando na brincadeira. A noite chegou logo e já estávamos montando o turno de guarda. Eu iria ser a segunda já que o Lucas se ofereceu para ir primeiro. Arrumamos os carros de modo que se algo acontecesse ficaria fácil para fugir, arrumamos a barraca, algumas pessoas escolheram dormir nos carros e eu quis dormir no capô de novo. Era legal ficar ali e observar como a lua fazia desenhos com as folhas. Depois de algum tempo eu dormi. Estava na mesma sala em que atirei no Vinny horas antes, mas havia algo diferente. O corpo estava ali, do jeito que eu encontrei, mas os olhos estavam fechados e o sangue fazia uma poça do lado dele. Quando eu cheguei mais perto os olhos dele se abriram e brilharam em vermelho vivo, ele havia se levantado e avançava contra mim no pequeno espaço, eu tentava sair de lá mas a porta estava trancada e eu não estava com a arma. Ele iria me morder se eu não tivesse acordado gritando.
-Ei.. Tudo bem?
Alguém estava segurando a minha mão no escuro, eu tinha quase certeza de quem era.
-Tudo.. Tudo bem sim.
-Tem certeza? Você não parece muito legal.
Eu me levantei. Não. Não estava legal. Tinha sido um dia estranho e cheio de mortes e preocupações, não era nada legal saber que eu tinha matado alguém.
-Quer ir dar uma volta e esfriar a cabeça?
-Quero.
Lucas foi me guiando ate pegar uma lanterna em qualquer lugar, nos afastamos para que não acordássemos ninguém. Ainda assim não me parecia seguro falar o que estava me incomodando.
-Melhor agora?
Ele me perguntou, eu suspirei. Não iria melhorar até que eu voltasse pra minha vida normal.
-Como você aguenta? Eu digo, toda aquela história de que você matou por acidente a garota dos seus sonhos e fugiu, eu sei que não faz muito tempo mas eu... Eu não aguento.
Ele me olhou.
-Eu também não. Antes de dormir me culpo por cada movimento que eu fiz naquela noite. Se eu não tivesse me distraído ela estaria viva, e eu não teria que viver com a culpa. Mas por que isso agora? porque você não aguenta, ou melhor, o que você não aguenta.
-Nada, quer dizer, tudo...
- O que aconteceu naquela sala quando os zumbis invadiram, eu vi que você estava chorando.
Eu suspirei, não queria contar mas se guardasse talvez nunca mais poderia dormir.
-Eu matei ele.
A voz saiu tão baixa que até eu me estranhei. Mas ele entendeu, claro que entendeu, porque logo em seguida ele me abraçou, rapidamente e depois me olhou.
-Eu sinto muito.
E então eu contei pra ele, o que o Vinny havia dito, o que eu respondi, como eu me senti depois que a arma disparou. Eu estava chorando, estava triste, sobrecarregada. Não sou a pessoa certa pra guiar todo mundo pra essa praia. Foi exatamente o que eu falei.
-Olha, eu sei que é difícil , principalmente com todo esse peso sobre você. mas olha pra nós, pra todos nós, estamos vivos e bem perto de chegar não é? Isso não seria possível sem você, ou sem o seu plano maluco de fugir, ou sem a sua capacidade de arrumar as coisas. A gente não estaria aqui se não fosse por você.
No fundo ele tinha razão, não estaríamos aqui. Nem tão perto, provavelmente estaríamos mortos, ou transformados em zumbis. Ou em algum canto escuro com medo de morrer. Mas estamos aqui, no meio da floresta, dormindo quase que tranquilamente esperando o dia chegar para poder seguir com o plano. E o dia realmente chegou. Depois de chamar e Phe e voltar a dormir o sol logo nasceu, resolvi andar por aí já que não voltaria a dormir. Acabei por chegar onde o riacho formava uma poça. o cheiro de sangue havia voltado, agora mais forte, eu, curiosa como sempre, segui o cheiro que de sangue se transformou em algo podre e nojento, havia uma uma cerca que me separava de um barranco. lá em baixo, bem lá em baixo haviam centenas, talvez milhares de zumbis. Mais ao longe tinha uma casinha de montanha, daquelas com porta de madeira e chaminé. Acontece que os zumbis estavam presos numa grade que separavam a casinha do campo. E a chaminé da casinha, soltava fumaça sem parar.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Narração- Larissa Beulke
* 2 meses antes do apocalipse zumbi* ( Parte Final)
-Então a senhorita sabe que, pelo motivo aqui tratado teremos que remover a sua licença para fazer cirurgias experimentais e reprová-la na matéria, voltando-a para o primeiro semestre da faculdade.
-Eu entendo e aceito as condições.
-Senhorita Beulke, você deve saber que isso acarreta todos os males possíveis para você, e muitas consequências viram com a sua decisão. Os pais do garoto querem abrir um processo contra você, a condição para que eles não abram é a sua total expulsão da faculdade. Então você tem duas opções, desistir da faculdade e tentar outro vestibular no ano que vem, ou acarretar as consequências e aceitar o processo, voltando a cursar a faculdade de onde parou, tendo que fazer um trabalho como reposição da nota.
-Eu...
O que eu deveria dizer? Que aceito levar um processo com apenas 19 anos de idade? Ou que desisto do meu grande sonho de me formar na faculdade? As paredes claras da pequena sala da diretora geral da minha faculdade se fechavam contra mim. Eu não tinha escolha, não agora, abalada, chocada e confusa.
-Eu preciso pensar... Te trago uma resposta na segunda feira.
-Eu entendo a sua situação, querida. Para todos nós o primeiro erro sempre vem.
Ela pegou minha tremula mão que repousava em cima da sua mesa de mármore.
-Eu sinto tanto por você querida, sinto que isso tenha lhe ocorrido com tanta pouca idade. Pense muito bem em sua decisão, volta quando tiver certeza está bem?
-Sim senhora.
E então eu saí da sala, peguei o metrô que me deixava á poucos quarteirões de casa e considerei as opções. Quando cheguei expliquei tudo aos meus pais.
-Filha, você não pode desistir da sua faculdade, você trabalhou tanto pra isso!
-Eu sei pai mas...
-E vamos te ajudar com o que for preciso se aquela família seguir com aquela ideia.
-Sim, mas eu não tenho certeza sobre o que fazer. Eu vou tomar um banho, dormir um pouco e amanha eu falo sobre isso.
Foi uma noite cheia de pesadelos, o corpo do menino tremendo e depois totalmente parado, o rosto pálido da diretora, as enfermeiras incompetentes que me deixaram sozinha. Quando eu acordei já havia tomado minha decisão, eu não ia desistir. Não ia mesmo.
* 5 semanas depois *
-Eu marco um recesso para daqui á duas horas.
A juíza bateu o martelo e adiou o resto da "reunião" para podermos pensar. A família tinha toda a razão, eu fui a culpada pela morte do filho deles, não havia dinheiro ou qualquer outra coisa que pudesse trazê-lo á vida. Eu estava andando pelos corredores da corte onde o julgamento estava acontecendo quando ouvi vozes vindo de uma pequena sala.
-Poisé, a metidinha daquela doutorazinha não sabe o que vem por aí.
Uma risada.
-Ela nem imagina que aquilo tudo era uma cirurgia falsa, com um corpo falso e uma família falsa.
Outra risada.
-E esse processo que ela tá levando vai deixar ela bem longe da faculdade, aquela enxerida!
Deus! Como assim! Eu fiquei em choque, ouvi minha mãe eu meu pai me chamando, andei até eles.
-Filha, o que você vai fazer?
-Não esquenta mãe, mentirosos são descobertos muito facilmente nas mãos de alguém sem culpa.
Eu tinha um plano, só tinha que falar com a minha advogada. Assim que expliquei para Letícia Mendes o que havia acontecido ela quase pulou de alegria.
-Bem, então o seu caso é muito fácil. Se elas estavam comentando sobre isso aqui, e agora, quer dizer que não conseguem guardar um segredo por muito tempo. A juíza voltou e reiniciou o caso, minha advogada não me explicou o que fazer, disse que tinha tudo em mãos.
-Eu chamo, a clínica geral responsável no dia, Candice Camargo, para depor.
Primeiro ela ficou surpresa, depois ajeitou os óculos e jogou o longo cabelo ruivo para trás. Andou até o lugar e jurou falar somente a verdade perante os júris.
-Então doutora, é verdade que era você a responsável pelo local?
-Sim.
-E então, de acordo com as testemunhas você saiu da sala em meio a cirurgia?
-Sim, estávamos em falta de um remédio na sala e precisávamos urgentemente.
-Obrigada e sem mais perguntas meritíssima.
O advogado da familia fez algumas perguntas irrelevantes para ela e depois a dispensou. Logo após isso eles me chamaram para depor, foi um choque, eu admito. Não achei que eles iriam querer ouvir o que eu tinha pra dizer.
-Sieglinder Larissa Beulke, você jura dizer a verdade, apenas a verdade e somente a verdade perante o júri?
-Eu juro.
-Prossiga.
-Bom, senhorita, Larissa, o que aconteceu no dia em questão?
-Estávamos todos na sala, eu, Candice e mais duas enfermeiras.
Eu as apontei no meio da multidão, elas não reagiram.
-Então a cirurgia começou a dar errado, não havia adrenalina na sala e Candice saiu seguida pelas enfermeiras, me deixando sozinha com a criança. Eu achei um frasco do remédio na prateleira e de acordo com as anotações das enfermeiras apliquei o remédio, o corpo do menino entrou em colapso e depois o coração dele parou de bater. Candice e as enfermeiras voltaram e me culparam pela morte do garoto, designando a mim a tarefa de contar aos pais a notícia. Foi isso.
-Sim, sem mais perguntas meritíssimo.
A minha advogada me parabenizou pela calma com que eu falei, e depois chamou a enfermaira Beatrice Klain para depor. Ela ficou tão branca e tão nervosa que quase não conseguiu balbucear um sim perante o julgamento. A parte seguinte foi tão rápida que eu não consegui distinguir as perguntas da advogada, ela apenas ia falando e enquanto ela falava a enfermeira ficava mais nervosa e então ela falou.
-Não! Não foi isso que aconteceu! Era tudo uma farsa, ainda é! O corpo era falso, a operação falsa e a família não é nem de verdade! A gente só queria tirar essa enxerida do caminho, ela viu o que não devia e então tinha que ser punida. Pronto! Chega de mentiras!
A juíza ficou surpresa.
-Bom, então eu dou o ganho de causa para Sieglinder Talita Beulke, eu a declaro inocente.
Comemoramos, é claro, dois dias depois eu ainda não havia voltado para a faculdade. Estava pensando em desistir, porque não seria a primeira vez que eu veria algo estranho como a Loura de óculos interrompendo a nossa aula, e essa com certeza não era a pior coisa que eles poderiam fazer. nas semanas seguintes um amigo de infância do Phe foi preso, colocaram uma enorme matéria sobre isso nos jornais, falaram disso por semanas. O jovem brilhante que enlouqueceu. Não imaginávamos que ele havia ficado tão louco á ponto de sequestrar a minha irmã.
____________________________________________________________________________________
Cara, eu me senti na obrigação de responder ao comentário da Mari porque ela foi muito fofa e eu to falando sério. Muito obrigada mesmo linda *-*
( Pra Tatz não ficar com ciúme : Se você não postar eu vou entrar em greve u-u hahahahaah )
-Então a senhorita sabe que, pelo motivo aqui tratado teremos que remover a sua licença para fazer cirurgias experimentais e reprová-la na matéria, voltando-a para o primeiro semestre da faculdade.
-Eu entendo e aceito as condições.
-Senhorita Beulke, você deve saber que isso acarreta todos os males possíveis para você, e muitas consequências viram com a sua decisão. Os pais do garoto querem abrir um processo contra você, a condição para que eles não abram é a sua total expulsão da faculdade. Então você tem duas opções, desistir da faculdade e tentar outro vestibular no ano que vem, ou acarretar as consequências e aceitar o processo, voltando a cursar a faculdade de onde parou, tendo que fazer um trabalho como reposição da nota.
-Eu...
O que eu deveria dizer? Que aceito levar um processo com apenas 19 anos de idade? Ou que desisto do meu grande sonho de me formar na faculdade? As paredes claras da pequena sala da diretora geral da minha faculdade se fechavam contra mim. Eu não tinha escolha, não agora, abalada, chocada e confusa.
-Eu preciso pensar... Te trago uma resposta na segunda feira.
-Eu entendo a sua situação, querida. Para todos nós o primeiro erro sempre vem.
Ela pegou minha tremula mão que repousava em cima da sua mesa de mármore.
-Eu sinto tanto por você querida, sinto que isso tenha lhe ocorrido com tanta pouca idade. Pense muito bem em sua decisão, volta quando tiver certeza está bem?
-Sim senhora.
E então eu saí da sala, peguei o metrô que me deixava á poucos quarteirões de casa e considerei as opções. Quando cheguei expliquei tudo aos meus pais.
-Filha, você não pode desistir da sua faculdade, você trabalhou tanto pra isso!
-Eu sei pai mas...
-E vamos te ajudar com o que for preciso se aquela família seguir com aquela ideia.
-Sim, mas eu não tenho certeza sobre o que fazer. Eu vou tomar um banho, dormir um pouco e amanha eu falo sobre isso.
Foi uma noite cheia de pesadelos, o corpo do menino tremendo e depois totalmente parado, o rosto pálido da diretora, as enfermeiras incompetentes que me deixaram sozinha. Quando eu acordei já havia tomado minha decisão, eu não ia desistir. Não ia mesmo.
* 5 semanas depois *
-Eu marco um recesso para daqui á duas horas.
A juíza bateu o martelo e adiou o resto da "reunião" para podermos pensar. A família tinha toda a razão, eu fui a culpada pela morte do filho deles, não havia dinheiro ou qualquer outra coisa que pudesse trazê-lo á vida. Eu estava andando pelos corredores da corte onde o julgamento estava acontecendo quando ouvi vozes vindo de uma pequena sala.
-Poisé, a metidinha daquela doutorazinha não sabe o que vem por aí.
Uma risada.
-Ela nem imagina que aquilo tudo era uma cirurgia falsa, com um corpo falso e uma família falsa.
Outra risada.
-E esse processo que ela tá levando vai deixar ela bem longe da faculdade, aquela enxerida!
Deus! Como assim! Eu fiquei em choque, ouvi minha mãe eu meu pai me chamando, andei até eles.
-Filha, o que você vai fazer?
-Não esquenta mãe, mentirosos são descobertos muito facilmente nas mãos de alguém sem culpa.
Eu tinha um plano, só tinha que falar com a minha advogada. Assim que expliquei para Letícia Mendes o que havia acontecido ela quase pulou de alegria.
-Bem, então o seu caso é muito fácil. Se elas estavam comentando sobre isso aqui, e agora, quer dizer que não conseguem guardar um segredo por muito tempo. A juíza voltou e reiniciou o caso, minha advogada não me explicou o que fazer, disse que tinha tudo em mãos.
-Eu chamo, a clínica geral responsável no dia, Candice Camargo, para depor.
Primeiro ela ficou surpresa, depois ajeitou os óculos e jogou o longo cabelo ruivo para trás. Andou até o lugar e jurou falar somente a verdade perante os júris.
-Então doutora, é verdade que era você a responsável pelo local?
-Sim.
-E então, de acordo com as testemunhas você saiu da sala em meio a cirurgia?
-Sim, estávamos em falta de um remédio na sala e precisávamos urgentemente.
-Obrigada e sem mais perguntas meritíssima.
O advogado da familia fez algumas perguntas irrelevantes para ela e depois a dispensou. Logo após isso eles me chamaram para depor, foi um choque, eu admito. Não achei que eles iriam querer ouvir o que eu tinha pra dizer.
-Sieglinder Larissa Beulke, você jura dizer a verdade, apenas a verdade e somente a verdade perante o júri?
-Eu juro.
-Prossiga.
-Bom, senhorita, Larissa, o que aconteceu no dia em questão?
-Estávamos todos na sala, eu, Candice e mais duas enfermeiras.
Eu as apontei no meio da multidão, elas não reagiram.
-Então a cirurgia começou a dar errado, não havia adrenalina na sala e Candice saiu seguida pelas enfermeiras, me deixando sozinha com a criança. Eu achei um frasco do remédio na prateleira e de acordo com as anotações das enfermeiras apliquei o remédio, o corpo do menino entrou em colapso e depois o coração dele parou de bater. Candice e as enfermeiras voltaram e me culparam pela morte do garoto, designando a mim a tarefa de contar aos pais a notícia. Foi isso.
-Sim, sem mais perguntas meritíssimo.
A minha advogada me parabenizou pela calma com que eu falei, e depois chamou a enfermaira Beatrice Klain para depor. Ela ficou tão branca e tão nervosa que quase não conseguiu balbucear um sim perante o julgamento. A parte seguinte foi tão rápida que eu não consegui distinguir as perguntas da advogada, ela apenas ia falando e enquanto ela falava a enfermeira ficava mais nervosa e então ela falou.
-Não! Não foi isso que aconteceu! Era tudo uma farsa, ainda é! O corpo era falso, a operação falsa e a família não é nem de verdade! A gente só queria tirar essa enxerida do caminho, ela viu o que não devia e então tinha que ser punida. Pronto! Chega de mentiras!
A juíza ficou surpresa.
-Bom, então eu dou o ganho de causa para Sieglinder Talita Beulke, eu a declaro inocente.
Comemoramos, é claro, dois dias depois eu ainda não havia voltado para a faculdade. Estava pensando em desistir, porque não seria a primeira vez que eu veria algo estranho como a Loura de óculos interrompendo a nossa aula, e essa com certeza não era a pior coisa que eles poderiam fazer. nas semanas seguintes um amigo de infância do Phe foi preso, colocaram uma enorme matéria sobre isso nos jornais, falaram disso por semanas. O jovem brilhante que enlouqueceu. Não imaginávamos que ele havia ficado tão louco á ponto de sequestrar a minha irmã.
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Cara, eu me senti na obrigação de responder ao comentário da Mari porque ela foi muito fofa e eu to falando sério. Muito obrigada mesmo linda *-*
( Pra Tatz não ficar com ciúme : Se você não postar eu vou entrar em greve u-u hahahahaah )
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Narração- Phelipe Braga
Depois que a Lala conseguiu salvar a Bia, tudo ficou melhor. não que os acontecimentos recentes fossem motivo de alegria, mas podíamos sorrir por algum tempo antes que algum zumbi faminto corresse atrás de nós.
-Lala? A gente podia parar um pouco pra descansar assim você dava uma olhada na Bia e tudo. A gente já passou pelos túneis, eu preciso dela acordada desse ponto.
-Tudo bem, eu quero mesmo esticar as pernas.
Saímos do carro e montamos um pequeno acampamento, todos ao redor de uma fogueira, comendo e rindo. Talvez fosse a cena mais feliz que eu tenha visto nesses últimos meses.
* 3 meses antes do apocalipse zumbi *
-Ela ja chegou?
-Não ! Ela devia estar em casa faz uns 20 minutos.
- Calma Lala, ela deve ter se atrasado na escola.
-Ela não atende o celular. Onde ela deve estar?
Assim que a Dona Denise disse isso o telefone tocou. O senhor Beulke, pai das meninas, atendeu.
-Tudo bem.
Uma única resposta, algo estava errado.
-Ela foi sequestrada. Nossa filha foi sequestrada.
Ele estava em choque, tanto que a Lala foi buscar alguma coisa na cozinha. Pouco tempo depois ele nos explicou, o cara queria 1milhão e passar pelo firewall da maior empresa do mundo. Ele era louco. E então eu me lembrei, na escola, havia um amigo meu que tinha uma idéia um tanto louca. Ele queria se formar em ciência biológica, criar um antídoto para qualquer coisa e ficar muito rico. Ele não batia muito bem da cabeça, sempre todo retraído e estranho. Eu nunca o levei a sério até que ele foi preso por entrar no banco de dados da Medi-Com, ele ficou preso até mês passado eu acho.
Sexta passou muito devagar, Denise, o Beulke e a Lala ficavam aflitos, choravam e esperavam pela chegada da polícia. Depois que eles foram embora eu decidi ir também, não havia muito o que eu podia fazer se não lembrar das estranhas palavras de Jason, meu amigo do colégio.
"Eu tenho essa ideia Braga, eu vou ficar rico!" Essas palavras ficaram na minha mente até que eu caí no sono. No sábado, os policiais esperaram uma ligação que não veio. Finalmente no Domingo eu pude acompanhá-los até um galpão velho onde acharam ele. Jason Mueller. Ele havia sequestrado a Tatz e a Iara, louco por vingança, antes de fugir ele olhou para mim e disse :" Isso ainda não acabou Braga, eu vou revolucionar o mundo!" E então ele correu.
-Tudo bem?
A Lala me tirou dos pensamentos.
-Tudo sim, eu ainda não acredito que escondemos tudo da Bia, ela precisava saber.
-Phe, na época em que tudo aconteceu ela tinha acabado de sair do castigo por ser presa, ainda estava tentando se recuperar da raiva que ela sentida daquele menino. Não era uma boa hora pra contar que a melhor amiga dela tinha side sequestrada e que o cara tava solto.
-Eu sei, mas porque a gente mentiu pra ela dizendo que a Tatz tinha passado mal, e que a Iara estava gripada. A gente devia ter dito a verdade, mesmo depois de tudo.
-Porque você tá se importando com isso agora bobinho?
Ela me beijou e fomos comer. Depois colocamos a Bia no banco de trás do carro para que a Lala pudesse ver melhor o ferimento.
-É, não parece uma boa ideia estragar tudo isso agora.
Comemos, rimos e concordamos em manter segredo sobre o incidente do começo do ano. Quando as meninas começaram a brincar de lutinha.
-Qual é Tatz, você é a mais fraca de todos nós. Só ganha porque tem essas unhas de Zé do caixão.
A Iara mostrou a lingua. E elas começaram a se empurrar até que a Tatz bateu no vidro e a Bia gritou, altamente e tão agudo que meus ouvidos doeram. Ajudamos ela a sair do carro, a Tatz sorriu, todos a saudaram felizes por ela estar viva.
-Pessoal, eu acho que seria melhor a gente ir.
Lala veio falar comigo.
-Você vai querer comer primeiro, deve estar muito fraca, perdeu bastante sangue.
-Eu não acho que tenhamos tempo para isso.
Assim que ela disse isso, um bando enorme de zumbis nos alcançou, correndo, espumando e sedentos por nosso sangue. Tentamos encaixar a Bia no banco de trás mas a cada tentativa era um grito dela e uma aproximação dos zumbis.
-Você vai ter que ir na caçamba. sinto muito.
-Que seja! Só tire a gente daqui.
Colocamos ela lá atrás com os amigos da Bia e entramos no carro. Eu tentei girar a chave, uma , duas , três vezes, a chave travou.
-Phe! Tira a gente daqui!
-A chave emperrou!
-Phe!
-Eu sei fazer ligação direta.
- O quê?!
O menino estranho falou pela primeira vez, em meio ao carro apertado eu troquei de lugar com ele, assim que o menino juntou os fios o carro pegou e aceleramos na estrada. Peguei a mão da Lala e adormecemos grande parte do caminho.
-Lala? A gente podia parar um pouco pra descansar assim você dava uma olhada na Bia e tudo. A gente já passou pelos túneis, eu preciso dela acordada desse ponto.
-Tudo bem, eu quero mesmo esticar as pernas.
Saímos do carro e montamos um pequeno acampamento, todos ao redor de uma fogueira, comendo e rindo. Talvez fosse a cena mais feliz que eu tenha visto nesses últimos meses.
* 3 meses antes do apocalipse zumbi *
-Ela ja chegou?
-Não ! Ela devia estar em casa faz uns 20 minutos.
- Calma Lala, ela deve ter se atrasado na escola.
-Ela não atende o celular. Onde ela deve estar?
Assim que a Dona Denise disse isso o telefone tocou. O senhor Beulke, pai das meninas, atendeu.
-Tudo bem.
Uma única resposta, algo estava errado.
-Ela foi sequestrada. Nossa filha foi sequestrada.
Ele estava em choque, tanto que a Lala foi buscar alguma coisa na cozinha. Pouco tempo depois ele nos explicou, o cara queria 1milhão e passar pelo firewall da maior empresa do mundo. Ele era louco. E então eu me lembrei, na escola, havia um amigo meu que tinha uma idéia um tanto louca. Ele queria se formar em ciência biológica, criar um antídoto para qualquer coisa e ficar muito rico. Ele não batia muito bem da cabeça, sempre todo retraído e estranho. Eu nunca o levei a sério até que ele foi preso por entrar no banco de dados da Medi-Com, ele ficou preso até mês passado eu acho.
Sexta passou muito devagar, Denise, o Beulke e a Lala ficavam aflitos, choravam e esperavam pela chegada da polícia. Depois que eles foram embora eu decidi ir também, não havia muito o que eu podia fazer se não lembrar das estranhas palavras de Jason, meu amigo do colégio.
"Eu tenho essa ideia Braga, eu vou ficar rico!" Essas palavras ficaram na minha mente até que eu caí no sono. No sábado, os policiais esperaram uma ligação que não veio. Finalmente no Domingo eu pude acompanhá-los até um galpão velho onde acharam ele. Jason Mueller. Ele havia sequestrado a Tatz e a Iara, louco por vingança, antes de fugir ele olhou para mim e disse :" Isso ainda não acabou Braga, eu vou revolucionar o mundo!" E então ele correu.
-Tudo bem?
A Lala me tirou dos pensamentos.
-Tudo sim, eu ainda não acredito que escondemos tudo da Bia, ela precisava saber.
-Phe, na época em que tudo aconteceu ela tinha acabado de sair do castigo por ser presa, ainda estava tentando se recuperar da raiva que ela sentida daquele menino. Não era uma boa hora pra contar que a melhor amiga dela tinha side sequestrada e que o cara tava solto.
-Eu sei, mas porque a gente mentiu pra ela dizendo que a Tatz tinha passado mal, e que a Iara estava gripada. A gente devia ter dito a verdade, mesmo depois de tudo.
-Porque você tá se importando com isso agora bobinho?
Ela me beijou e fomos comer. Depois colocamos a Bia no banco de trás do carro para que a Lala pudesse ver melhor o ferimento.
-É, não parece uma boa ideia estragar tudo isso agora.
Comemos, rimos e concordamos em manter segredo sobre o incidente do começo do ano. Quando as meninas começaram a brincar de lutinha.
-Qual é Tatz, você é a mais fraca de todos nós. Só ganha porque tem essas unhas de Zé do caixão.
A Iara mostrou a lingua. E elas começaram a se empurrar até que a Tatz bateu no vidro e a Bia gritou, altamente e tão agudo que meus ouvidos doeram. Ajudamos ela a sair do carro, a Tatz sorriu, todos a saudaram felizes por ela estar viva.
-Pessoal, eu acho que seria melhor a gente ir.
Lala veio falar comigo.
-Você vai querer comer primeiro, deve estar muito fraca, perdeu bastante sangue.
-Eu não acho que tenhamos tempo para isso.
Assim que ela disse isso, um bando enorme de zumbis nos alcançou, correndo, espumando e sedentos por nosso sangue. Tentamos encaixar a Bia no banco de trás mas a cada tentativa era um grito dela e uma aproximação dos zumbis.
-Você vai ter que ir na caçamba. sinto muito.
-Que seja! Só tire a gente daqui.
Colocamos ela lá atrás com os amigos da Bia e entramos no carro. Eu tentei girar a chave, uma , duas , três vezes, a chave travou.
-Phe! Tira a gente daqui!
-A chave emperrou!
-Phe!
-Eu sei fazer ligação direta.
- O quê?!
O menino estranho falou pela primeira vez, em meio ao carro apertado eu troquei de lugar com ele, assim que o menino juntou os fios o carro pegou e aceleramos na estrada. Peguei a mão da Lala e adormecemos grande parte do caminho.
sábado, 24 de março de 2012
Enquanto Eu Estiver Viva.
Eu acordei. Ainda era madrugada, o céu escuro já não possuía estrelas. O que aconteceu? Eu estava deitada no capô do carro, me levantei sem fazer barulho, peguei a arma que esteve do meu lado o tempo todo. Estava tudo ensombreado. Não estava escuro mas não estava totalmente claro. Eu não voltaria a dormir tão cedo, resolvi andar por aí. Em meio á carros desmontados, pessoas dormindo e um céu estranho estava eu, sozinha e com insônia. Eu estava andando, nem sei onde parei. Era uma porta de ferro, estava entreaberta. Claro que eu entrei.
-Droga.
Havia alguém la dentro, estava escuro.
-Oi?
A pessoa deu um pulo e derrubou algumas coisas que ecoaram no pequeno espaço.
-AI!
Eu abri a porta para que pudesse ao menos ver a sombra. Agora já estava mais claro, o Colírio estava ali com uma mochila e algumas latas.
-O que você tá fazendo?
Eu ri, ele parecia todo desajeitado e confuso.
-Eu não posso mais ficar aqui, eu sonhei com a minha irmã e percebi que fiz uma grande besteira deixando eles para trás. Eu tenho que voltar.
-Pera. Para tudo. Como assim? Mas eu achei que seus pais já tinham se tornado... O que você tá fazendo menino?
Ele suspirou.
-Eu os deixei Bia, eles estavam ocupados vendo o noticiário eu sai sem deixar nenhum bilhete. Eu não achei que ficaria tão sério assim. Eu preciso ir.
Eu segurei o braço dele.
-Você tá percebendo o que você tá fazendo? A gente sobreviveu á uma horda de zumbis em um supermercado, sobrevivemos á um ataque no meio da estrada, passamos por militares que queriam proteger essa área. Você vai acabar se matando, eu não posso deixar você fazer isso.
-Eu preciso voltar mocinha...
Ele estava realmente triste. Só me chamava de mocinha quando eu o chamava de mocinho, geralmente quando ele falava algo fora de nexo. Eu não podia deixá-lo ir. Não assim.
-Pega.
Dei a arma para ele, ele não sobreviveria sem ajuda.
-Tem um pente e meio de munição. Só usa quando for necessário. Pega também algum carro e vai seguindo as placas até a auto-estrada. Toma cuidado mocinho.
-Obrigado, Bia.
Ele me abraçou,e então saiu pela porta, estava procurando algum carro quando eu me sentei perto do portão. Havia um zumbi ali, ele estava sem braços e mancava muito, eu estava pensativa. O que faríamos? Aqui era um local seguro, não ficava muito longe do comércio mas estava bem localizado. Poderíamos ficar aqui então. Um carro sendo ligado. Colírio partiria logo e eu perderia mais um amigo.
-Abre o portão pra mim mocinha?
Ele sorriu. Eu não sorriria tão rápido assim.
-Tem certeza que sabe dirigir isso?
Ele escolheu um carro grande e espaçoso que mais parecia uma banheira. Não gosto de carros assim.
-Eu me viro.
Eu abri o portão, que fez um barulho muito alto. Em questão de segundos vários zumbis dispararam da pequena floresta á nossa frente, só podia ser brincadeira.
-Fecha o portão Bia!
-Não dá... Tá emperrado!
Ele desceu do carro e veio me ajudar, tarde demais. Eles estavam em um número muito maior do que o nosso, e só tínhamos duas armas, uma pessoa que sabia atirar e o Lucas. Eu gritei, gritei por que estava com medo de algo acontecer com eles, essa era a minha família. E eu tinha que protegê-la. Eles saíam correndo dos carros e das barracas, olhavam para nós e depois para os zumbis que se aproximavam mais e mais, corriam tentando achar um jeito de nos ajudar, as meninas vieram tentar empurrar o portão, mas era tarde. Eles haviam entrado. Haviam tiros, disparados pelo Phe e pelo Colírio, eles erravam e acertavam, Zumbis caíam e se levantavam. Eu puxei as meninas pelas mãos, corri com elas para os fundos, tentando alcançar os carros. Imagine esta cena em câmera lenta. Eu a via assim, tudo muito devagar do nosso lado e os zumbis correndo rápido demais. Gritos por toda parte, estávamos no Jipe. Ironicamente meu celular estava lá. Eu acelerei, passei por cima de ferramentas, bati em carros e atravessei o pátio no que pareceram anos. Acertei alguns zumbis e bloqueei a passagem do resto.
-Tentem achar outra saída daqui, eu vou ajudá-los.
Corri de volta para meus amigos, ou o resto deles, quando passei pelo Colírio ele me deu a arma. Eu parei.
-O que houve?
-Ajuda eles, eu sou horrível com isso.
Eu recarreguei, não seria capaz de atirar. Eu não tenho mira nenhuma. Eu corri, havia alguns zumbis aglomerados na mesma porta de ferro que o Colírio arrumava as suas coisas. Eu estava perto. perto o bastante para atirar sem errar. Um, dois,três no chão. Esse caíram e eu tinha certeza que não se levantariam mais. Abri a porta e encontrei o Vinny lá dentro, ele estava com cara de pânico e totalmente aterrorizado.
-Pegaram eles. Os desgraçados pegaram eles.
-Calma.
Eu coloquei a mão no seu braço e ele olhou para mim.
-Vamos fugir daqui Bia, eu e você. Estamos dominados não tem como escapar daqui. Á não ser por aquela porta.
Ele apontou para uma pequena e frágil porta de madeira.
-Não, eu não posso deixá-los assim, eu não sou como você.
Ele ficou nervoso.
-Eu errei uma vez Bia! Uma única vez! Você vai me culpar até quando?
-Eu não sei tá legal! Eu fui presa! Se estivéssemos num mundo normal eu nunca iria entrar numa faculdade descente ou num trabalho legal. Você errou, e o seu erro acabaria com a minha vida.
-Não estamos mais num mundo normal.
Ele pegou meu braço e começou a me levar em direção á porta.
-Me larga!
Eu peguei a arma, não era minha intenção atirar nele. Mas foi o caso, a bala acertou seu joelho e ele caiu. Ele gritou, mas parecia não desistir, ele ainda queria me arrastar com ele.
-Eu não vou com você.
-Me dá outra chance Bia.
As lágrimas começaram a cair quando eu olhei para o seu braço, havia uma mordida. Ele percebeu que eu o olhava.
-Isso não significa nada, eu ainda sou eu mesmo.
-Não por muito tempo.
Atirei nele. Não pense que foi á sangue frio. Eu matei o único menino que já amei. Eu o matei enquanto as lágrimas caíam e minhas mãos tremiam. Eu o matei mas não pensei que foi fácil, eu estava pensando no que seria depois. Eu não tinha escolha. Larguei a arma e caí de joelhos chorando ao lado do corpo. Alguém entrou e me puxou, era a Pammy. Ela me ajudou a levantar enquanto eu me recompunha.
-Eles precisam de você.
Ela repetia isso várias vezes enquanto eu olhava para o corpo inerte do garoto que eu acabara de matar. Ela o olhou, viu o sangue, a mordida e a bala.
-Você fez o que precisava, vamos. Eles querem falar com você.
Saindo da salinha eu me deparei com sangue. Muito sangue. No chão, nos carros. Em todo o lugar. Havia corpos também. Zumbis e os amigos do Vinny estavam largados no chão. Era uma cena deprimente de se ver. felizmente, no meu grupo, todos estavam vivos.
-Olha ela aí!
A Tatz veio do meu lado.
-Achei que você tinha sido mordida, que aconteceu?
-Longa história.
Eu sequei as lágrimas e olhei para o pessoal. Anne, Milly, Jamille, Iara,Lala, Pammy, Tatz, Colírio, Gabe, Phe e Lucas. Faltava alguém. Milly estava chorando e então eu vi o corpo do namorado dela, três balas e uma mordida. Isso não ia mais acontecer.
-Vamos sair agora daqui.
Eles entraram nos carros, alguns ainda pararam para recolher as coisas e voltar rapidamente. Partiríamos hoje. Eu estava no banco de trás do Jipe, sozinha. Não prestei atenção para ver quem dirigia, eu estava fazendo uma promessa. Ninguém mais iria morrer enquanto eu estiver viva.
-Droga.
Havia alguém la dentro, estava escuro.
-Oi?
A pessoa deu um pulo e derrubou algumas coisas que ecoaram no pequeno espaço.
-AI!
Eu abri a porta para que pudesse ao menos ver a sombra. Agora já estava mais claro, o Colírio estava ali com uma mochila e algumas latas.
-O que você tá fazendo?
Eu ri, ele parecia todo desajeitado e confuso.
-Eu não posso mais ficar aqui, eu sonhei com a minha irmã e percebi que fiz uma grande besteira deixando eles para trás. Eu tenho que voltar.
-Pera. Para tudo. Como assim? Mas eu achei que seus pais já tinham se tornado... O que você tá fazendo menino?
Ele suspirou.
-Eu os deixei Bia, eles estavam ocupados vendo o noticiário eu sai sem deixar nenhum bilhete. Eu não achei que ficaria tão sério assim. Eu preciso ir.
Eu segurei o braço dele.
-Você tá percebendo o que você tá fazendo? A gente sobreviveu á uma horda de zumbis em um supermercado, sobrevivemos á um ataque no meio da estrada, passamos por militares que queriam proteger essa área. Você vai acabar se matando, eu não posso deixar você fazer isso.
-Eu preciso voltar mocinha...
Ele estava realmente triste. Só me chamava de mocinha quando eu o chamava de mocinho, geralmente quando ele falava algo fora de nexo. Eu não podia deixá-lo ir. Não assim.
-Pega.
Dei a arma para ele, ele não sobreviveria sem ajuda.
-Tem um pente e meio de munição. Só usa quando for necessário. Pega também algum carro e vai seguindo as placas até a auto-estrada. Toma cuidado mocinho.
-Obrigado, Bia.
Ele me abraçou,e então saiu pela porta, estava procurando algum carro quando eu me sentei perto do portão. Havia um zumbi ali, ele estava sem braços e mancava muito, eu estava pensativa. O que faríamos? Aqui era um local seguro, não ficava muito longe do comércio mas estava bem localizado. Poderíamos ficar aqui então. Um carro sendo ligado. Colírio partiria logo e eu perderia mais um amigo.
-Abre o portão pra mim mocinha?
Ele sorriu. Eu não sorriria tão rápido assim.
-Tem certeza que sabe dirigir isso?
Ele escolheu um carro grande e espaçoso que mais parecia uma banheira. Não gosto de carros assim.
-Eu me viro.
Eu abri o portão, que fez um barulho muito alto. Em questão de segundos vários zumbis dispararam da pequena floresta á nossa frente, só podia ser brincadeira.
-Fecha o portão Bia!
-Não dá... Tá emperrado!
Ele desceu do carro e veio me ajudar, tarde demais. Eles estavam em um número muito maior do que o nosso, e só tínhamos duas armas, uma pessoa que sabia atirar e o Lucas. Eu gritei, gritei por que estava com medo de algo acontecer com eles, essa era a minha família. E eu tinha que protegê-la. Eles saíam correndo dos carros e das barracas, olhavam para nós e depois para os zumbis que se aproximavam mais e mais, corriam tentando achar um jeito de nos ajudar, as meninas vieram tentar empurrar o portão, mas era tarde. Eles haviam entrado. Haviam tiros, disparados pelo Phe e pelo Colírio, eles erravam e acertavam, Zumbis caíam e se levantavam. Eu puxei as meninas pelas mãos, corri com elas para os fundos, tentando alcançar os carros. Imagine esta cena em câmera lenta. Eu a via assim, tudo muito devagar do nosso lado e os zumbis correndo rápido demais. Gritos por toda parte, estávamos no Jipe. Ironicamente meu celular estava lá. Eu acelerei, passei por cima de ferramentas, bati em carros e atravessei o pátio no que pareceram anos. Acertei alguns zumbis e bloqueei a passagem do resto.
-Tentem achar outra saída daqui, eu vou ajudá-los.
Corri de volta para meus amigos, ou o resto deles, quando passei pelo Colírio ele me deu a arma. Eu parei.
-O que houve?
-Ajuda eles, eu sou horrível com isso.
Eu recarreguei, não seria capaz de atirar. Eu não tenho mira nenhuma. Eu corri, havia alguns zumbis aglomerados na mesma porta de ferro que o Colírio arrumava as suas coisas. Eu estava perto. perto o bastante para atirar sem errar. Um, dois,três no chão. Esse caíram e eu tinha certeza que não se levantariam mais. Abri a porta e encontrei o Vinny lá dentro, ele estava com cara de pânico e totalmente aterrorizado.
-Pegaram eles. Os desgraçados pegaram eles.
-Calma.
Eu coloquei a mão no seu braço e ele olhou para mim.
-Vamos fugir daqui Bia, eu e você. Estamos dominados não tem como escapar daqui. Á não ser por aquela porta.
Ele apontou para uma pequena e frágil porta de madeira.
-Não, eu não posso deixá-los assim, eu não sou como você.
Ele ficou nervoso.
-Eu errei uma vez Bia! Uma única vez! Você vai me culpar até quando?
-Eu não sei tá legal! Eu fui presa! Se estivéssemos num mundo normal eu nunca iria entrar numa faculdade descente ou num trabalho legal. Você errou, e o seu erro acabaria com a minha vida.
-Não estamos mais num mundo normal.
Ele pegou meu braço e começou a me levar em direção á porta.
-Me larga!
Eu peguei a arma, não era minha intenção atirar nele. Mas foi o caso, a bala acertou seu joelho e ele caiu. Ele gritou, mas parecia não desistir, ele ainda queria me arrastar com ele.
-Eu não vou com você.
-Me dá outra chance Bia.
As lágrimas começaram a cair quando eu olhei para o seu braço, havia uma mordida. Ele percebeu que eu o olhava.
-Isso não significa nada, eu ainda sou eu mesmo.
-Não por muito tempo.
Atirei nele. Não pense que foi á sangue frio. Eu matei o único menino que já amei. Eu o matei enquanto as lágrimas caíam e minhas mãos tremiam. Eu o matei mas não pensei que foi fácil, eu estava pensando no que seria depois. Eu não tinha escolha. Larguei a arma e caí de joelhos chorando ao lado do corpo. Alguém entrou e me puxou, era a Pammy. Ela me ajudou a levantar enquanto eu me recompunha.
-Eles precisam de você.
Ela repetia isso várias vezes enquanto eu olhava para o corpo inerte do garoto que eu acabara de matar. Ela o olhou, viu o sangue, a mordida e a bala.
-Você fez o que precisava, vamos. Eles querem falar com você.
Saindo da salinha eu me deparei com sangue. Muito sangue. No chão, nos carros. Em todo o lugar. Havia corpos também. Zumbis e os amigos do Vinny estavam largados no chão. Era uma cena deprimente de se ver. felizmente, no meu grupo, todos estavam vivos.
-Olha ela aí!
A Tatz veio do meu lado.
-Achei que você tinha sido mordida, que aconteceu?
-Longa história.
Eu sequei as lágrimas e olhei para o pessoal. Anne, Milly, Jamille, Iara,Lala, Pammy, Tatz, Colírio, Gabe, Phe e Lucas. Faltava alguém. Milly estava chorando e então eu vi o corpo do namorado dela, três balas e uma mordida. Isso não ia mais acontecer.
-Vamos sair agora daqui.
Eles entraram nos carros, alguns ainda pararam para recolher as coisas e voltar rapidamente. Partiríamos hoje. Eu estava no banco de trás do Jipe, sozinha. Não prestei atenção para ver quem dirigia, eu estava fazendo uma promessa. Ninguém mais iria morrer enquanto eu estiver viva.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Um ultimo encontro Parte II
-Eu te conheci antes de tudo isso, foi assim que eu soube.
Sabe quando você dá de cara com uma porta de vidro? Foi o que eu senti.
-Como assim. Ele não estava não estava inseguro, travando ou com dificuldade de explicar como ele me conhecia. Não tinha lugar algum que eu poderia ter conhecido o Lucas.
Ele me encarava.
-Me explica, por favor. Eu realmente não lembro.
Ele suspirou.
-Eu imaginei que você diria isso. Você se mudou para um apartamento na Pitangueiras, ou sua avó. Sei lá. Eu tinha um apartamento lá também, eu vía você com os meninos, mas nunca tive chance de falar com você até que...
-O dia em que jogamos verdade ou desafio. Minha voz era um sussurro, não podia ser o mesmo menino.
Então eu me lembrei.
Faltava uma semana para o ano novo, eu estava jogando cartas com a galera do condomínio.
-Truco!
-Não é justo, eu não sei como esse jogo funciona.
Eu não sabia mesmo como jogar essa porcaria de jogo.
-Por que não jogamos 21?
Milena era a minha amiga do condomínio, mas nada me faria esquecer o velho prédio. Ele estava com as minhas lembranças, a minha infância. Minha vó mudou para cá porque estava com medo da criminalidade na Enseada, só que ela acha que um morrinho vai separar tudo isso.
-Por que vocês jogam então? Vão brincar de fofocar, sei lá.
Victor era o metido do prédio, morava aqui desde os 8 anos e achava que mandava em tudo.
-O baralho é meu seu mané. Vocês só jogam se eu quiser.
Eu mostrei a lingua para ele. Ele bufou.
-Só porque minha mãe não gosta que eu desça as coisas de casa.
E olhei para o céu, como de costume todo estrelado. Essa era a minha ilha, o meu paraíso.
-Vou beber água. Sem olhar minhas cartas em!
Eu me levantei, o bebedouro não era tão longe, mas ficava num canto escuro. Era sinistro, se a noite não estivesse tão bonita eu poderia contar as antigas lendas do meu velho condô. Eu ouvi passos, não que eu estivesse assustada, desde que pisei aqui os meninos tentam me assustar.
-Saiba que isso não vai funcionar meninos, eu sei todas as regras de terror que vocês nunca vão decorar.
Os passos continuavam vindo mais perto.
-Já sei, vocês tem alguma lanterna aí?
Eu estava rindo. Era patético.
-Oi?
A voz era estranha, rouca. Como se não fosse usada a pouco tempo.
-Quem tá aí?
Não que eu estivesse assustada mas não era ninguém que eu conhecesse então era meio estranho.
O menino chegou mais perto, estava a alguns centímetros de mim.
-Nossa como você tá aguentando com esse moletom?
Ele riu.
-To acostumado.
Eu estava de shorts e uma regata, estava quase pulando na piscina de tanto calor e o menino estava de calça jeans e moletom com o capuz sobre o rosto. Ele era estranho.
-Bia!
Gritaram meu nome e Milena estava lá com os meninos. Pedro, Matheus e Gabriel desceram também.
-Vamos jogar Verdade ou Desafio? Eles que deram a idéia. Ah! Oi Estranho.
Ela zombava do menino á minha frente, sem ao menos conhecê-lo.
-Vamos?
-Tá.
Eu olhei par ao menino.
-Quer vir?
Ele se assustou, deu um passo para trás. Milena puxou meu braço e sussurrou no meu ouvido.
-Cara, esse menino é muito estranho, nunca disse uma única palavra toda vez que vem pra cá. Você não vai convidar ele, vai?
-Vou sim.
Eu andei até o menino e o puxei pela mão, ele estava frio. Estranho.
-Bom, já sabem né? Quem não aceitar o desafio vai cumprir algo bem pior.
O jogo continuou até todo mundo cansar e subir. Eu fiquei com o menino estranho até o silêncio tomar conta de tudo.
-Eu te desafio a me contar um plano maluco seu.
Eu sorri e contei para ele sobre meu plano sobre o apocalipse zumbi, ele riu.
-Isso sim é maluco.
Ele me encarou por alguns minutos, o rosto dele estava escuro pela sombra
do capuz.
-TIRA esse capuz menino!
-Não.
Ele riu. Eu estava prestes a arrancar aquele negócio da cabeça dele quando eu ouço um Bia estridente.
-SOBE AGORA!
-Desculpa.
Eu disse para o menino e sai correndo antes que minha mãe me matasse.
Eu nunca mais vi aquele menino. E agora o reencontrei.
-Tudo bem?
O Lucas pegou a minha mão.
-Você é aquele menino, o do condomínio. Porque você não me falou antes?
Ele colocou a mão na cabeça.
-Eu não sabia se você ia lembrar de mim.
Ele deu um riso tímido tão fofo.
Eu ouvi um barulho.
-Eu tenho que ir.
Ele pegou minha mão.
-Eu te vejo amanhã.
Quando eu saí o Vinicius estava olhando a cena lá dentro. Foi estranho, mas eu não me senti mal.
Eu deitei no capô do carro, estava cansada demais para procurar o meu celular, cansada demais para dar atenção para o Vinicius e cansada demais para tentar lembrar outra ocasião onde eu tenha visto o Lucas. Eu estava cansada. E eu adormeci com o céu estrelado do meu paraíso e com tantas coisas na cabeça que eu tenho preguiça até de contar.
Sabe quando você dá de cara com uma porta de vidro? Foi o que eu senti.
-Como assim. Ele não estava não estava inseguro, travando ou com dificuldade de explicar como ele me conhecia. Não tinha lugar algum que eu poderia ter conhecido o Lucas.
Ele me encarava.
-Me explica, por favor. Eu realmente não lembro.
Ele suspirou.
-Eu imaginei que você diria isso. Você se mudou para um apartamento na Pitangueiras, ou sua avó. Sei lá. Eu tinha um apartamento lá também, eu vía você com os meninos, mas nunca tive chance de falar com você até que...
-O dia em que jogamos verdade ou desafio. Minha voz era um sussurro, não podia ser o mesmo menino.
Então eu me lembrei.
Faltava uma semana para o ano novo, eu estava jogando cartas com a galera do condomínio.
-Truco!
-Não é justo, eu não sei como esse jogo funciona.
Eu não sabia mesmo como jogar essa porcaria de jogo.
-Por que não jogamos 21?
Milena era a minha amiga do condomínio, mas nada me faria esquecer o velho prédio. Ele estava com as minhas lembranças, a minha infância. Minha vó mudou para cá porque estava com medo da criminalidade na Enseada, só que ela acha que um morrinho vai separar tudo isso.
-Por que vocês jogam então? Vão brincar de fofocar, sei lá.
Victor era o metido do prédio, morava aqui desde os 8 anos e achava que mandava em tudo.
-O baralho é meu seu mané. Vocês só jogam se eu quiser.
Eu mostrei a lingua para ele. Ele bufou.
-Só porque minha mãe não gosta que eu desça as coisas de casa.
E olhei para o céu, como de costume todo estrelado. Essa era a minha ilha, o meu paraíso.
-Vou beber água. Sem olhar minhas cartas em!
Eu me levantei, o bebedouro não era tão longe, mas ficava num canto escuro. Era sinistro, se a noite não estivesse tão bonita eu poderia contar as antigas lendas do meu velho condô. Eu ouvi passos, não que eu estivesse assustada, desde que pisei aqui os meninos tentam me assustar.
-Saiba que isso não vai funcionar meninos, eu sei todas as regras de terror que vocês nunca vão decorar.
Os passos continuavam vindo mais perto.
-Já sei, vocês tem alguma lanterna aí?
Eu estava rindo. Era patético.
-Oi?
A voz era estranha, rouca. Como se não fosse usada a pouco tempo.
-Quem tá aí?
Não que eu estivesse assustada mas não era ninguém que eu conhecesse então era meio estranho.
O menino chegou mais perto, estava a alguns centímetros de mim.
-Nossa como você tá aguentando com esse moletom?
Ele riu.
-To acostumado.
Eu estava de shorts e uma regata, estava quase pulando na piscina de tanto calor e o menino estava de calça jeans e moletom com o capuz sobre o rosto. Ele era estranho.
-Bia!
Gritaram meu nome e Milena estava lá com os meninos. Pedro, Matheus e Gabriel desceram também.
-Vamos jogar Verdade ou Desafio? Eles que deram a idéia. Ah! Oi Estranho.
Ela zombava do menino á minha frente, sem ao menos conhecê-lo.
-Vamos?
-Tá.
Eu olhei par ao menino.
-Quer vir?
Ele se assustou, deu um passo para trás. Milena puxou meu braço e sussurrou no meu ouvido.
-Cara, esse menino é muito estranho, nunca disse uma única palavra toda vez que vem pra cá. Você não vai convidar ele, vai?
-Vou sim.
Eu andei até o menino e o puxei pela mão, ele estava frio. Estranho.
-Bom, já sabem né? Quem não aceitar o desafio vai cumprir algo bem pior.
O jogo continuou até todo mundo cansar e subir. Eu fiquei com o menino estranho até o silêncio tomar conta de tudo.
-Eu te desafio a me contar um plano maluco seu.
Eu sorri e contei para ele sobre meu plano sobre o apocalipse zumbi, ele riu.
-Isso sim é maluco.
Ele me encarou por alguns minutos, o rosto dele estava escuro pela sombra
do capuz.
-TIRA esse capuz menino!
-Não.
Ele riu. Eu estava prestes a arrancar aquele negócio da cabeça dele quando eu ouço um Bia estridente.
-SOBE AGORA!
-Desculpa.
Eu disse para o menino e sai correndo antes que minha mãe me matasse.
Eu nunca mais vi aquele menino. E agora o reencontrei.
-Tudo bem?
O Lucas pegou a minha mão.
-Você é aquele menino, o do condomínio. Porque você não me falou antes?
Ele colocou a mão na cabeça.
-Eu não sabia se você ia lembrar de mim.
Ele deu um riso tímido tão fofo.
Eu ouvi um barulho.
-Eu tenho que ir.
Ele pegou minha mão.
-Eu te vejo amanhã.
Quando eu saí o Vinicius estava olhando a cena lá dentro. Foi estranho, mas eu não me senti mal.
Eu deitei no capô do carro, estava cansada demais para procurar o meu celular, cansada demais para dar atenção para o Vinicius e cansada demais para tentar lembrar outra ocasião onde eu tenha visto o Lucas. Eu estava cansada. E eu adormeci com o céu estrelado do meu paraíso e com tantas coisas na cabeça que eu tenho preguiça até de contar.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Um último encontro.
Já era noite. Não estava escuro, estranho. Vai ver tinha estrelas. Não. O céu estava claro e era noite, mas havia algo mais. Talvez seja uma aurora. Talvez signifique que o nosso paraíso está perto.Eu vi algo, mas o que era? Eu não me lembro, era apenas uma sombra. Alguém mexeu em mim e eu acordei. Não me lembro de ter dormido.
-Bia?
A Talita estava me cutucando na perna. Eu estava no Jipe. Quando foi que eu entrei no Jipe?
-Oi?
-Eles querem saber se você vai querer dormir em algum dos carros ou nas barracas que trouxemos, pediram pra eu te acordar.
-Tatz?
-Eu.
-Como eu vim parar no carro.
-Bom, depois que você saiu da oficina você comeu metade de um pacote de bolachas e disse que não tava se sentindo bem. Veio pro Jipe e dormiu.
-Tá, eu perdi algo.
Ela olhou para o lado.
-Me diz.
-Sabe "o" menino?
-Infelizmente sim.
Quando dizíamos "o" menino queríamos dizer o Vinicius.
-Ele tá lá fora, disse que não vai sair até falar com você.
-Tem grades em volta da loja, e um portão de ferro super gigante. Como ele entrou?
-É que a gente tinha deixado os portões abertos para ver se os carros estavam funcionando. Quando eles voltaram a gente esqueceu dos portões, daí duas horas depois eles chegaram com três carros perguntando por você, estão de greve até agora lá.
Ai Deus, o que e vou fazer, se eles ficarem tem uma grande chance de algum deles apanhar ou por mim, pela Jamille ou pela Anne. Se eu mandá-los embora eles podem morrer, ou pior, nos seguir.
-Eu preciso de um tempo pra pensar, não diz nada pra ele, para o pessoal diga que eu to bem aqui no carro, eles podem se ajeitar lá.
-Tudo bem.
Ela saiu, e eu fiquei sozinha. Dei uma olhada no Jipe, estava muito bom. As grades estavam em todas as janelas, haviam pedaços afiados de ferro nas laterais. Um verdadeiro carro de apocalipse, acho que os outros ficaram tão bons quanto esse. Tá. Eu tenho uma difícil decisão pra tomar. Eu fiquei ali, brisando, lembrando e me matando com medo de fazer algo errado. Depois de algum tempo, eu já estava entediada, mas esperava que ele também estivesse. Eu não pedi para ele voltar, eu não pedi para que ele falasse comigo, não depois do dia em que eu fui presa. Então ele que esperasse, mas eu estava exausta e queria que esse teatro acabasse logo.
Assim que eu apareci, ele se endireitou rapidamente. O pessoal cochichava e olhava para mim, provavelmente se perguntando sobre a minha decisão. Vinicius ia caminhar na minha direção mas eu apontei para ele e em seguida para um ponto distante onde ninguém poderia nos ouvir. Eu não estava pronta para enfrentá-lo, eu nunca estive. Seria mais difícil agora que eu tinha nossas vidas em mãos.
-Eu só queria falar que senti...
Eu o interrompi.
-Antes que você fale algo que não vai se lembrar daqui á duas horas, eu quero que saiba que demorou muito para eu me decidir, eu levei em conta coisas que eu desejei ter esquecido e você tem que agradecer por eu ter um bom coração.
Um pequena pausa, meu coração está acelerado. Ele sustenta o meu olhar e eu o desvio olhando para o céu. Por que diabos eu tinha que ser tão fraca quando tenho que ser forte?
-Você vai ficar aqui, só por essa noite. Eu não quero você e seus amigos perto da Anne ou da Jamille nem de nenhuma outra pessoa.
-Eu preciso falar com você.
-Você tem cinco minutos.
-Porque você tá assim? Depois daquele dia eu não pude mais falar com você, minha mãe descobriu sobre a festa, tirou tudo o que eu usava para me comunicar. Eu fiquei de castigo todo o tempo que não falei com você, eu senti sua falta. De verdade. Mas quando eu saí do castigo você não respondia as mensagens, nem me atendia e eu não te encontrava on line em nenhum lugar. Quando essa loucura começou eu pensei tanto em você, lembrei que você disse uma vez que seu plano era ir pra cá. Eu estava em Santos no campeonato de kart e lembrei de você, a corrida inteira. Eu te procurei na casa da sua avó e não te achei, daí entramos no mercado e eu te encontrei. Eu fiquei muito feliz em te ver, mas você estava tão fria e parecia nem se lembrar de mim. Eu queria te explicar. Então eu segui você e os seus amigos.
Porque meu Deus! Porque diabos ele tem que sentir minha falta quando eu estou tão bem, porque eu não consigo esquecer de uma vez o meu passado?
-Eu... Porque você... Mas...
Eu não achava palavras, não achava a minha voz eu não achava nada. Eu estava perdida. Estava sendo atacada por várias lembranças, as lágrimas começaram a cair.
-Eu não vou estar aqui o tempo todo. Você sabe disso, eu não vou poder esperar você sentir minha falta pra sentir muito. Eu sinto muito. Sinto por ter ficado meses sem notícias suas e ainda cair na mesma conversa.
E então antes que eu desabasse ainda mais eu disse as últimas palavras que significariam algo.
-Você pode ficar aqui esta noite, mas eu e você, acabamos aqui.
E então eu saí. Andei sem olhar para trás. Ele ficou lá, eu acho. Alguns passos depois eu estava quase inteira. O pessoal estava sentado, alguns estirados no chão entre carros, pessoas e comidas.
-Tudo bem?
A Tatz estava em pé, como sempre a do contra.
-Tô legal, já viram onde vocês vão se arrumar?
-Eu queria dormir no Jipe.
Ela fez beicinho.
-Você sabe que isso não funciona comigo, mas eu to afim de ver as estrelas então é todo seu.
Ela deu pulinhos e foi pegar um travesseiro. Eu estava sozinha. Não completamente porquê haviam pessoas perto de mim, e eu não ousei olhar para trás mesmo sabendo que certo alguém estaria ali. Mas eu estava sozinha porque ninguém entenderia, e ninguém iria saber o que estava acontecendo dentro de mim. Que horas são? Esse pensamento aleatório me fez procurar nos bolsos do meu shorts para encontrar meu celular. não estava ali. Talvez no Jipe? Eu andei até a oficina e encontrei a Tatz se ajeitando no banco traseiro.
-Seria bem mais fácil se você deitasse os bancos da frente...
-Eu to legal aqui.
-Ei, você viu meu celular aí?
Ela olhou nos bancos.
-Não, talvez esteja na Hilux ou na bancada da oficina.
-Tá, boa noite Tatz.
-Boa noite Bia.
Eu olhei na bancada e não havia nada com botões e cor de rosa. Só ferrugem e ferramentas. Talvez esteja na Hilux... Eu estava quase saindo da oficina quando algo puxou meu braço direito.
-Deus do céu!
-Desculpa.
Lucas estava com a mão no meu braço, ele estava com um olhar sério.
-Você não se cansa de aparecer desse jeito?
Ele sorriu.
-Desculpa.
-Não foi nada. Aconteceu alguma coisa?
Ele olhou para a mão que segurava meu pulso e depois o soltou.
-Eu queria saber.... Eu queria saber quem é o menino de preto lá fora.
Eu sabia que uma hora ele ia perguntar. Eu respirei fundo. Mas foi bom ele ter perguntado, assim eu lembrei de todas as perguntas duvidosas que eu não fiz.
-Você lembra que eu te contei que eu fui presa?
Ele assentiu.
-Então, eu omiti uma pequena parte da história. Eu na verdade fui presa por culpa do menino de preto.
Ele continuou me olhando, esperando a continuação.
-Bom, eu estava com eles e eles estavam bebendo, fumando e dirigindo. A polícia chegou, todo mundo correu e ele ia pular o muro quando eu me dei conta que poderia sobrar para mim. Só que três dias antes eu me machuquei jogando futebol e por isso não podia pular nada. Então ao invés de me ajudar ele me soltou e eu caí. A polícia me pegou e eu fui presa por não denunciar nada.
-Uau.
-Pois é.
Alguns minutos em silêncio. Como eu perguntaria isso?
-Lucas?
Ele me olhou.
-Como você sabia o caminho para a praia?
-Como assim?
-Ontem, quando você dirigiu até a praia da Enseada. Como você sabia ao caminho até o Guarujá? Como você chegou na Enseada? Como você conhece tão bem a região e o mais importante, como você sabe o nome da praia que estamos indo se ninguém sabe além de mim?
Ele ficou quieto por alguns instantes. Eu achei que ele não iria me responder, mas o que ele disse me surpreendeu mais ainda.
-Eu te conheci antes de tudo isso, foi assim que eu soube.
-Bia?
A Talita estava me cutucando na perna. Eu estava no Jipe. Quando foi que eu entrei no Jipe?
-Oi?
-Eles querem saber se você vai querer dormir em algum dos carros ou nas barracas que trouxemos, pediram pra eu te acordar.
-Tatz?
-Eu.
-Como eu vim parar no carro.
-Bom, depois que você saiu da oficina você comeu metade de um pacote de bolachas e disse que não tava se sentindo bem. Veio pro Jipe e dormiu.
-Tá, eu perdi algo.
Ela olhou para o lado.
-Me diz.
-Sabe "o" menino?
-Infelizmente sim.
Quando dizíamos "o" menino queríamos dizer o Vinicius.
-Ele tá lá fora, disse que não vai sair até falar com você.
-Tem grades em volta da loja, e um portão de ferro super gigante. Como ele entrou?
-É que a gente tinha deixado os portões abertos para ver se os carros estavam funcionando. Quando eles voltaram a gente esqueceu dos portões, daí duas horas depois eles chegaram com três carros perguntando por você, estão de greve até agora lá.
Ai Deus, o que e vou fazer, se eles ficarem tem uma grande chance de algum deles apanhar ou por mim, pela Jamille ou pela Anne. Se eu mandá-los embora eles podem morrer, ou pior, nos seguir.
-Eu preciso de um tempo pra pensar, não diz nada pra ele, para o pessoal diga que eu to bem aqui no carro, eles podem se ajeitar lá.
-Tudo bem.
Ela saiu, e eu fiquei sozinha. Dei uma olhada no Jipe, estava muito bom. As grades estavam em todas as janelas, haviam pedaços afiados de ferro nas laterais. Um verdadeiro carro de apocalipse, acho que os outros ficaram tão bons quanto esse. Tá. Eu tenho uma difícil decisão pra tomar. Eu fiquei ali, brisando, lembrando e me matando com medo de fazer algo errado. Depois de algum tempo, eu já estava entediada, mas esperava que ele também estivesse. Eu não pedi para ele voltar, eu não pedi para que ele falasse comigo, não depois do dia em que eu fui presa. Então ele que esperasse, mas eu estava exausta e queria que esse teatro acabasse logo.
Assim que eu apareci, ele se endireitou rapidamente. O pessoal cochichava e olhava para mim, provavelmente se perguntando sobre a minha decisão. Vinicius ia caminhar na minha direção mas eu apontei para ele e em seguida para um ponto distante onde ninguém poderia nos ouvir. Eu não estava pronta para enfrentá-lo, eu nunca estive. Seria mais difícil agora que eu tinha nossas vidas em mãos.
-Eu só queria falar que senti...
Eu o interrompi.
-Antes que você fale algo que não vai se lembrar daqui á duas horas, eu quero que saiba que demorou muito para eu me decidir, eu levei em conta coisas que eu desejei ter esquecido e você tem que agradecer por eu ter um bom coração.
Um pequena pausa, meu coração está acelerado. Ele sustenta o meu olhar e eu o desvio olhando para o céu. Por que diabos eu tinha que ser tão fraca quando tenho que ser forte?
-Você vai ficar aqui, só por essa noite. Eu não quero você e seus amigos perto da Anne ou da Jamille nem de nenhuma outra pessoa.
-Eu preciso falar com você.
-Você tem cinco minutos.
-Porque você tá assim? Depois daquele dia eu não pude mais falar com você, minha mãe descobriu sobre a festa, tirou tudo o que eu usava para me comunicar. Eu fiquei de castigo todo o tempo que não falei com você, eu senti sua falta. De verdade. Mas quando eu saí do castigo você não respondia as mensagens, nem me atendia e eu não te encontrava on line em nenhum lugar. Quando essa loucura começou eu pensei tanto em você, lembrei que você disse uma vez que seu plano era ir pra cá. Eu estava em Santos no campeonato de kart e lembrei de você, a corrida inteira. Eu te procurei na casa da sua avó e não te achei, daí entramos no mercado e eu te encontrei. Eu fiquei muito feliz em te ver, mas você estava tão fria e parecia nem se lembrar de mim. Eu queria te explicar. Então eu segui você e os seus amigos.
Porque meu Deus! Porque diabos ele tem que sentir minha falta quando eu estou tão bem, porque eu não consigo esquecer de uma vez o meu passado?
-Eu... Porque você... Mas...
Eu não achava palavras, não achava a minha voz eu não achava nada. Eu estava perdida. Estava sendo atacada por várias lembranças, as lágrimas começaram a cair.
-Eu não vou estar aqui o tempo todo. Você sabe disso, eu não vou poder esperar você sentir minha falta pra sentir muito. Eu sinto muito. Sinto por ter ficado meses sem notícias suas e ainda cair na mesma conversa.
E então antes que eu desabasse ainda mais eu disse as últimas palavras que significariam algo.
-Você pode ficar aqui esta noite, mas eu e você, acabamos aqui.
E então eu saí. Andei sem olhar para trás. Ele ficou lá, eu acho. Alguns passos depois eu estava quase inteira. O pessoal estava sentado, alguns estirados no chão entre carros, pessoas e comidas.
-Tudo bem?
A Tatz estava em pé, como sempre a do contra.
-Tô legal, já viram onde vocês vão se arrumar?
-Eu queria dormir no Jipe.
Ela fez beicinho.
-Você sabe que isso não funciona comigo, mas eu to afim de ver as estrelas então é todo seu.
Ela deu pulinhos e foi pegar um travesseiro. Eu estava sozinha. Não completamente porquê haviam pessoas perto de mim, e eu não ousei olhar para trás mesmo sabendo que certo alguém estaria ali. Mas eu estava sozinha porque ninguém entenderia, e ninguém iria saber o que estava acontecendo dentro de mim. Que horas são? Esse pensamento aleatório me fez procurar nos bolsos do meu shorts para encontrar meu celular. não estava ali. Talvez no Jipe? Eu andei até a oficina e encontrei a Tatz se ajeitando no banco traseiro.
-Seria bem mais fácil se você deitasse os bancos da frente...
-Eu to legal aqui.
-Ei, você viu meu celular aí?
Ela olhou nos bancos.
-Não, talvez esteja na Hilux ou na bancada da oficina.
-Tá, boa noite Tatz.
-Boa noite Bia.
Eu olhei na bancada e não havia nada com botões e cor de rosa. Só ferrugem e ferramentas. Talvez esteja na Hilux... Eu estava quase saindo da oficina quando algo puxou meu braço direito.
-Deus do céu!
-Desculpa.
Lucas estava com a mão no meu braço, ele estava com um olhar sério.
-Você não se cansa de aparecer desse jeito?
Ele sorriu.
-Desculpa.
-Não foi nada. Aconteceu alguma coisa?
Ele olhou para a mão que segurava meu pulso e depois o soltou.
-Eu queria saber.... Eu queria saber quem é o menino de preto lá fora.
Eu sabia que uma hora ele ia perguntar. Eu respirei fundo. Mas foi bom ele ter perguntado, assim eu lembrei de todas as perguntas duvidosas que eu não fiz.
-Você lembra que eu te contei que eu fui presa?
Ele assentiu.
-Então, eu omiti uma pequena parte da história. Eu na verdade fui presa por culpa do menino de preto.
Ele continuou me olhando, esperando a continuação.
-Bom, eu estava com eles e eles estavam bebendo, fumando e dirigindo. A polícia chegou, todo mundo correu e ele ia pular o muro quando eu me dei conta que poderia sobrar para mim. Só que três dias antes eu me machuquei jogando futebol e por isso não podia pular nada. Então ao invés de me ajudar ele me soltou e eu caí. A polícia me pegou e eu fui presa por não denunciar nada.
-Uau.
-Pois é.
Alguns minutos em silêncio. Como eu perguntaria isso?
-Lucas?
Ele me olhou.
-Como você sabia o caminho para a praia?
-Como assim?
-Ontem, quando você dirigiu até a praia da Enseada. Como você sabia ao caminho até o Guarujá? Como você chegou na Enseada? Como você conhece tão bem a região e o mais importante, como você sabe o nome da praia que estamos indo se ninguém sabe além de mim?
Ele ficou quieto por alguns instantes. Eu achei que ele não iria me responder, mas o que ele disse me surpreendeu mais ainda.
-Eu te conheci antes de tudo isso, foi assim que eu soube.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Narração- Larissa Beulke
Depois de colocar todo mundo no carro, depois de acordar a Bia e depois de voltar com os amigos dela, bom... Olha o que aconteceu:
-Phe! tira a gente daqui!
Estava todo mundo nos carros, a Bia estava lá atrás com um menino estranho que não falou nada até agora. Sei lá, os amigos estranhos são dela mas aquele menino era esquisito demais.
-Phe?
Eles estavam pegando as armas, eu me virei e olhei pela janelinha do carro enquanto as meninas gritavam e o Phe olhava para a estrada e acelerava, os amigos da Bia se abaichavam e cobriam as cabeças. Eu olhava e infelizmente ví o que não queria. A Bia gritava e olhava par aos lados e de repente ela veio para frente e olhou para o céu. Uma mancha vermelha começou a se formar na blusa dela e aí, ela caiu. Simplesmente assim, como se não fosse nada.
Eu gritei. Foi imperceptível em meio a tanto caos. O vento que entrava na Hilux bagunçava o meu cabelo e eu não tirava a cena da minha cabeça. A Bia revirava os olhos e caía, exatamente como nos filmes. Só que mais assustador. Ela tinha levado um tiro. Isso não era nada legal.
-Cadê a Bia?
Iara a Pamella a Tatz e a amiga da Bia estavam olhando umas para as outras quando não a viram pela janela. Daí o menino com capuz falou pela primeira vez.
-Tamos que parar agora!
Daí o Phe respondeu com toda a calma do mundo, claro, ele não tinha visto alguém levar um tiro.
-Vou ter que entrar no meio da mata.
-Tanto faz, ela ta sangrando!
Daí as meninas começaram a gritar de novo. Talvez eu estivesse em choque, não tive reação nenhuma, a não ser gritar mas isso é normal.
Demorou alguns minutos para entrarmos na floresta. O tempo agora era crucial. Assim que paramos eu desci e fui vê-la. Nem me importei com a presença do menino estranho. Ela precisava ser salva.
-Faz quanto tempo que ela caiu?
-Cinco talvez sete minutos.
-Bom, a bala provavelmente está aí dentro então eu vou ter que tirar.
-Você sabe como fazer isso?
-Sim. Infelizmente sim.
Por sorte,eu inventei de trazer umas ferramentas médicas que estavam na minha bancada pra fazer um trabalho. Os professorem inventam de tudo. Então, na pressa, eu coloquei tudo da bancada na mochila.
-Cadê o diabo da minha mochila...
Eu estava resmungando enquanto tentava não encostar na Bia, nem no menino e ignorar os olhares curiosos de todos atrás de mim enquanto procurava a minha mochila preta. Infelizmente havia outras três mochilas pretas. Algum tempo depois eu achei, um tempo não muito longo eu espero.
-Cai fora.
Eu apontei pro menino estranho que estava ao lado da Bia.
-Porquê?
-Sai logo!
E daí ele se levantou e pulou depois foi andando em direção á uma árvore.
-Vocês também!
O resto também saiu, eles estavam preocupados. E eu me ví na mesma situação que estava meses atrás.
-Vai ter que dar certo.
Eu sussurrei para mim mesma enquanto tinha que tirar a blusa manchada da Bia para começar a improvisada cirurgia.
-Eu não vou deixar você morrer Bia.
Eu sussurrei as palavras para mim, enquanto as imagens do meu erro médico passavam pela minha mente.
Foi difícil, não só porque o sangue ainda estava escorrendo e eu não tinha tempo pra pensar. Iria doer, sorte que ela estava desacordada. Eu peguei o bisturi e fiz a incisão, ainda não estava inflamado. Por sorte eu retirei a bala bem rápido, pude fechar o ferimento e rezar para que ela acordasse. Foi a mesma experiência.
Mas dessa vez eu estava feliz por ter conseguido. Logo ela iria acordar.
-Phe!
Ele veio correndo.
-O que aconteceu?
-Eu consegui! Ela vai ficar bem.
Eu estava sorrindo, não só porque finalmente superei o meu erro como pude ajudar alguém sem ter terminado a faculdade.
-Gente!
Eles aos poucos se levantavam a vinham correndo para perto do carro.
-Ela está bem?
-Quando ela vai acordar?
- O que vai acontecer?
-Me diz que ela vai ficar bem...
-Calma gente...
Eles estavam com olhares preocupados no rosto, felizmente eu tinha boas notícias para dar.
-Ela vai ficar bem, vai demorar um pouco até que ela acorde mas ela vai ficar bem!
E eles abriram sorrisos e começaram a falar todos ao mesmo tempo.
-Bom, agora acho que a gente tinha que sair daqui, não é uma boa ideia ficar no meio da mata.
Então entramos no carro, aquele menino estranho voltou com a Bia, como o carro estava cheio ela teve que voltar lá atrás mesmo. A estrada agora estava um pouco mais feliz, talvez a Bia tivesse razão. Talvez estamos mesmo indo em direção ao paraíso.
-Phe! tira a gente daqui!
Estava todo mundo nos carros, a Bia estava lá atrás com um menino estranho que não falou nada até agora. Sei lá, os amigos estranhos são dela mas aquele menino era esquisito demais.
-Phe?
Eles estavam pegando as armas, eu me virei e olhei pela janelinha do carro enquanto as meninas gritavam e o Phe olhava para a estrada e acelerava, os amigos da Bia se abaichavam e cobriam as cabeças. Eu olhava e infelizmente ví o que não queria. A Bia gritava e olhava par aos lados e de repente ela veio para frente e olhou para o céu. Uma mancha vermelha começou a se formar na blusa dela e aí, ela caiu. Simplesmente assim, como se não fosse nada.
Eu gritei. Foi imperceptível em meio a tanto caos. O vento que entrava na Hilux bagunçava o meu cabelo e eu não tirava a cena da minha cabeça. A Bia revirava os olhos e caía, exatamente como nos filmes. Só que mais assustador. Ela tinha levado um tiro. Isso não era nada legal.
-Cadê a Bia?
Iara a Pamella a Tatz e a amiga da Bia estavam olhando umas para as outras quando não a viram pela janela. Daí o menino com capuz falou pela primeira vez.
-Tamos que parar agora!
Daí o Phe respondeu com toda a calma do mundo, claro, ele não tinha visto alguém levar um tiro.
-Vou ter que entrar no meio da mata.
-Tanto faz, ela ta sangrando!
Daí as meninas começaram a gritar de novo. Talvez eu estivesse em choque, não tive reação nenhuma, a não ser gritar mas isso é normal.
Demorou alguns minutos para entrarmos na floresta. O tempo agora era crucial. Assim que paramos eu desci e fui vê-la. Nem me importei com a presença do menino estranho. Ela precisava ser salva.
-Faz quanto tempo que ela caiu?
-Cinco talvez sete minutos.
-Bom, a bala provavelmente está aí dentro então eu vou ter que tirar.
-Você sabe como fazer isso?
-Sim. Infelizmente sim.
Por sorte,eu inventei de trazer umas ferramentas médicas que estavam na minha bancada pra fazer um trabalho. Os professorem inventam de tudo. Então, na pressa, eu coloquei tudo da bancada na mochila.
-Cadê o diabo da minha mochila...
Eu estava resmungando enquanto tentava não encostar na Bia, nem no menino e ignorar os olhares curiosos de todos atrás de mim enquanto procurava a minha mochila preta. Infelizmente havia outras três mochilas pretas. Algum tempo depois eu achei, um tempo não muito longo eu espero.
-Cai fora.
Eu apontei pro menino estranho que estava ao lado da Bia.
-Porquê?
-Sai logo!
E daí ele se levantou e pulou depois foi andando em direção á uma árvore.
-Vocês também!
O resto também saiu, eles estavam preocupados. E eu me ví na mesma situação que estava meses atrás.
-Vai ter que dar certo.
Eu sussurrei para mim mesma enquanto tinha que tirar a blusa manchada da Bia para começar a improvisada cirurgia.
-Eu não vou deixar você morrer Bia.
Eu sussurrei as palavras para mim, enquanto as imagens do meu erro médico passavam pela minha mente.
Foi difícil, não só porque o sangue ainda estava escorrendo e eu não tinha tempo pra pensar. Iria doer, sorte que ela estava desacordada. Eu peguei o bisturi e fiz a incisão, ainda não estava inflamado. Por sorte eu retirei a bala bem rápido, pude fechar o ferimento e rezar para que ela acordasse. Foi a mesma experiência.
Mas dessa vez eu estava feliz por ter conseguido. Logo ela iria acordar.
-Phe!
Ele veio correndo.
-O que aconteceu?
-Eu consegui! Ela vai ficar bem.
Eu estava sorrindo, não só porque finalmente superei o meu erro como pude ajudar alguém sem ter terminado a faculdade.
-Gente!
Eles aos poucos se levantavam a vinham correndo para perto do carro.
-Ela está bem?
-Quando ela vai acordar?
- O que vai acontecer?
-Me diz que ela vai ficar bem...
-Calma gente...
Eles estavam com olhares preocupados no rosto, felizmente eu tinha boas notícias para dar.
-Ela vai ficar bem, vai demorar um pouco até que ela acorde mas ela vai ficar bem!
E eles abriram sorrisos e começaram a falar todos ao mesmo tempo.
-Bom, agora acho que a gente tinha que sair daqui, não é uma boa ideia ficar no meio da mata.
Então entramos no carro, aquele menino estranho voltou com a Bia, como o carro estava cheio ela teve que voltar lá atrás mesmo. A estrada agora estava um pouco mais feliz, talvez a Bia tivesse razão. Talvez estamos mesmo indo em direção ao paraíso.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Narração- Phelipe Braga
[Continuação...]* Dia do fim do mundo aproximadamente 18:40*
-Tatz?
-Sim?
-Você não acha que estamos indo um pouco rápido demais?
-Não, olha um carro turbo merece ser acelerado, certo?
Ela estava sim indo rapido demais, rápido demais para as leis de trânsito e rápido demais para que os freios funcionassem.
-Tatz...
-Sim?
-Carro.
Ela desviou muito rápido e puxou o carro para a esquerda, o carro estava bem mais devagar agora, mas infelizmente batemos o carro favorito da Bia numa árvore.
-Phe?
Ela olhou para mim.
-Acho que vamos ter encrenca.
-Sim, a Bia vai te matar.
Saímos do carro e ficamos um olhando para o outro.
-Eu disse que era má idéia. A Bia vai te matar Tatz.
-Ela não ousaria, talvez ela me bata, muito, mas nada além disso.
O Phe chegou até a janela.
-Tudo bem aí?
-Com a gente ta tudo legal, mas e com vocês?
-Estamos de boa.
Iara apareceu por de trás da cabeça da Lala sorrindo.
-Você sabe que a Bih não vai perdoar isso né?
-Eu não estava ao volante, me tira dessa.
Ergui os braços em rendição.
-Ela não vai matar ninguém se não descobrir.
Eu, Iara, Lala e Pammy caímos na risada.
-Cara, era o carro favorito dela desde Lua Nova. Você arrebentou ele. Ela com certeza vai perguntar pelo carro.
-Quer apostar?
-Cinco reais que ela pergunta pelo porsche quando acordar.
-Feito.
-Feito.
Elas apostaram e depois entramos no carro. Um pouco de aperto no banco de trás.
-A Bia tá dromindo desde o posto?
Nossa, ela devia estar cansada.
-Não - Lala riu- Ela bateu a cabeça quando vocês arrebentaram o porsche.
-A tá, tomara que ela fique bem.
-Ela vai ficar.
*Estrada para o Guarujá algum horário antes de escurecer.*
- Precisamos acordar a Bia.
-O que tem depois desse túnel?
Lala estava no banco da frente enquanto as meninas não estavam sendo esmagadas lá atrás.
-Eu não sei, por isso que a Bia tem que acordar, vai que eu não estou no caminho certo...
Pammy, Iara e Tatz estavam falando sobre ela.
-Será que ela vai acordar?
-Mas é claro que sim Pamella! Ela não morreu, ainda.
Eu sorri.
-Tomara que ela acorde logo, eu não sei o caminho.
Lala olhou para trás.
-Ela vai acordar, eu sei disso.
Eu fiz uma curva pra direita e alguém bateu alguma coisa.
-Ai.
-Não disse?
-Ai.
-O que foi?
Lala olhou para Bia.
-Bom, além de eu não enchergar nadinha, minha cabeça doí e meu pescoço queima e minhas costas estão doloridas.
-Ah, só isso?
As meninas estavam segurando o riso.
-Sim, só isso.
Ela se sentou e fez uma cara engraçada.
-Tudo bem?
A Iara colocou a mão no ombro da Bia. Depois de algum tempo ela falou de novo.
-Eu... Eu não estou me sentindo bem pessoal.
-Eu preciso que você me diga o caminho, tá legal?
Estávamos indo em direção á um túnel.
-Esse é o primeiro?
-O que?
A voz dela estava esquisita.
-O primeiro túnel, temos quatro pela frente se esse é o primeiro. Depois deles tem mais uma meia hora de estrada com placas sinalizadas para o Guarujá. Esse é o caminho.
-Tudo bem, você precisa de alguma coisa?
-Agora não vai ter nada pela estrada e vocês não vão se arriscar por minha causa. Sigam com a viagem, lá tem alguma coisa pra mim.
-Tá legal.
Seguimos com a viagem, ela deve ter adormecido uma ou duas vezes e acordado com o balanço do carro. Ela estava com algo em mãos, e sorriu ao ver o que quer que fosse. Depois ela colocou o celular no ouvido.
-Gordinha? Onde você tá?
Uma resposta mal ouvida.
-Gorda, me escuta. Eu vou voltar pra te buscar. Me espera, eu já estou indo.
-Phe?
Eu olhei pelo retrovisor.
-Sim?
-Preciso de um enorme favor de vocês. Minha amiga ficou presa com aqueles caras na barricada. A gente precisa ir buscar ela, só que ela não está sozinha. Acho que estão dois meninos com ela, a ligação estava falhando. Eu posso contar com vocês pra isso?
-Claro.
-Sim.
-Pode ser.
-Acho que sim.
-Eu não sei.
Eu olhei para a Pammy, que havia descartado a proposta.
-Porque?
-Sofremos um bocado pra passar de lá, e agora você quer voltar pra buscar uma amiga sua? Me desculpa, mas eu descordo. Eu deixei para trás muitas amigas minhas, ainda bem que estou com vocês, mas voltar pra buscar sua amiga seria como voltar para buscar as minhas amigas.
-Pamella. Eu entendo o que você sente. Não vou dizer que respeito a sua opnião porque não respeito. Eu quero voltar pra buscar ela, não porque ela é minha amiga. Mas porque ela não tem idéia do que fazer, e aqueles caras podem fazer coisas ruins com ela. E ainda tem meus amigos que estão sozinhos e com medo. Eu não te obriguei a vir, não te obriguai a abandonar tudo o que conheceu para fugir do caos. Eu não obriguei ninguém. No entanto vocês quiseram me acompanhar. E se a maioria quiser seguir em frente eu vou ser obrigada a ficar e voltar. E então?
-Acho que nossas opniões não mudaram. A gente volta pra buscar sua amiga.
E então foi isso. Demos meia volta e seguimos para a barreira que sofremos para passar.
-Dessa vez a gente não vai estar em desvantagem.
Eu levantei a arma que peguei. A Bia deu um berrinho.
- Onde diabos você conseguiu isso?
-Dentro da loja. um policial teve o azar de encontrar com aqueles militares eu acho. Tinha um tiro na cabeça mas não parecia estar infectado. Eu peguei a arma, algumas balas e um pente reserva. Graças a seis meses no exército, eu aprendi algumas coisas úteis.
Lala aumentou o volume do rádio. Wolfmother, Woman.
-Alguma recordação meninas?
Elas riram.
-Bons dias eram aqueles que a gente jogava guitar hero no recreio.
-É, agora não vão mais existir.
Um silêncio mortal se formou.
-Não vão mais existir, mas pelo menos eu ainda sei a letra.
A estrada seria diferente agora, espero que tudo dê certo.
[Continua...]
-Tatz?
-Sim?
-Você não acha que estamos indo um pouco rápido demais?
-Não, olha um carro turbo merece ser acelerado, certo?
Ela estava sim indo rapido demais, rápido demais para as leis de trânsito e rápido demais para que os freios funcionassem.
-Tatz...
-Sim?
-Carro.
Ela desviou muito rápido e puxou o carro para a esquerda, o carro estava bem mais devagar agora, mas infelizmente batemos o carro favorito da Bia numa árvore.
-Phe?
Ela olhou para mim.
-Acho que vamos ter encrenca.
-Sim, a Bia vai te matar.
Saímos do carro e ficamos um olhando para o outro.
-Eu disse que era má idéia. A Bia vai te matar Tatz.
-Ela não ousaria, talvez ela me bata, muito, mas nada além disso.
O Phe chegou até a janela.
-Tudo bem aí?
-Com a gente ta tudo legal, mas e com vocês?
-Estamos de boa.
Iara apareceu por de trás da cabeça da Lala sorrindo.
-Você sabe que a Bih não vai perdoar isso né?
-Eu não estava ao volante, me tira dessa.
Ergui os braços em rendição.
-Ela não vai matar ninguém se não descobrir.
Eu, Iara, Lala e Pammy caímos na risada.
-Cara, era o carro favorito dela desde Lua Nova. Você arrebentou ele. Ela com certeza vai perguntar pelo carro.
-Quer apostar?
-Cinco reais que ela pergunta pelo porsche quando acordar.
-Feito.
-Feito.
Elas apostaram e depois entramos no carro. Um pouco de aperto no banco de trás.
-A Bia tá dromindo desde o posto?
Nossa, ela devia estar cansada.
-Não - Lala riu- Ela bateu a cabeça quando vocês arrebentaram o porsche.
-A tá, tomara que ela fique bem.
-Ela vai ficar.
*Estrada para o Guarujá algum horário antes de escurecer.*
- Precisamos acordar a Bia.
-O que tem depois desse túnel?
Lala estava no banco da frente enquanto as meninas não estavam sendo esmagadas lá atrás.
-Eu não sei, por isso que a Bia tem que acordar, vai que eu não estou no caminho certo...
Pammy, Iara e Tatz estavam falando sobre ela.
-Será que ela vai acordar?
-Mas é claro que sim Pamella! Ela não morreu, ainda.
Eu sorri.
-Tomara que ela acorde logo, eu não sei o caminho.
Lala olhou para trás.
-Ela vai acordar, eu sei disso.
Eu fiz uma curva pra direita e alguém bateu alguma coisa.
-Ai.
-Não disse?
-Ai.
-O que foi?
Lala olhou para Bia.
-Bom, além de eu não enchergar nadinha, minha cabeça doí e meu pescoço queima e minhas costas estão doloridas.
-Ah, só isso?
As meninas estavam segurando o riso.
-Sim, só isso.
Ela se sentou e fez uma cara engraçada.
-Tudo bem?
A Iara colocou a mão no ombro da Bia. Depois de algum tempo ela falou de novo.
-Eu... Eu não estou me sentindo bem pessoal.
-Eu preciso que você me diga o caminho, tá legal?
Estávamos indo em direção á um túnel.
-Esse é o primeiro?
-O que?
A voz dela estava esquisita.
-O primeiro túnel, temos quatro pela frente se esse é o primeiro. Depois deles tem mais uma meia hora de estrada com placas sinalizadas para o Guarujá. Esse é o caminho.
-Tudo bem, você precisa de alguma coisa?
-Agora não vai ter nada pela estrada e vocês não vão se arriscar por minha causa. Sigam com a viagem, lá tem alguma coisa pra mim.
-Tá legal.
Seguimos com a viagem, ela deve ter adormecido uma ou duas vezes e acordado com o balanço do carro. Ela estava com algo em mãos, e sorriu ao ver o que quer que fosse. Depois ela colocou o celular no ouvido.
-Gordinha? Onde você tá?
Uma resposta mal ouvida.
-Gorda, me escuta. Eu vou voltar pra te buscar. Me espera, eu já estou indo.
-Phe?
Eu olhei pelo retrovisor.
-Sim?
-Preciso de um enorme favor de vocês. Minha amiga ficou presa com aqueles caras na barricada. A gente precisa ir buscar ela, só que ela não está sozinha. Acho que estão dois meninos com ela, a ligação estava falhando. Eu posso contar com vocês pra isso?
-Claro.
-Sim.
-Pode ser.
-Acho que sim.
-Eu não sei.
Eu olhei para a Pammy, que havia descartado a proposta.
-Porque?
-Sofremos um bocado pra passar de lá, e agora você quer voltar pra buscar uma amiga sua? Me desculpa, mas eu descordo. Eu deixei para trás muitas amigas minhas, ainda bem que estou com vocês, mas voltar pra buscar sua amiga seria como voltar para buscar as minhas amigas.
-Pamella. Eu entendo o que você sente. Não vou dizer que respeito a sua opnião porque não respeito. Eu quero voltar pra buscar ela, não porque ela é minha amiga. Mas porque ela não tem idéia do que fazer, e aqueles caras podem fazer coisas ruins com ela. E ainda tem meus amigos que estão sozinhos e com medo. Eu não te obriguei a vir, não te obriguai a abandonar tudo o que conheceu para fugir do caos. Eu não obriguei ninguém. No entanto vocês quiseram me acompanhar. E se a maioria quiser seguir em frente eu vou ser obrigada a ficar e voltar. E então?
-Acho que nossas opniões não mudaram. A gente volta pra buscar sua amiga.
E então foi isso. Demos meia volta e seguimos para a barreira que sofremos para passar.
-Dessa vez a gente não vai estar em desvantagem.
Eu levantei a arma que peguei. A Bia deu um berrinho.
- Onde diabos você conseguiu isso?
-Dentro da loja. um policial teve o azar de encontrar com aqueles militares eu acho. Tinha um tiro na cabeça mas não parecia estar infectado. Eu peguei a arma, algumas balas e um pente reserva. Graças a seis meses no exército, eu aprendi algumas coisas úteis.
Lala aumentou o volume do rádio. Wolfmother, Woman.
-Alguma recordação meninas?
Elas riram.
-Bons dias eram aqueles que a gente jogava guitar hero no recreio.
-É, agora não vão mais existir.
Um silêncio mortal se formou.
-Não vão mais existir, mas pelo menos eu ainda sei a letra.
A estrada seria diferente agora, espero que tudo dê certo.
[Continua...]
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
No Caminho Certo.
A loja não ficava muito longe do mercado, eu deveria saber.Foram apenas oito quadras e mais sete porque a última estava com a rua bloqueada por walkers( não sei se esse termo vai pegar). Milly, Wood, Gabe e Anne vieram comigo e com Lucas na caçamba. Eu estava começando a me acostumar com esse lugar. Milly e Wood eram namorados, e eu não descobri isso de um jeito legal. Eles começaram a se pegar bem na nossa frente.
-Não liga não, esses dois são assim mesmo. Do nada estão quase um engolindo o outro.
Eca, Anne estava com um celular em mãos. Falando nisso, havia algo no bolso da minha calça jeans, eu supuz ser meu celular. Não que fosse importante, dentro de algumas horas não haveria mais sinal nenhum. E nem pessoas com quem se comunicar. Eu não percebi que Lucas ainda segurava minha mão até que ele desceu do carro segurando-a.
-Quer ajuda pra descer?
Ele sorriu.
-Não, valeu.
E então pulei de alguns pequenos metros sem esforço nenhum. Eu nunca fui do tipo de menina muito delicada, seria bobagem começar a ser logo agora.
A loja não era muito grande, apenas uns 15 carros estacionados em um lugar coberto.
-Tá, vocês vão escolhendo os carros enquanto eu vou pegando as chaves que devem estar no escritório.
Eles se dividiram em grupos, basicamente os mesmos de sempre. Seria bom procurar as chaves sozinha, seria bom pensar e analisar o que havia acontecido. Certo, ele estava vivo ou melhor, estava vivo e conseguiu me encontrar. Logo aqui, no meu paraíso secreto. Eu demorei tanto tempo pra negar o que sentia por aquele menino, demorei tanto pra aceitar que o que ele fez foi errado, que agora que o tive na minha frente, quase não disse o que havia planejado e ignorei todos os meus pensamentos por mais um momento com ele. Era estranho pensar assim, mas é estranho que zumbis existam então eu não duvido de mais nada. não duvido que ele esteja lá ainda. Certamente pensando em mim. NÃO. Eu não posso me deixar levar assim. Que coisa. Se eu fosse tão molenga, como sobreviveria a essa era de sangue?
Eu cheguei á uma porta cinza, entreaberta. Um mal sinal. Eu pensei em dar meia volta e chamar o Phe, ou o Wood, ou o Gabe talvez até o Lucas, mas eu não posso depender de outras pessoas para tudo agora. A arma ainda estava comigo. Não sei como não me incomodou quando sentei no carro, mas ela estava carregada e pronta para disparar. Eu pensei em entrar, mas seria muito medrosa se ouvesse algo por trás daquela porta. Então, como eles fazem nos filmes, resolvi fazer um pouco de barulho para atrair o que ouvesse ali dentro, ao meu encontro. Devo admitir que parecia uma boba. Imagine uma menina de quinze anos, com uma arma consideravelmente pesada em mãos e um medo percorrendo sua espinha. Agora imagine essa garota tremendo muito. Era eu. Eu não poderia disparar um alarme de carro, poderia atrair mais zumbis pra cá. Então, muito inteligente da minha parte, eu fechei a porta e comecei a chutá-la. Um chute, nada aconteceu. Dois chutes, nada ainda. Eu estava quase entrando de qualquer jeito quando puseram a mão no meu ombro machucado.
-Problemas com a porta?
Lucas riu.
-Aí - Eu estava tirando a mão dele do meu ombro- Na verdade, estou me certificando que eu não vou morrer lá dentro.
-Desculpa. Ei, você não devia deixar a porta aberta, daí se alguma coisa estivesse lá dentro ela saíria e você atiraria nela?
Ele sorriu.
-São apenas detalhes meu caro.
Ele pegou minha mão e com a outra abriu a porta.
-Viu, nada aqui dentro.
Bem, havia algo ali. Mas estava meio impossibilitado de se levantar, ou de fazer alguma coisa. O corpo irreconhecível estava jogado no chão, todo aberto e cheio de mordidas.
-Vamos procurar rápido, sim?
Eu estava começando a enjoar. Procuramos em três gavetas, bom pelo menos eu procurei. Lucas encarou uma gavetinha menor por pelo menos três minutos. Depois ele arrancou a gaveta apenas puxando-a com uma certa delicadeza.
-Cara, a gaveta estaav trancada. Como você puxou ela assim?
Ele estava começando a me assustar. Não só pelo fato de saber coisas que eu não sabia sobre esse lugar, ou pelo fato de ter se envolvido em um acidente de carro que matou a menina que ele gostava. mas pelo fato de ser incrivelmente forte e destemido. Algo que nem o Phe, o garoto mais velho que eu tenho contato, consegue ser completamente. Ele não tem medo, nem dos zumbis e nem da morte. E isso, é muito estranho.
-Mágica.
Ele riu, eu não achei graça.
Voltamos para onde o pessoal estava reunido. Lucas tentou pegar minha mão denovo, mas eu não deixei. Não enquanto ele parece ser um completo estranho pra mim.
-Escolheram?
-Sim!
Gabe, Milly e Wood estavam perto de um Chevy 68 com pinturas de corrida. Não me pergunte como eu sei o nome do carro, eu apenas sei. E Tatz, Iara e a Jamille estavam quase que abraçando um Jipe amarelo. Certo. Não era a minha porsche, e nem era um carro veloz. Mas era amarelo e isso já bastava. No geral, todas as mulheres gostam de carrinhos amarelos. É estranho, mas nem tanto quanto um apocalipse zumbi. Depois de algumas tentativas com chaves de diferentes formatos, conseguimos ligar os carros.
-Gente?
Gabe estava apoaido no Chevy.
-Sim?
Eu me virei para olhá-lo melhor. Ele com certeza era mais velho que eu. Era um pouco mais alto que o Lucas, era moreno e tinha olhos azuis como o mar. Ele estava com a mão no ponto que tinha sangue do curativo. Ele estava muito pálido, a Lala deveria dar uma olhada nele.
-Não sei se alguém aqui viu Resident Evil, mas nos filmes eles protegiam os carros com grades e tudo mais, vocês não acham que deveríamos fazer o mesmo?
-É, tem razão, mas não temos nem material, nem ferramentas e muito menos a mão de obra pra fazer isso.
-Qual é Bia, está subestimando o poder masculino da força de vontade.
- Não senhor, Phe, eu estou subestimando o tempo e a criatividade de vocês.
Eles riram, não foi uma piada. Eles queriam chegar quando na praia? Porque, pra mim, aquele sim era um lugar seguro. Não uma loja qualquer. Gabe andou devagar até a Hilux e pegou uma mochila preta, de dentro dela ele tirou algumas ferramentas que dariam conta do recado.
-Bom, eu tenho as ferramentas e com alguma ajuda, podemos ter a mão de obra.
Eu sorri.
-Mas e o material?
-Bem, eles não vão se importar se alguns dos carros estiverem um pouco mais deformados do que estavam antes, certo?
Milly estava de novo com o canivete em mãos, qual era a dela? Logo, todo mundo foi fazer alguma coisa. Jamille foi procurar alguma coisa pra comer, claro que o Colírio foi com ela. Iara e a Tatz estavam desmanchando os carros, tirando peças que não seriam muito necessárias, como bancos e marchas e... Marchas? Como elas tiraram aquilo? O Phe e a Lala estavam com a Anne, todos estavam cortando com algumas serras que achamos na oficina da loja, partes para fazer algumas grades.
Eu o Lucas e o Gabe estávamos dando um jeito de montar tudo isso nos carros. Começamos pelo Jipe. Gabe estava deitado em baixo do carro mexendo em alguma coisa lá. Lucas estava brincando com o fogo do maçarico que também estava na oficina.
-Tudo bem aí em baixo?
Eu perguntei pro Gabe que estava ali fazia um bom tempo.
-Tudo - Ele riu- Eu preciso de uma chave de fenda, consegue pegar pra mim?
-Claro.
A caixa de ferramentas estava ao lado da perna dele. Eu remexi a caixa e encontrei o que ele precisava. Estendi para ele mas recolhi pouco depois.
-Pra quê você precisa disso aí em baixo se o nosso trabalho é aqui em cima?
Ele riu outra vez.
-Eu só vou apertar um negocinho aqui, antes que o carro desmonte. Depois podemos colocar o ferro pra proteger as janelas.
-Hum, sei.
Ele ficou lá em baixo por mais alguns minutos. Lucas o ajudou a levantar.
-Pronto pra parte pesada?
-Mais que pronto, já sei até o que vamos fazer pra dar tudo certo.
Eu não fui muito útil nessa parte. Ele não me deixaram pegar o ferro que o Phe trazia por causa do meu ombro. E o Gabe não largava o maçarico de jeito nenhum. Então, como meu ombro doeu quando eu fui tentar cortar o ferro em partes menores, não pude faezer nada s enão olhar o que eles estavam fazendo. Depois de algumas horas lá eu estava realmente com fome. Ainda não estava escuro, mas não era noite e eu não tinha almoçado. Saí da oficina e encontrei o grupo rindo e comendo várias coisas como doritos e refrigerante, e sanduíches que pegamos no mercado. Até enlatados que pegamos ontem. Parecia um acampamento. Vários amigos reunidos em círculo em volta de mochilas com comida. Era parte de um sonho meu, e em breve estaríamos no caminho certo pro nosso paraíso.
-Não liga não, esses dois são assim mesmo. Do nada estão quase um engolindo o outro.
Eca, Anne estava com um celular em mãos. Falando nisso, havia algo no bolso da minha calça jeans, eu supuz ser meu celular. Não que fosse importante, dentro de algumas horas não haveria mais sinal nenhum. E nem pessoas com quem se comunicar. Eu não percebi que Lucas ainda segurava minha mão até que ele desceu do carro segurando-a.
-Quer ajuda pra descer?
Ele sorriu.
-Não, valeu.
E então pulei de alguns pequenos metros sem esforço nenhum. Eu nunca fui do tipo de menina muito delicada, seria bobagem começar a ser logo agora.
A loja não era muito grande, apenas uns 15 carros estacionados em um lugar coberto.
-Tá, vocês vão escolhendo os carros enquanto eu vou pegando as chaves que devem estar no escritório.
Eles se dividiram em grupos, basicamente os mesmos de sempre. Seria bom procurar as chaves sozinha, seria bom pensar e analisar o que havia acontecido. Certo, ele estava vivo ou melhor, estava vivo e conseguiu me encontrar. Logo aqui, no meu paraíso secreto. Eu demorei tanto tempo pra negar o que sentia por aquele menino, demorei tanto pra aceitar que o que ele fez foi errado, que agora que o tive na minha frente, quase não disse o que havia planejado e ignorei todos os meus pensamentos por mais um momento com ele. Era estranho pensar assim, mas é estranho que zumbis existam então eu não duvido de mais nada. não duvido que ele esteja lá ainda. Certamente pensando em mim. NÃO. Eu não posso me deixar levar assim. Que coisa. Se eu fosse tão molenga, como sobreviveria a essa era de sangue?
Eu cheguei á uma porta cinza, entreaberta. Um mal sinal. Eu pensei em dar meia volta e chamar o Phe, ou o Wood, ou o Gabe talvez até o Lucas, mas eu não posso depender de outras pessoas para tudo agora. A arma ainda estava comigo. Não sei como não me incomodou quando sentei no carro, mas ela estava carregada e pronta para disparar. Eu pensei em entrar, mas seria muito medrosa se ouvesse algo por trás daquela porta. Então, como eles fazem nos filmes, resolvi fazer um pouco de barulho para atrair o que ouvesse ali dentro, ao meu encontro. Devo admitir que parecia uma boba. Imagine uma menina de quinze anos, com uma arma consideravelmente pesada em mãos e um medo percorrendo sua espinha. Agora imagine essa garota tremendo muito. Era eu. Eu não poderia disparar um alarme de carro, poderia atrair mais zumbis pra cá. Então, muito inteligente da minha parte, eu fechei a porta e comecei a chutá-la. Um chute, nada aconteceu. Dois chutes, nada ainda. Eu estava quase entrando de qualquer jeito quando puseram a mão no meu ombro machucado.
-Problemas com a porta?
Lucas riu.
-Aí - Eu estava tirando a mão dele do meu ombro- Na verdade, estou me certificando que eu não vou morrer lá dentro.
-Desculpa. Ei, você não devia deixar a porta aberta, daí se alguma coisa estivesse lá dentro ela saíria e você atiraria nela?
Ele sorriu.
-São apenas detalhes meu caro.
Ele pegou minha mão e com a outra abriu a porta.
-Viu, nada aqui dentro.
Bem, havia algo ali. Mas estava meio impossibilitado de se levantar, ou de fazer alguma coisa. O corpo irreconhecível estava jogado no chão, todo aberto e cheio de mordidas.
-Vamos procurar rápido, sim?
Eu estava começando a enjoar. Procuramos em três gavetas, bom pelo menos eu procurei. Lucas encarou uma gavetinha menor por pelo menos três minutos. Depois ele arrancou a gaveta apenas puxando-a com uma certa delicadeza.
-Cara, a gaveta estaav trancada. Como você puxou ela assim?
Ele estava começando a me assustar. Não só pelo fato de saber coisas que eu não sabia sobre esse lugar, ou pelo fato de ter se envolvido em um acidente de carro que matou a menina que ele gostava. mas pelo fato de ser incrivelmente forte e destemido. Algo que nem o Phe, o garoto mais velho que eu tenho contato, consegue ser completamente. Ele não tem medo, nem dos zumbis e nem da morte. E isso, é muito estranho.
-Mágica.
Ele riu, eu não achei graça.
Voltamos para onde o pessoal estava reunido. Lucas tentou pegar minha mão denovo, mas eu não deixei. Não enquanto ele parece ser um completo estranho pra mim.
-Escolheram?
-Sim!
Gabe, Milly e Wood estavam perto de um Chevy 68 com pinturas de corrida. Não me pergunte como eu sei o nome do carro, eu apenas sei. E Tatz, Iara e a Jamille estavam quase que abraçando um Jipe amarelo. Certo. Não era a minha porsche, e nem era um carro veloz. Mas era amarelo e isso já bastava. No geral, todas as mulheres gostam de carrinhos amarelos. É estranho, mas nem tanto quanto um apocalipse zumbi. Depois de algumas tentativas com chaves de diferentes formatos, conseguimos ligar os carros.
-Gente?
Gabe estava apoaido no Chevy.
-Sim?
Eu me virei para olhá-lo melhor. Ele com certeza era mais velho que eu. Era um pouco mais alto que o Lucas, era moreno e tinha olhos azuis como o mar. Ele estava com a mão no ponto que tinha sangue do curativo. Ele estava muito pálido, a Lala deveria dar uma olhada nele.
-Não sei se alguém aqui viu Resident Evil, mas nos filmes eles protegiam os carros com grades e tudo mais, vocês não acham que deveríamos fazer o mesmo?
-É, tem razão, mas não temos nem material, nem ferramentas e muito menos a mão de obra pra fazer isso.
-Qual é Bia, está subestimando o poder masculino da força de vontade.
- Não senhor, Phe, eu estou subestimando o tempo e a criatividade de vocês.
Eles riram, não foi uma piada. Eles queriam chegar quando na praia? Porque, pra mim, aquele sim era um lugar seguro. Não uma loja qualquer. Gabe andou devagar até a Hilux e pegou uma mochila preta, de dentro dela ele tirou algumas ferramentas que dariam conta do recado.
-Bom, eu tenho as ferramentas e com alguma ajuda, podemos ter a mão de obra.
Eu sorri.
-Mas e o material?
-Bem, eles não vão se importar se alguns dos carros estiverem um pouco mais deformados do que estavam antes, certo?
Milly estava de novo com o canivete em mãos, qual era a dela? Logo, todo mundo foi fazer alguma coisa. Jamille foi procurar alguma coisa pra comer, claro que o Colírio foi com ela. Iara e a Tatz estavam desmanchando os carros, tirando peças que não seriam muito necessárias, como bancos e marchas e... Marchas? Como elas tiraram aquilo? O Phe e a Lala estavam com a Anne, todos estavam cortando com algumas serras que achamos na oficina da loja, partes para fazer algumas grades.
Eu o Lucas e o Gabe estávamos dando um jeito de montar tudo isso nos carros. Começamos pelo Jipe. Gabe estava deitado em baixo do carro mexendo em alguma coisa lá. Lucas estava brincando com o fogo do maçarico que também estava na oficina.
-Tudo bem aí em baixo?
Eu perguntei pro Gabe que estava ali fazia um bom tempo.
-Tudo - Ele riu- Eu preciso de uma chave de fenda, consegue pegar pra mim?
-Claro.
A caixa de ferramentas estava ao lado da perna dele. Eu remexi a caixa e encontrei o que ele precisava. Estendi para ele mas recolhi pouco depois.
-Pra quê você precisa disso aí em baixo se o nosso trabalho é aqui em cima?
Ele riu outra vez.
-Eu só vou apertar um negocinho aqui, antes que o carro desmonte. Depois podemos colocar o ferro pra proteger as janelas.
-Hum, sei.
Ele ficou lá em baixo por mais alguns minutos. Lucas o ajudou a levantar.
-Pronto pra parte pesada?
-Mais que pronto, já sei até o que vamos fazer pra dar tudo certo.
Eu não fui muito útil nessa parte. Ele não me deixaram pegar o ferro que o Phe trazia por causa do meu ombro. E o Gabe não largava o maçarico de jeito nenhum. Então, como meu ombro doeu quando eu fui tentar cortar o ferro em partes menores, não pude faezer nada s enão olhar o que eles estavam fazendo. Depois de algumas horas lá eu estava realmente com fome. Ainda não estava escuro, mas não era noite e eu não tinha almoçado. Saí da oficina e encontrei o grupo rindo e comendo várias coisas como doritos e refrigerante, e sanduíches que pegamos no mercado. Até enlatados que pegamos ontem. Parecia um acampamento. Vários amigos reunidos em círculo em volta de mochilas com comida. Era parte de um sonho meu, e em breve estaríamos no caminho certo pro nosso paraíso.
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