Bem Vindos...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Narração- Lucas.- Final.

Estávamos montando a última bomba em uma das Arquibancadas quando vimos os helicópteros chegando. Eram mais de dez com certeza, eram grandes, podiam ser militares.
-Temos menos de dois minutos, eles vão parar no Heliporto da pousada.
Anne, Gabe e Phe concordaram com a cabeça. Talita, Pamella, Iara, Larissa e Jamille estavam na floresta procurando a Bia ou aquele amigo dela. Não gosto dele, pode chamar de ciúmes mas ele ainda vai meter ela em muita encrenca.
-Acho que não temos esse tempo todo.
Anne cutucou meu braço com o cotovelo eu me virei e dei de cara com alguns seguranças.
-Encrenca.
Eles deram um passo na nossa direção, todos nós engatilhamos as armas que estavam conosco.
-Acho melhor não.
Um dos seguranças falou. Estávamos cercados, todos eles estavam bem mais armados que nós. Não tínhamos munição reserva, não dava pra desperdiçar assim. Eles investiram contra nós, Anne abaixou desviou do primeiro soco do segurança, ela era mais baixa e mais rápida que nós. Continuaos brigando até que uma voz no rádio chamou os seguranças.
-Levem-nos para a entrada principal. Amarrem eles á uma árvore se for preciso, e quero que ela veja.
Provavelente era o chefe deles, os seguranças tiraram as nossas armas enquanto nos imobilizavam e levavam a gente floresta adentro. Amarram-nos á uma árvore, o mais alto lançou-me um olhar e apontou para um telão á poucos metros de nós. Eles desapareceram na floresta assim que o telão brilhou e a imagem de um cara vestido com um jaleco branco apareceu.
-Vocês presenciaram a nossa estreante em suas proezas nesse acampamento.
Ele disse, e imagens da Bia lutando contra zumbis apareceu, ela corria e desviava, dava pra ver que estava esgotada, mas ela lutava bem, cortou a cabeça de um zumbi com uma espada, imobilizou uma garota de cabelos curtos que estava armada, várias outras cenas passaram até que a menina de cabelos curtos apareceu de novo, dessa vez a Bia foi derrubada, a menina ficou em cima dela co as duas mãos no pescoço dela, a Bia reverteu a situação, imobilizando a garota, derrubando ela na areia enquanto outros dois meninos vinham ajudar, ela tinha um pequeno corte no rosto quando a luta acabou. Anne sussurrava alguma coisa para Gabe, eu continuei olhando o telão.
-Ela não é só forte como também arrasa corações.
A imagem daquele garoto beijando a Bia fez meu sangue ferver, sabia que não gostava dele por algum motivo, eu tentei em vão, me soltar das cordas.
-Pois vamos ver se ela é habilidosa o bastante para cuidar de corações e ser forte para lidar com os zumbis. Que o desafio comece.
Uma garotinha trouxe algo embrulhado para a Bia, mas deixou cair quando chegou perto, a menina entregou uma espada para Bia e depois voltou correndo para dentro da floresta.
-Não tão rápido.
Ele colocou a mão no ombro da Bia, nesse momento eu ví algo se mexendo na floresta, virei a cabeça para encontrar a Talita. Ela andava rapidamente na minha direção.
-Não está dando certo, aqueles fios não se encaixam!
Ela disse enquanto me desamarrava.
-Eu... Mas e eles?
Eu perguntei quando as cordas me soltaram
-A Bia está vindo, olha só!
Anne apontou com a cabeça para o telão. A Bia corria o mais rápido que podia por entre a floresta.
-Vai lá, encontramos vocês depois.
Gabe disse e eu comecei a correr com a Talita para as arquibancadas, onde os explosivos estavam.
-Olha, ele não quer encaixar.
Ela apontou para a montoeira de fios que ligavam até o explosivo, o detonador estava com a Pamela. Eu ma abaixei para ver qual era o problema, as duas se posicionaram ao meu lado, mas olhavam alguma outra coisa.
-Ai não!
A Pamela disse enquanto observava o telão, estiquei o pescoço para ver também. O resto do pessoal estava encurralado no penhasco.
-Temos que ajudar, ela não vai chegar á tempo.
-Vão!
Eu disse.
-Mas e você?
-Eu vou detonar esse lugar. A Bia não vai aguentar muito tempo, correndo desse jeito, vão!
Elas me entregaram o detonador e saíram correndo. Eu encaixei o resto dos fios e corri também, demorou até que eu ficasse á uma distância onde não pudesse ser atingido, estava prestes á apertar o botão quando uma voz familiar me fez ficar paralisado.
-Olá.
Ela disse, me arrepiei inteiro, me virei devagar para encontrar a dona da voz, do mesmo jeito que e lembro.
Júlia estava com a camiseta preta do Nirvana, calça jeans rasgada e um all-star surrado. Os cabelos longos estavam enrolados nas pontas e um pouco mais compridos do que eu me lembro. O rosto estava quase igual, as bochechas coradas, os olhos cinzentos a boca avermelhada e até a sardas que ela tinha no nariz. A única diferença é que havia uma cicatriz rosada perto da sobrancelha direita. Ela sorriu e caminhou na minha direção, eu fiquei paralisado.
-Sabe... Foi muita indelicadeza sua ter me deixado pra morrer naquela estrada, sabia?
Ela traçou a própria boca com o indicador.
-Você... Você não...?
Ela riu.
-Não morri. Se é o que pergunta, mas cheguei bem perto. Duas costelas quebradas, um corte na testa e estilhaços de vidro pelo corpo causam um bom estrago. Por sorte acordei antes que o maldito carro explodisse, arrastei os corpos daqueles dois idiotas pra longe assim que vi a gasolina escorrendo. Fiquei com tanta raiva por você ter fugido...
Ela parou para me observar.
-Mas vejo que está muito melhor agora, até arranjou uma namoradinha, qual o nome dela? Ah, Bia.
Ela disse com um sorriso nos lábios, me aproximei dela.
-O que você faz aqui?
-Vim impedir que você destrua o que meu pai está construindo.
Eu pisquei várias vezes até entender que o cara de jaleco, que sequestrou a Bia e transformou nossa vida num inferno, era o pai da Júlia.
-E então? Sentiu saudades?
Ela disse se aproximando de mim, ela passou os braços pelo meu pescoço, eu me afastei.
-O que foi? Não vá me dizer que aquela garota fez você esquecer de mim.
Ela bufou.
-Não esqueci, só não consigo...
Ela continuou me observando, amei aquela garota por três anos.
-Não consigo acreditar no que está acontecendo.
Ela sorriu.
-É muito simples, eu estou aqui, você está aqui e ainda não estamos juntos.
Ela riu e se aproximou de novo.
-Não.
Murmurei e ela se afastou.
-O que é isso na sua mão?
Ela perguntou tomando o detonador, eu tentei pegar de volta mas ela o esticou pra longe.
-Não, não, não. Não é tão simples assim.
Eu investi contra ela e nós dois caímos no chão, ela deu uma risada.
- Bom, eu tinha pensado fazer isso em outro lugar mas já que você quer assim...
Eu me levantei apressadamente, ela estava com o detonador em mãos.
-Você não vai desistir dela não é?
Ela disse num suspiro, fiquei confuso com o comentário dela.
-Toma, vai lá e salva a garota. O quão antes vocês saírem daqui, mais cedo essa loucura termina.
Ela deu um sorriso acanhado e me devolveu o detonador.
-Tenha cuidado.
Ela disse e correu pela floresta, eu fiquei perplexo, mas sacudi a cabeça e apertei o botão, detonando a primeira arquibancada. O Phe tinha programado uma explosão á cada dois minutos, eu corri até a Arena para ajudar. O menino de camiseta preta está de braços abertos na frente da Bia, ele vai se aproximando, dizendo alguma coisa, eles ficam nisso por alguns minutos. Ela começa a chorar e atira nele, penso em correr até ela, mas ela se ajoelha do lado do menino que nos encontrou na floresta. Ela coloca a cabça dele em seus joelhos, ele foi mordido. Por que ela está cuidando dele assim? Ele vai matá-la, vai tentar mordê-la! Eu caminho até ela mas paro subitamente quando os lábios dela tocam os dele. Ela o beijou. Logo depois fechou os olhos e apontou a arma pra cabeça do garoto. Um tiro. Eu corri até ela quando seus joelhos tremeram e ela parecia que iria desmaiar.
-Temos que ir agora!
Eu disse, mas ela não respondeu. Tomei-a em meus braços e a carreguei de volta para onde o carro estava, ví de relance Anne e Gabe correndo na mesma direção que eu. Ela levantou a cabeça do meu ombro para observar o grande helicóptero que nos sobrevoava. Aquilo não tinha acabado.
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Quem quer uma prévia de Era de Sangue- Segunda Temporada, levanta a mão!
-Antes de mais nada, as desculpas da autora por ter abandonado a história, espero que vocês não me abandonem.... Mas agora eu voltei e vamo que vamo!-
"Coloquem pra tocar antes de ler Música da Prévia."


-Ela está assim há tempo demais.
-Não há nada que possamos fazer.
Eu olho para Lala e ela tem razão, a Bia sofreu demais nesses últimos meses, não podíamos ter exigido tanto dela.
-Eu queria que as coisas voltassem ao normal.
-As coisas nunca mais serão normais Tatz.
[...]
-Eu preciso disso pronto até semana que vem!
Ele grita com o funcionário do grande laboratório subterrâneo.
-Sim senhor.
Ele faz uma reverência e some nos corredores brancos.
-O que essa garota tem de mais afinal!
Eu digo irritada, estou abrindo e fechando um canivete, impaciente com a demora.
-Ela é especial.
Jason diz com um sorriso no rosto.
-Mas o que ela tem de especial?
Eu pergunto, tirando os pés da mesa do escritório.
-Ela não....
Ele é cortado pela secretária inútil que trabalha aqui em baixo.
-Senhor, há um código seis no perímetro.
Ela diz e mostra prancheta eletrônica que contém os vídeos da segurança.
-Ótimo. Temos visitantes. Júlia, cuide disso para mim, sim?
Eu suspiro e caminho em direção á entrada do laboratório. Se ao menos esses adolescentes se escondessem em outro lugar....
[...]
-Mais alto!
Eu digo para os meninos enquanto eles tentam erguer a lona da barraca.
-Não há tempo, a tempestade está vindo.
-Temos que entrar!
-Andem!
Estou quase entrando no abrigo quando percebo que Gabe não está ali.
-Alguém viu o Gabe?
-Não, ele deve estar lá dentro.
Lucas diz, ele estava tão frio depois que salvamos a Bia, não entendia nada daquilo.
-Vou procurar por ele.
Eu grito em meio aos ventos, a tempestade está mais próxima do que imaginávamos.
-É suicídio!
Ele grita mas já estou bem longe. Onde diabos aquele garoto se meteu? Estou olhando para o chão e cobrindo o rosto por causa do vento, trombo em alguém.
-Aí está você!
Eu digo puxando seu braço mas ele não vem.
-Gabe?
-Temos que sair daqui.
Estava prestes a perguntar o porquê quando vejo um bando de mais ou menos vinte zumbis vindo em nossa direção. Meu olhar se encontra com o de Gabe e corremos de volta para o abrigo.
-Não estamos salvos!
Eu digo arrastando quem consigo alcançar para fora do abrigo improvisado.
[...]
-Você não vai tomá-los de novo!
Ela desfere um golpe contra o cara de jaleco, mas ele é mais forte que ela.
-Eles não me interessam, eu quero você!
E a imobiliza de uma forma impressionante, arrastando-a consigo pelos corredores desse lugar.
-Estamos ferrados.
Alguém murmura e eu não posso evitar de sorrir.
-Já escapamos de situações bem piores.
Alguém suspira.
-É quando um de nós estava solto.
-A Bia está.
-Você ainda acha que restou alguma coisa na cabeça dela depois do que aconteceu? Ela está maluca, lelé da cuca! E agora deu pra andar dormindo, não podemos dormir por causa dela.
-Ela salvou todos nós.
Lucas diz com a voz carregada de pesar.
-E isso custou a sanidade dela!
-Calem a boca vocês dois! Tudo o que fazem desde aquele dia é brigar por causa dela! Que ódio!
Eu digo tentando acabar com a discussão, temos que sair daqui antes que aquele projeto de serial killer volte.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Comunicado...

Oooooooooi!
 Primeiro de tudo, eu queria informar que esse último capítulo foi o fim da primeira parte de Era de Sangue, foi uma parte cheia de drama, segredos, esclarecimentos e romancezinhos *-*
 Eu vou continuar postando a segunda parte que vai estar com mais ação e mais suspense já que várias coisas aconteceram nesses capítulos, Era de Sangue Parte Dois  vai demorar um pouquinho mais pra sair, até porque eu estou buscando inspiração em muuuitos lugares diferentes pra história ficar bem legal.
Enfim, agradeço á todos os leitores, mesmo sentindo que as meninas que sempre comentavam nos capítulos deixaram de comentar, eu acho muito importante que vocês comentem, para me avisar como está o capítulo, se tem algum erro de digitação que eu não vi, se gostaram, se odiaram... A sua opinião.
 Ps: Eu tava escrevendo uma outra história MUITO diferente de Era de Sangue, é um romance, ele é mais elaborado e eu estou terminando o primeiro capítulo para postar, por enquanto só tem o prólogo, mas eu gostaria demais que vocês fossem lá dar uma olhadinha, só lembrando que não tem nada a ver com zumbis. É isso. Até Era de Sangue Parte II.
______________________________________________________xX
Respondendo ao Victor Azevedo :
Olha leitor novo! Primeiramente seja bem vindo ao Era de Sangue,  que bom que gostou, fico muito feliz em saber. Fica de olho por aqui pra ver quando sai a segunda parte da história, enquanto isso, se você ainda não viu, tem o site com a história dos personagens ali em cima, dá uma passadinha. Conta a história deles antes de apocalipse, eu estou tentando ao máximo manter atualizado. É isso, continue comentando é legal saber o que vocês pensam! xX

sábado, 4 de agosto de 2012

Quando tudo dá errado.

Ficamos em silêncio, eu não teria nada a dizer para Blast, o que iria dizer? "Nossa, tá bom." Ou "Ah sim, não tínhamos uma fuga pra planejar?." A melhor opção era ficar em silêncio. Ele se cansou, começou a se levantar quando estendi o cobertor dele.
-Já estou seca, obrigada.
Ele sorriu.
-Não há de quê.
Ele relutou alguns minutos antes de puxar o zíper para abrir a barraca, quando ele finalmente o fez, alguém o puxou para fora. Eu me levantei o mais rápido que pude, tirei a adaga da cintura. Haviam três homens na minha frente, dois deles batiam em Blast para segurá-lo. Um deles sorria e estendia a mão para mim.
-Vamos começar seu desafio, Ghost.
Eu dei dois passos em sua direção, escondi a adaga dentro da blusa. Um dos guardas colocou a mão pesada no meu ombro para me guiar até a Arena.
-Espero que goste do desafio especial que preparei pra você, Ghost.
Jason caminha comigo até o centro da Arena. Estamos sozinhos, eu, Doutor Sociopata e seus seguranças.
-Pra onde você o levou.
Ele olha para mim.
-Receio que você tenha que enfrentar o primeiro desafio sozinha, cada faze requer um tipo de habilidade, esta você deverá cumprir por sua conta e risco.
-O que eu tenho que fazer?
-Você verá.
As luzes da Arena ascenderam e eu pisquei várias vezes para ajustar a visão. Não estávamos sozinhos. A Arena estava lotada com apostadores, como se fosse um dia de jogo normal, eu não via os outros capitães em lugar nenhum, Jason deu dois passos na direção da arquibancada mais próxima.
-Vocês presenciaram a nossa estreante em suas proezas nesse acampamento.
Eu olhei para o telão, imagens minhas lutando no primeiro dia, na festa de iniciação, a tentativa de homicídio de DD também estava ali, as cenas continuaram até parar na nossa briga hoje de tarde.
-Ela não é só forte como também arrasa corações.
Mostraram o beijo que Blast me deu, a Arena gritou.
-Pois vamos ver se ela é habilidosa o bastante para cuidar de corações e ser forte para lidar com os zumbis. Que o desafio comece.
PET trouxe as pressas a minha espada,  deixou cair para sussurrar.
-Ele os pegou, mas eles vão detonar a Arena no último desafio. Vai dar tudo certo.
E ela saiu correndo, eu empunhei a espada, olhei ao redor e nada. Nada de zumbis, nada de monstros me perseguindo.
-Não tão rápido.
Doutor Sociopata caminhava na minha direção.
-Antes que você comece a sua parte, deixe-me lhe mostrar o que está em jogo.
Ele bateu palmas duas vezes e uma luz iluminou o rosto machucado e um pouco sujo de terra de três dos meus amigos. Anne, Gabe e Phe estavam amarrados de costas um para o outro á uma árvore. Eu avancei na direção deles mas Jason me segurou.
-Não.
Eu olhei para ele, meu punho foi mais rápido e o acertou em cheio no rosto. Ele se virou.
-Eles são meus amigos seu doente! São pessoas!  Eles não escolheram vir aqui!
Eu gritava com eles, com todos eles, pra quem quisesse ouvir. Doutor Sociopata riu.
-Eles escolheram te salvar. Escolheram desafiar minhas regras e te salvar.
Eu dei outro soco no seu rosto.
-Doente.
Eu ouvi um barulho e me virei, alguns zumbis corriam na direção dos meus amigos, eu corri, corri o mais rápido que pude.
-O que eu faço?
-Solta a gente!
Eles disseram em uníssono, eu cortei as cordas, eles cobriram meus flancos.
-Estamos cercados.
-E sem armas.
Várias PET's surgiram com facas, revólveres e pentes de munição.
-Rápido!
Começamos a nos defender, as balas acabaram mais rápido do que pensávamos, mas não sobravam muitos mais.
-Acho que terminamos.
Anne me abraçou com força quando o último zumbi caiu.
-Achei que tinha perdido você.
-Todos nós achamos.
E eles me abraçaram até eu ficar sem ar. Alguém aplaudia. Dessa vez Doutor Sociopata não ficou tão perto dos meus punhos.
-Uma bela cena, mas achei que tinha dito que você não poderia ter ajuda.
Os seguranças agarraram meus amigos e eles estavam presos outra vez.
-Agora vamos ver se consegue jogar de acordo com as regras, sim?
Ele pegou meu braço e me guiou até o centro da Arena outra vez. Ele falou com a plateia, eu olhava para o telão que exibia os "melhores momentos" do primeiro desafio. Meus olhos lacrimejaram quando mostraram meus amigos me abraçando.
-E agora.... O desafio duplo que Ghost pediu. Ela e seu amigo irão enfrentar alguns zumbis.
Os seguranças trouxeram Blast. Ele estava com o rosto machucado, carregava um taco de baseball manchado com sangue. Eles o empurraram e ele caiu de joelhos na areia, eu o ajudei a levantar.
-Eu estou bem.
-Só estou te ajudando.
Doutor Sociopata mandou que mais zumbis viessem, mas Blast se esforçava demais para alguém que não estava tão bem assim. Ele estava exausto quando restavam dois zumbis. Eu estava cansada, a espada era um pouco pesada demais para mim nesse momento, eu empurrei o zumbi que estava mais perto e chutei o peito do outro. Tentava mantê-los no chão, achando um jeito mais simples de matá-los. Empurrei o primeiro zumbi o mais forte que pude e ele bateu com a cabeça em uma árvore, não tive tempo para ver se ele havia morrido, o outro zumbi agarrou meu braço, eu puxava mas ele era forte, girei a espada e cravei-a em sua cabeça. Eu caí de joelhos, estava cansada, com medo e isso estava longe de acabar. O outro zumbi não havia morrido, ele caiu sobre mim na areia, tentava de todos os modos me morder, eu me esquivava e me arrastava pela areia, não queria mais lutar, não queria... Minhas costas batem na arquibancada, é o meu fim. Com um último esforço me coloquei de pé. O zumbi ainda vinha na minha direção, eu estava cansada, encurralada e desarmada. Não iria morrer assim, não vou morrer assim. Na frente de gente que eu não conheço, desarmada e deixando meus amigos sem algum plano de fuga. Deixei que o zumbi chegasse mais perto, pulei para o lado quando ele investiu. Agarrei sua cabeça com os dois braços, tomei cuidado para que sua boca não pudesse alcançar qualquer parte minha. Apoiei a mão esquerda no alto da sua cabeça e a mão direita no queixo e torci seu pescoço. Nunca tinha feito isso antes, o mais perto que cheguei foi imobilizar o meu irmão quando a gente brigava, mas nunca tive força o suficiente pra quebrar o pescoço de ninguém. Na minha cabeça eu via as imagens que vivi nos últimos dias, desde a viajem de São Paulo até aqui, quando cantamos Woman na estrada, quando voltamos pra buscar a Jamille, como eu me senti por ter todos os meus amigos por perto, quando conversei com Lucas na praia, a primeira vez que enfrentei um zumbi com um carrinho de supermercado, quando achamos Anne, Milly, Wood e Gabe, como eu quase quebrei o braço do Wood, quando acampamos numa loja de carros, quando transformamos o Jipe num carro para apocalipses, quando eu atirei em Vinícius, quando acampamos perto da cachoeira, quando brincamos na água, quando achamos a pousada, quando passamos a tarde na piscina quando eu treinei com Blast, quando ele me beijou, quando conversei com as PET'S e quando reencontrei meus amigos. Quando abri os olhos o zumbi caiu no chão, a plateia gritava ensurdecedoramente e eu caí de joelhos. Senti a mão de alguém nas minhas costas,  Blast me ajudou a levantar.
-Desculpa por não ter te ajudado com os dois últimos, eu estou melhor agora.
-Tudo bem, eu consegui dar conta de tudo.
Doutor Sociopata veio na minha direção.
-Ótimo, uma verdadeira performance se me permite dizer. Mas eu acho que você devia correr, seus amigos estão bem.... Ocupados.
Ele riu, e eu olhei em volta, não conseguia ver nada além da floresta escura.
-Melhor correr, acho que eles estão bem perto de cair.
Algum holofote guiou meus olhos até o penhasco do meu sonho, meu amigos estavam lá. Eu corri, pulei troncos caídos, desviei de pedras  e pedi para que meu cérebro não se lembrasse de todos aqueles filmes de terror que eu já vi. Cheguei ofegante no penhasco, eles estavam encurralados, eu gritei e balancei os braços feito ma maluca, atraindo a atenção dos zumbis para mim. Deu certo, eles se viraram na minha direção e começaram a correr atrás de mim, e eu estava correndo de novo, na floresta escura, tendo de desviar do que eu mal conseguia ver. Eu tropecei algumas vezes, me arranhei em arbustos e tenho certeza de que já deveria ter torcido o tornozelo, viro o rosto pra me certificar que estão todos atrás de mim. Olho, conto, caio. Caio em uma poça de lama e chega até ser ridículo, as mãos impedem que eu me quebre, voa lama pra todo lado, meus joelhos estão afundando. Espera, afundando?  Todas as vezes que eu vi areia movediça ela era realmente areia e estava num desenho animado. Nunca achei que tal coisa existisse e cá estou eu, afundando. Tateio em busca de alguma coisa pra me agarrar, acho um tronco caído, me apoio nele e me puxo pra fora da poça lamacenta. Os zumbis ainda estão atrás de mim, continuo fazendo barulho, talvez eles sejam burros o bastante pra cair aí e morrer enterrados. Isso funcionou, a maior parte dos zumbis havia caído dentro da lama e estava presa se afundando cada vez mais, outra parte corria atrás de mim, eu corri mas estava cansada, esgotada, acabada, qualquer palavra que signifique que eu não aguentava mais aquilo servia. Eu estava de volta na areia, tinha corrido metade da costa. Deveria ter caído e morrido de cansaço em algum lugar, mas ainda corria, num ritmo mais desacelerado, mas corria. Devo ter acabado com todas as forças que tinha, estava no centro da Arena, não aguentava mais. Parte da mim pensava " Você não pode desistir, eles estão soltos, isso vai acabar logo." Mas a outra parte pedia para que eu ficasse ali, fechasse os olhos e acabasse com tudo aquilo. Caí de joelhos na areia, não virei a cabeça para ver se os zumbis estavam perto, não olhei para os rostos dos apostadores. Caí na areia e fiquei lá, fechei os olhos para ver se acabava mais rápido. Um dois, três, quatro, cinco minutos talvez, nada de zumbis, nada de mordidas, apenas uma platéia que gritava quase tão alto que era impossível de se ouvir qualquer coisa atrás de mim.
-Ela não morreu certo?
Eu conhecia essa voz, mas estava cansada demais para abrir os olhos.
-Não, também não acho que tenha sido mordida. Seja o que for que ela tem, o criador deve querer muito.
Ter? Eu não tenho nada além de uma cabeça dura, muitos amigos e uma tremenda encrenca.
-Ela devia levantar, não acho que ele vai esperar muito mais.
Alguém toca o meu ombro, eu não abro os olhos. Não quero levantar, não vou conseguir.
-Vamos lá Ghost, eu sei que você consegue, só mais um pouco.
Eu abro os olhos devagar. Minha voz é um sussurro, eu não tenho como ficar de pé.
-Não consigo, cheguei ao limite.
Bloom e Ky estão ajoelhados ao meu lado, o que diabos eles fazem aqui?
-Vamos te ajudar. Não se preocupe.
Eu consigo ficar de pé. Não demora até que eu enxergue o que aconteceu. Várias PET'S estão ali, elas olham de um lado para o outro, procuram alguma coisa. Há corpos de zumbis no chão. Ky e Bloom estão com as armas sujas de sangue.
-O que vocês fizeram?
-Você tem razão, temos que sair daqui.
-Eu não vou conseguir.
-Vai sim.
A voz familiar de Blast me faz olhar para trás. Ele está de pé, a respiração está acelerada e ele está apoiando as mãos nos joelhos, deve ter corrido.
-Sabe o quão cansada eu estou? Não consigo nem levantar um dedo!
Ele sorri.
-Anda Bia, falta pouco.
Vejo meus amigos posicionados ao redor da Arena, não vejo Lucas, Milly e nem o Colírio. Eles devem estar terminando com os explosivos.
-Temos vinte minutos pra acabar com a raça dele e dar o fora daqui.
Ky e Bloom chegam mais perto.
-O que vocês vão fazer?
-Explodir a Arena.
-E os outros jogadores?
-Olha!
Bloom aponta para a arquibancada, todos os líderes exceto DD estão andando na nossa direção.
-Eles vieram ajudar.
-Você não vai precisar se esforçar tanto.
Eu quase sorrio, parece que arranjei mais amigos.
-Vamos lá, temos alguns zumbis para matar.
Os outros líderes chegaram, um deles carregava a minha espada.
-Belo jogo, isso aqui é seu.
-Obrigada.
-Vamos dar o fora daqui.
Eles concordaram com a cabeça. Abrimos um círculo, Blast me disse que o Doutor Sociopata havia dado a liberação dos zumbis, estávamos a espera deles. Demorou algum tempo, eu pude descansar um pouco. O som de gemidos e de passos rápidos começou a ser ouvido. Estávamos preparados- Eu pensava- Vamos dar o fora daqui. Eles surgiram de todas as partes, corriam, gritavam e chegavam mais perto. Eram muitos, mais do que eu já havia enfrentado aqui. Cercados antes mesmo que eu pudesse pensar em fazer alguma coisa, eles atacaram de todos os lados e eu não sabia o que fazer direito, eu corria, respirava, desviava e atacava, tudo isso repetidamente. Um barulho enorme, a primeira explosão. Parecia que eu havia ficado surda, tudo girava um pouco, eu estava de cara na areia protegendo a cabeça, voavam coisas para todos os lados,alguém grita.
-Menos de cinco minutos até a próxima!
Os apostadores correm de um lado para o outro, eu não vejo o Doutor Sociopata em lugar nenhum. ME levanto e vejo que alguns zumbis foram atingidos por destroços, estamos com um número bem reduzido agora. Vejo também que alguns jogadores desavisados foram feridos, eu corro para ajudar. o meio do caminho uma voz ecoa gritando o meu nome. Eu paro, olho para todos os lados tentando identificar. Os que não estão ocupados matando algum zumbi olham também. No meio da fumaça da explosão eu vejo uma silhueta, caminha devagar e um pouco manca talvez, eu não tenho certeza. A voz, a mesma do dia do meu desafio de iniciante, fala diretamente comigo.
-Acha que seus amigos poderão te ajudar? Pense bem Bia, só você pode terminar isso.
A pessoa sai da fumaça, a minha PET vem correndo e tira a minha atenção.
-Seja forte- Ela diz alternando o olhar entre mim e a sombra- Eu consegui isto.
Ela estende para mim uma Glock 45.
-Assim que você o matar isso vai acabar.
E ela sai correndo, eu olho a arma e finalmente olho pra cima. Ele está aqui, não foi só um sonho, eu não estava louca. Vinícius estava aqui. O mesmo Vinícius que eu tinha matado com um tiro na cabeça, o mesmo que perturba meus sonhos desde então, o mesmo que eu pensei ter tentado me afogar ontem á tarde. Eu fico paralisada, a minha cabeça gira, eu sinto que vou cair mas continuo olhando. Ele está parado ali, um pouco mais pálido, com uma cicatriz na testa e as mesmas roupas com que ele estava no dia que morreu.
-Não...
Eu não consigo continuar. Deus, estou perdendo a cabeça. Não é real, não é real, não é real... Ele sorri. Ele sorriu mesmo? Eu estou ficando louca, estou perdendo a cabeça...
-Bia!
Alguém grita o meu nome e eu me viro para olhar, Blast me derruba na areia no momento em que um zumbi me ataca, ele grita, eu grito, o cadáver do menino que eu amava está de pé á poucos metros de mim, ele continua sorrindo. Eu consigo me levantar, o zumbi se arrasta na nossa direção, dois tiros e ele para de se mexer.
-Blast?
Porque ele não levantou° Porque ele não parou de gritar? Porque ele está se contorcendo na areia? Eu coloco a cabeça dele no meu colo.
-Blast!
Ele abre os olhos, me olha por alguns instantes.
-Vai!
Ele diz, mas eu não posso me mexer, estou olhando a ferida no baço dele, ele foi mordido, ele foi mordido, ele foi.
-Bia. Vai!
Eu me levanto, se eu não fosse tão estúpida poderia ter acabado com tudo isso. Se eu não fosse idiota ele não estaria morrendo. Ando na direção do cadáver que continua sorrindo para mim.
-Saudades?
Ele diz, eu dou um passo pra trás.
-Você não é real.
Ele ri, o riso pelo qual uma vez eu fui apaixonada.
-Sou sim amor, bem real.
Ele investe contra mim, eu desvio dos braços que tentam me agarrar.
-Sabe- Ele anda na minha direção- Não foi muito legal o que você fez comigo sabia?- Ele sorri, eu estou andando para trás. Tenho que acabar com isso logo- Atirar em mim daquele jeito? Quanto sangue frio.
Eu o olho, não é ele, não é ele, Jason quer mexer com a minha cabeça, isso tudo não é real.
-Eu fiz bem, poderia ter atirado de novo.
-Então vai lá, atira em mim.
Ele sorri. Para poucos metros na minha frente e estende os braços.
-Mostra pra todo mundo o quanto você é forte, e como já superou. Vai lá, atira em mim de novo. Bem aqui- Ele aponta a cicatriz na testa- Mostra pra você mesma que você não me ama mais.
Ele tem a mesma voz, o mesmo jeito de falar. Eu levanto a arma, ele continua me olhando, nõ consigo olhar para o rosto dele direito, talvez seja a fumaça. Ele ri.
-Você não consegue.
Ele dá um passo na minha direção.
-Conta a verdade vai, você nunca deixou de me amar não é? Aquilo foi um momento de medo e adrenalina, fala pra mim. Fala pra mim que apesar de tudo você ainda preferia estar lá em São Paulo comigo, saindo comigo, ouvindo as palavras que te deixavam bem.
Ele ri. Eu olho no rosto dele, ele não está mentindo, mas eu tampouco sei a verdade. Não sei se preferia estar em São Paulo com ele ou lutando pela minha vida aqui, não sei se estaria feliz lá. Não sei, não sei, não sei...
-Eu te amo Bia.
Eu olho em seus olhos, estão vermelhos, eu podia jurar que estavam sangrando. Não. Ele nunca disse isso com tanta convicção.
-Abaixa essa arma e diz me me ama também.
-Não...
Ele chega mais perto.
-Vamos lá, eu sei que você consegue.
-Não...
-Eu sempre te amei Bia.
Ele está com a testa encostada no cano da arma. Ele sorri, fala aquilo tudo como se fosse verdade, como se nunca tivesse dito antes.
-Mentira!
Eu grito. Há lágrimas nos meus olhos, e eu atiro. Ele caí eu largo a arma e volto correndo. Não ouço, não vejo, não sinto. Sou um corpo vazio, correndo numa praia de areia ensanguentada enquanto explosões derrubam um império que um louco construiu. Eu estou ajoelhada, não enxergo por causa das lágrimas, não escuto por causa das explosões, não sinto por que tudo que fiz foi me manter viva esse tempo todo. Alguém pega a minha mão. Blast está deitado na areia, há sangue na sua roupa, no canto de sua boca e o fundo branco dos olhos está ficando avermelhado. Eu coloco a cabeça dele no meu colo de novo.
-Você vai ficar bem, vai ficar bem...
Perco a voz, não sei se minto para ele, ou para mim. Sei muito bem que em minutos ele vai morrer e depois se levantar e morder o que encontrar pela frente. Sei muito bem disso. Ele sorri.
-Não, não vai.
Eu rio, devo ter perdido tudo o que tinha dentro da cabeça.
-Tudo isso pra você ser mordido. Belo trabalho, Blast.
Eu sorrio, ele também.
-Pedro.
Ele diz.
-O quê?
-Você tinha perguntado o meu nome. Pedro.
Eu sorrio.
-Custava ter me dito antes? Agora está aí, prestes a virar um cadáver ambulante e fica dizendo essas coisas.
Nós dois rimos, ele começa a tossir freneticamente, vira o rosto para o lado quando o sangue começa a sair.
-Eu não tenho muito tempo.
Ele olha pra mim.
-Ninguém tem tempo o bastante. Nós dois sabemos disso.
-Você devia sair daqui, isso tudo vai pelos ares.
-E deixar você aqui pra virar churrasco?
-Melhor um churrasco do que alguma coisa que vai tentar te matar.
-Não fala isso...
-Mas é a verdade! Você tem que ir, anda logo.
Eu começo a chorar de novo, não posso deixar ele aqui.
-Eu só vou te pedir duas coisas.
Eu sorrio.
-As pessoas normais geralmente pedem uma.
Ele sorri.
-Diz logo.
-Primeiro, você vai ter que atirar na minha cabeça quando eu me transformar.
-Não...
-Deixa eu terminar, e segundo...-Ele faz uma pausa pra olhar o meu rosto- me beija de novo?
Eu sou pega de surpresa, sorrio.
-Primeiro de tudo, foi você que me beijou e segundo você acha que é fácil assim?
Ele sorri.
-Qual é? Eu to morrendo...
Mais lágrimas caem enquanto ele tenta falar alguma coisa.
-Você é muito idiota, se não tivesse nesse estado estaria apanhando agora...
-Cala boca e me beija logo!
Ele diz e se levanta um pouco pra chegar mais perto, ele está com os olhos fechados, talvez pela transformação ou pela dor ou por qualquer outro motivo. Eu não quero pensar que ele vai morrer, não quero pensar que não vou mais ouvir as idiotices que ele diz. Não quero pensar, não quero pensar. Nossos lábios se encostam, ficamos assim por um tempo, eu sinto ele sorrir. Estou com os olhos fechados porque quando eu os abrir, ele vai ter que ir embora. Pra sempre. Ele se afasta, vira o rosto pro lado e tosse mais sangue.
-Olha, nunca pensei que antes de morrer eu ia beijar uma menina como você.
Ele sorri.
-O que quer dizer com isso?
-Você é determinada Bia. Matou uns trocentos zumbis pra salvar os seus amigos, e eu sei que você vai conseguir sobreviver, eu sei disso. Se não for você, não vai ser ninguém.
Eu estou chorando de novo.
-É hora Bia. Você vai ter que fazer isso.
Ele sorri. Não entendo como pode sorrir sendo que está prestes a levar um tiro.
-Se esse lance de nascer de novo realmente existir... Eu vou querer te beijar de novo.
Eu sorrio.
-Idiota.
-Vamos lá Bia, eu sei que você consegue.
Eu não aponto a arma, somente olho pra ele, levanto a mão direita e fecho os olhos enquanto meu dedo pressiona o gatilho. Eu choro, não consigo me mover, não consigo falar, nem gritar, nem nada. Só choro e fico de pé. Eu gostaria de poder ter dito alguma coisa inteligente, alguma coisa que o fizesse se sentir melhor, mas não. Tudo o que fiz foi ser encorajada a atirar nele.
-Bia...
Alguém coloca a mão no meu ombro.
-Temos que sair daqui, agora!
Eu não respondo, não consigo ver quem é. Estou encarando o corpo inerte do menino que acabei de matar. Sem tempo, a pessoa me pega no colo, eu enterro a cabeça no ombro de Lucas e choro. Até não poder mais. Um barulho chama a minha atenção, estamos correndo, eu olho para o alto. Há um helicoptero, Doutor Sociopata está nele.
O pesadelo ainda não acabou.




sábado, 21 de julho de 2012

Perto Do Fim parte III

Não fiz mais do que me remexer na cama por mais de uma hora. Resolvi sair e andar um pouco. Estava mais frio do que na noite anterior, o acampamento estava vazio como de costume. Todos os outros jogadores estavam dormindo e eu era a única do lado de fora. Perto do portão estavam alguns guardas. Eu achei melhor não chegar perto, esperei Blast voltar escondida atrás de um arbusto. Passaram-se algumas horas, eu estava encolhida atrás de um arbusto quando Blast colocou a mão no meu ombro.
-Deus!
-Desculpa.
Ele sorriu, eu me levantei esfregando os braços congelados.
-E aí? Como foi?
-Eles aceitaram o plano. Vão acabar com isso tudo durante o desafio.
Eu o abracei.
-Vamos sair daqui finalmente!
Eu olhei seu rosto.
-O que é isso no seu queixo?
Ele deu um passo para trás.
-Não é nada.
-Deixe-me ver.
Eu me aproximei. O queixo dele estava com um ponto roxo, bem perto da boca. Eu passei os dedos por impulso, Blast virou a cabeça.
-Desculpa.
-Sua mão tá gelada.
-Eu estou inteira gelada.
Ele sorriu.
-Então vamos entrar. Eu acho que amanha vai chover, dia de desfio de resistência.
Andamos de volta até a minha barraca.
-É melhor ir contando os dias Ghost, daqui a pouco vamos sair daqui.
-Bia.
-O que disse?
-Meu nome é Bia.
Ele sorriu.
-Bem, então é melhor ir contando os dias Bia.
Ele virou as costas e começou a andar.
-Blast?
Ele se virou.
-Não vai me dizer seu nome?
Eu sorri, ele deu um passo na minha direção.
-Eu não pedi para você dizer o seu.
Ele riu e se virou.
-Blast...
-Diga.
-Pra onde você vai quando sairmos daqui?
Ele ficou em silêncio alguns segundos.
-Não sei. Ainda tenho algum tempo pra pensar nisso.
E saiu andando, entrei na barraca e me cobri com o que tinha ali. Não demorei muito pra adormecer. Pela primeira vez em muito tempo eu não tive um pesadelo, estava na praia das conchas, sentada na areia observando o mar.
-Vamos?
Bast estendeu a mão para mim e me ajudou a levantar.
-Tem certeza de que quer pular? É muito alto!
Ele riu.
-Deixa de ser boba criatura, nada de mal vai acontecer.
Escalamos as pedras no canto da praia para chegar ao penhasco. Era como eu chamava o lugar onde as pedras davam espaço para a imensidão azul. Era mesmo muito alto, todas as vezes que cheguei aqui, desisti na última hora.
-Eu não sei não...
Blast me segurou pelos ombros e me olhou bem nos olhos.
-Olha pra mim, nada de mal vai acontecer está bem? É só um pulo. Vamos lá.
Eu esperei alguns instantes. Cheguei na borda para olhar, não havia pedras lá em baixo, apenas o mar e as ondas.
-Então vamos no três...
Eu me virei mas não encontrei Blast. Não havia nada ali. Me desesperei e comecei a gritar seu nome, ninguém respondia. Não havia nada. Fiz o caminho de volta e escorreguei em uma das pedras, machuquei a perna. Alguém grita atrás de mim, volto para o penhasco a tempo de ver o Doutor Sociopata cortar o pescoço de Blast. Eu mordo o punho, mas ele escuta o grito abafado e se vira para mim, limpando a faca na blusa.
-Uma pena não é mesmo? Primeiro os seus amigos, depois este pequeno impostor aqui... Uma pena.
-O que ele fez pra você!
Eu estou gritando com ele, não posso suportar, todos aqueles perto de mim morrem. Todos morrem, mas Jason faz questão de que eu fique sozinha, seja sua jogadora. Ganhe o seu desafio.
-Ele ia tirar você daqui, assim como os seus amiguinhos. Não posso permitir tal coisa.
Ele passa os dedos pela minha bochecha, eu me afasto.
-Não seja tão dura consigo mesma, acontece que você fez um trato comigo. Eu deixaria seu amiguinho em paz e em troca você seria a minha jogadora.
-Mas você os matou.
-Isso foi antes de fazermos o trato.
-Não há trato algum!
Ele agarrou os meus cabelos e colocou a faca na minha garganta.
-Então há uma ameaça. Colabore ou terei que arranjar outra jogadora.
-Então comece a procurar.
Ele sorriu. Eu dei soquei seu rosto e me afastei. Ele se recuperou e vinha na minha direção, eu andava par trás com cuidado, estava perto da borda.
-Você é a minha jogadora Bia, não há como fugir.
Ele tentou puxar meu braço mas eu puxei de volta, caindo na imensidão azul.
Acordei num salto, meu coração estava tão acelerado que martelava em meus ouvidos. Saí da cabana, garoava em pouco e todos os outros jogadores estavam saindo do acampamento. Eu os segui, eles estavam indo para  Arena.
-"BEM VINDOS APOSTADORES, HOJE TEREMOS UMA PEQUENA MUDANÇA DE PLANO. TODOS OS JOGADORES DEVEM SE APESENTAR PARA O DESAFIO DE RESISTÊNCIA".
A voz eletrônica começava mais um jogo. Encontrei Ky e Bloom no meio do caminho para a Arena.
-O que é esse desafio de resistência?
-É algo bem simples na verdade, você tem que dar conta de um zumbi, cada jogador recebe um.
-Só isso?
Bloom se vira para mim.
-Acontece que você não pode matá-lo. Apenas fugir e não deixar ele te morder, até que só reste você na Arena.
-Nossa.
-É muito disputado, alguns preferem mutilar o zumbi pra que ele fique mais lento e não consiga te perseguir, outros preferem se esconder. E há os burros que preferem deixar o zumbi cansado.
-Isso é loucura!
-Não se preocupe Ghost, capitães de equipe não fazem parte desse jogo.
-Então vocês estão salvos, ninguém me disse nada sobre ser capitã.
Eles olharam para mim.
-Você não viu o comunicado? Apareceu hoje de manhã.
-Não...
-Tiraram  a Darkness Death do comando. Você é a nova co-capitã da equipe azul.
-Nossa.
-Parabéns!
Ky me abraçou e me guiou até uma área onde podíamos sentar e assistir. Não que eu tivesse escolha.
-Já vai começar, as PET's estão entregando as armas. Sabia que você é a única com uma espada? Eu tenho uma faça de caça.
Ky parecia ansioso.
-Bem, na minha estreia era a única opção plausível.
-Plausível?
Eu ri.
-Sim, plausível. A única coisa que seria sensato escolher.
Ele ficou quieto por alguns instantes e resmungou.
-Tenho cara de dicionário?
Eu ri de novo, Bloom me cutucou com o cotovelo.
-Olha só, DD recebeu uma arma nova.
-O que é aquilo?
-Parece um mangual.
Eu olhei para Bloom.
-O que diabos é isso?
-Uma arma medieval, é uma bola de metal com saliências pontudas presa ao cabo por uma corrente.
-Pra mim o nome disso é arma e fim.
Ela riu.
-Era a melhor aluna da classe de história.
-"ATENÇÃO JOGADORES, O JOGO VAI COMEÇAR."
A buzina soou e da areia brotaram pontinhas de metal, depois grades e por fim, cada jogador estava preso em uma gaiola de metal. Eles estavam confusos e irritados, os zumbis eram trazidos em fila, sendo colocados perto de cada gaiola.
-O que diabos...
-Isso nunca aconteceu.
-Parece que alguém quer deixar o jogo um pouco mais difícil.
Eles olharam para mim. A buzina soou, os zumbis entraram. Muitos jogadores foram mordidos pela confusão do momento. Ouvimos os gritos desesperados dos jogadores, os gritos animados dos apostadores, e o som da luta incessante de acontecia á nossa frente. Eu virei o rosto. Ky colocou a mão no meu ombro.
-Não é mesmo uma cena fácil de assistir.
Eu balancei a cabeça positivamente, a chuva aumentou. Eu ficava ensopada e com frio a medida que o jogo acontecia. Apenas alguns jogadores continuavam de pé, eu não me importava em ver as cores, não me importava em ver quais jogadores haviam sobrevivido. Ficamos ali por mais algumas horas, haviam apenas dois jogadores, a chuva continuava nos castigando enquanto os jogadores corriam, pulavam e lutavam por suas vidas. Eu achei que ficaríamos ali pra sempre, num golpe único e certeiro, DD lançou alguma coisa pequena e afiada no garoto da outra gaiola. Ele caiu imóvel. Todos os capitães se levantaram incrédulos a Arena inteira em silêncio diante de uma menina ofegante. Eu estava de boca aberta, nenhum jogador usou tal modo para ganhar. Todos continuavam em silêncio, DD olhava para cada um de nós, parou os olhos furiosos em mim, deu um sorriso malicioso e continuou olhando. Doutor Sociopata começou a bater palmas, a Arena aplaudiu. Eu cruzei os braços, aquela sim era uma menina de baixo nível. Seguimos de volta para o acampamento, já havia anoitecido. Eu estava com tanta fome que poderia comer qualquer coisa e estava com tanta vontade de beber coca-cola que podia ouvir minha mãe dizer "Bebe água Beatriz, isso aí vai te matar." Debaixo da chuva, com frio e incrédulos, o restante de jogadores retornou para o acampamento da equipe azul.
-Parece besteira nos dividir agora.
-Quantos sobraram? Cinco? Éramos 70 jogadores!
-Eu disse que seria um banho de sangue, todos vocês achavam legal viver o sonho gamer de vocês, mas pessoas morriam! Pessoas, não a imagem que voltava segundos depois, seres humanos! A raça que está em extinção, por Deus! Vocês achavam engraçado quando algum companheiro era morto por um zumbi, vocês nem ligavam se ele tinha família ou não!
Eu estava exausta, gritava para todos eles ouvirem,todos os jogadores estavam em um círculo a minha volta, DD deu um passo á frente.
-Belo discurso, mas isso não vende. Entramos aqui por vontade própria, aceitamos as regras, deixamos tudo para trás.
Olhei rapidamente para a adaga na minha cintura, eu poderia matá-la, estaria fazendo um grande favor para todo mundo e estaria me protegendo. Ela não parecia exitar se tivesse a chance de colocar a adaga na minha garganta. Por outro lado, não a mataria assim, sem mais nem menos. Eu tenho princípios, e um caráter que não pretendo perder tão cedo.
-O que foi bonitinha? Sem palavras?
-Não, apenas, analisando as possibilidades.
Ela me observou por um segundo.
-Quais possibilidades?
-Enfiar essa faca na sua garganta agora mesmo, ou calar essa sua maldita boca. Você matou um garoto que nem conhecia! Você foi a única a matar outro jogador, você não percebe? Você é baixa, fria e cruel. Aposto que não tinha nenhum amigo lá fora, por isso se sente tão confortável em matar assim. Você não tem amigos DD, você tem pessoas que tinham medo de você, mas agora acham que você é desprezível, como a vaca gorda e suja que você é.
Ela avançou em mim, agarrou o meu pescoço com as duas mãos e me derrubou na areia, ela gritava nos meus ouvidos. Eu tentava soltar as mãos dela do meu pescoço, ela era forte, mas não tinha técnica nenhuma. Eu prendi suas mãos com as minhas, ela se debatia freneticamente enquanto eu tentava segurar seus braços.
-Quando você vai aprender que eu sou mais forte que você?
Ela continuava se debatendo, eu prendi seus braços em suas costas e coloquei sua cara na areia.
-Fica quieta!
Eu a levantei.
-Eu vou te matar sua pirralha!
Eu chutei a parte de trás dos seus joelhos, ela caiu na areia.
-Tá bom, como se você já não tivesse tentado antes.
Ela resmungou alguma coisa. Dois meninos vieram me ajudar com ela, agarraram seus braços e a levaram para dentro do acampamento, ela gritava e se debatia enquanto eles tentavam acalmá-la. Minha cabeça girava e minha bochecha ardia, ela deve ter me arranhado quando caímos. Ky e Bloom vieram me ajudar.
-Você tá bem?
-Parece pálida...
-Eu estou bem, só cansada.
-Seu rosto tá sangrando.
-Eu já vejo isso.
Me sentei na areia enquanto eles procuravam um pouco de água para mim. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ter brigado com DD, agora eu estava acabada, poderia ficar ali sentada contanto que a chuva parasse. O restante dos jogadores se reuniu para comentar a briga, ou fugir da chuva. Meu cabelo pingava na roupa que já estava encharcada.
-Tudo bem?
Eu olhei pra cima.
-Eu quero sair daqui.
Blast sorriu.
-Essa não foi a minha pergunta.
-Eu sei lá, devo estar bem.
-Você tá sangrando.
-É só um arranhão.
-Deixa eu ver isso.
Ele sentou ao meu lado e puxou meu queixo para o lado.
-Tá doendo?
-Não muito.
-Vem comigo.
Ele me ajudou a levantar e andou comigo até o mar, a chuva havia diminuído bastante, mas o mar continuava revolto.
-Acho melhor lavar com a água do mar, vai ajudar bastante.
-Mas a aguá deve estar gelada.
-Você já ta encharcada, não faz diferença.
Ele riu.
-Mesmo assim.
-Então eu pulo com você.
-Pular da onde?
-Lá de cima.
Ele apontou para o penhasco do meu sonho. Eu dei um passo para trás.
-Vamos lá, não acredito que tenha medo de altura.
-Eu não tenho.
-Então qual o problema?
-Nada... Eu só...
-Vamos lá Bia, é só um pulo. Eu já fiz isso várias vezes.
-Tudo bem então.
Ele pegou minha mão e me guiou até o penhasco.
-Só uma dica. Prende bem a respiração, se você gritar engole água.
Ele sorriu eu acenei com a cabeça.
-No três está bem?
Desse vez a fala foi dele. Mas nada aconteceu, ele ainda estava ali. Ainda segurava a minha mão.
-Um...
Eu olhei para o horizonte, onde o céu cinzento se encontrava com a imensidão azul.
-Dois...
Fechei os olhos enquanto dávamos um passo a frente.
-Três.
Uma rajada de vento enfurecido bagunçou meus cabelos enquanto caíamos de encontro ao mar. A água estava gelada, e era fundo. Mais fundo do que eu já me permiti chegar. Com os olhos fechados eu imaginava o que a imensidão azul escondia. Abri os olhos devagar, analisando se o sal não machucava os olhos, ardeu por um instante mas depois eu estava afundando, enterrando os pés na areia e olhando para as pedras á minha frente. Ainda tinha fôlego, nadei até a parede de pedras para ver um pequeno ouriço do mar, tentei pegá-lo nas mãos mas espetei o dedo e me afastei bruscamente. Bati em algo gelado e duro, ao me virar dei de cara com olhos vermelhos, olhos que eu conhecia muito bem. Vinícius estava amarrado por uma corrente á uma pedra, ele tentava arrancar a corrente e me alcançar ao mesmo tempo. Eu gritei, e perdi todo o ar que me restava, engoli a água salgada por engano quando tentava desesperadamente nadar para a superfície. Ele agarrou meu pé, eu não tinha mais ar, não tinha mais nada. Chacoalhei minha perna com força pra tentar me soltar, tentava arranjar um meio de me colocar de volta á superfície. Blast puxou minha mão e me içou de volta a superfície, me puxou para a areia molhada e segurou minha cabeça com as duas mãos. Eu chorava, tossia e tentava entender o que estava acontecendo.
-Bia! Olha pra mim, o que aconteceu....
-Ele... estava lá.
-Ele quem?
Eu tossi várias vezes antes de poder falar outra vez.
-Um menino que eu conhecia.
-Bia.
Ele me forçou olhar pra ele.
-Você enroscou sua perna em algumas algas. Do que você tá falando?
-Eu vi ele, vi os olhos dele.
Eu estava chorando e tossindo outra vez. Blast me abraçou.
-Desculpa, eu não devia ter feito você pular. Vem, eu vou buscar alguma coisa pra você comer enquanto se seca tá legal? Depois tenho uma coisa pra te dizer.
Balancei a cabeça uma vez, deixei que ele me levasse até minha barraca, permiti que ele me desse o único cobertor que tinha para que eu parasse de tremer, ainda não podia acreditar, eu devo estar ficando louca.
-Seus amigos...
Eu o olhei, ainda estava tremendo, podia ser o frio ou a adrenalina. Talvez fossem os dois.
-Deus sua boca está roxa!
Ele me abraçou tão forte que perdi o ar, mas estava mais quente. A chuva havia recomeçado, não seria uma noite fácil.
-O... O que tem meus amigos?
-Vamos explodir a Arena durante o nosso desafio, achei que você devia saber.
-Então seguiram o plano da PET?
-Sim. Vamos preparar tudo hoje a noite, mas os guardas ainda estão por aí. É melhor você não vir.
Eu me afastei.
-Não vir? Não vir... Eles são meus amigos, vão mexer com explosivos e é melhor eu não vir?
-Você é uma gracinha nervosa.
-Cala a boca.
-Viu?
Eu grunhi.
-Posso te fazer uma perguntinha?
Ele sorriu.
-Claro.
-Você por acaso é bipolar? Porque numa hora finge que eu não existo, na outra me beija, numa hora me ignora e agora diz que eu sou uma gracinha?
Ele riu.
-Então você anda pensando no beijo que eu te dei.
-De jeito nenhum!
Ele olhou meus olhos por um instante, eu desviei o olhar.
-Pensa sim.
-Não.
-Então olha pra mim e diz isso.
Eu relutei um pouco em olhar, mas depois o fiz.
-Não pensei.
Ele me analisou por um segundo e se afastou.
-Uma pena.
-Porque?
-Porque eu faria isso de novo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Narração- Lucas.

Assim que deixamos a cabana, voltamos para a praia.
-Alguém mais conhece essa entrada?
As meninas balançam a cabeça negativamente, eu aperto o volante do Jipe com mais força. Eu deveria ter cuidado dela. Mas a deixei sumir, deixei que a levassem.
-Só a Bia conhecia o caminho, só ela sabia como entrar.
Anne, a menina que se juntou á nós no mercado havia participado mais do que nós. Descobriu a marca de pneus, soube raciocinar direito. Eu só sou um  idiota que deixou que levassem a única menina que me fazia parecer normal depois do que houve.
-----
-Eu não acho isso certo.
Passava da meia noite e eu estava com o pessoal num galpão onde nos reuníamos. Felipe, Diego e Julia estavam comigo.
-O que acha Lucas?
Ela sorri para mim.
-Eu acho que devemos ir em frente, chegamos até aqui podemos ir até o final.
-E a casa vai estar vazia?
-Vai sim.
Júlia senta na capô do carro que vamos usar pra chegar na minha casa de praia.
-Então, vamos?
Felipe está animado, ele nunca fez nada disso antes. É o novato da turma por assim dizer.
-Lucas, você dirige.
Diego jogou as chaves do gol preto que iríamos dirigir. Júlia se levantou e veio ao meu lado.
-Vê se dirige rápido, tá?
Ela sorriu e foi para o banco do carona. Eu entrei e dei a partida, saímos do galpão em direção á estrada. As ruas laterais estavam mal iluminadas e desertas, o que facilitaria a nossa viagem. Estava tudo muito quieto exceto pelo rádio do gol que estava um pouco alto demais. Felipe e Diego cantavam a música no banco de trás. Julia estava com a janela aberta deixando seus cabelos loiros bagunçados com o vento. Eu voltei meus olhos pra estrada, não podia me distrair. Não tenho carteira e estou abusando, manter os olhos no caminho é o mínimo que eu podia fazer. Eu checo os retrovisores, ninguém nos segue, ninguém na rua. Isso é estranho, mas nos ajuda muito. Julia pega a minha mão que estava na marcha. Eu a olho por um segundo.
-Obrigada por levar a gente.
Eu sorrio.
-Não por isso.
Ela ri e me beija na bochecha. Eu sorrio e mudo a marcha. Estou olhando para a rua a minha frente quando algo no retrovisor me chama a atenção. Eu diminuo e continuo olhando pelo retrovisor. Parece ser um homem maltrapilho correndo atrás de outro, eu ignoro por alguns instantes. "Deve ser só algum assalto" mas o homem derruba o outro e começa a atacar ele, se debruça sobre seu corpo enquanto o outro homem rita, se debate e tenta escapar. O homem que o derrubou o morde. Eu me espanto e continuo olhando a cena, Julia grita. Eu olho para frente a bato com o carro na lateral da pista. Eu não vejo nada se não o rosto em pânico da menina que amo. Não sinto nada além do vento que se revolta entre nós e sua mão apertando a minha. Não ouço nada se não os gritos de todos nós. Eu apago. Estou num escuro sem fim, não há carro, não há rodovia, não há gritos nem vento. Apenas eu e o escuro. Minha perna dói, eu enfim abro os olhos. Estou preso pelo cinto no carro, capotamos. Não há mais ninguém acordado, eu toco no braço de Julia, mas ela não se meche. Eu me desespero, tento tirar o cinto mas ele está emperrado. Não há nada para me ajudar. Eu tateio pelo chão do carro procurando pelo canivete do Diego, está em algum lugar por aqui. Eu o acho, corto o cinto e chuto a porta para sair. O carro está destruído. Deixamos um rastro de peças e terra pra todo o lado. Eu me ajoelho e soco o chão. Se eu não tivesse me distraído, se eu tivesse olhado pra estrada. Eu chuto a terra que está manchada de sangue, ouço sirenes. Corro dali. Vou para qualquer lugar.
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-Tem certeza que é por aqui?
Estamos no meio da mata, Gabe acha que esse é o caminho que leva até a praia.
-Eu acho que sim, é a única trilha no sentido do mar que achamos em duas horas. Eu não tenho certeza do caminho, tenho certeza de que o mar é pra lá.
Ele continua andando. Phelipe está conosco. O resto ficou nos carros.
-Estamos andando há mais de meia hora.
Gabe parece cansado. Ele está com um ferimento nas costelas.
-Só mais um pouco.
-Eu acho que é aqui.
Eu olho para Gabe.
-Essa é a praia eu tenho certeza.
Estamos numa clareira, ouço algo parecido com ondas ao fundo.
-Então ela está por aqui, vamos em frente.
Sou surpreendido por alguém que saí detrás de uma árvore. Ela veste um all-star preto de cano alto, um shorts com rebites de ferro pendurados, uma camiseta preta com um pedaço rasgado, a estampa é uma caveira. É a Bia. Ela abraça nós três de uma vez.
-Eu achei que nunca mais veria vocês.
 Nós a soltamos.
-Você achou mesmo que iríamos deixar você sumida?
-Não.
 Ela sorri e nos abraça mais uma vez.
-Então vamos.
 Eu pego sua mão e começo a voltar para dentro da floresta.
-Eu não posso.
 Nós a olhamos.
-Isso aqui é uma loucura, é um jogo doentio que não vai acabar, e eu não quero que continue.
-A gente sabe, mas isso podia ficar pra depois.
 Gabe fala com ela.
-Eles vão me achar de novo, eles sabem que estão aqui. Vão continuar me trazendo até que eu jogue e ganhe.
 Ficamos em silêncio por alguns minutos.
-Tem um cara, parece ser o dono disso aqui, ele quer que eu aceite o desafio, quer que eu jogue conforme suas regras, só assim ele vai me deixar ir.
 A olhamos por alguns instantes, Lucas pega o meu colar de identificação.Eu vejo um colar do exército pendurado em seu pescoço, o nome Ghost está gravado junto com uma estrela preta.
-O que isso quer dizer?
-Quer dizer que eu já estou aqui, e não posso fugir.
-Então o que a gente faz? Não vamos falar para os outros que te achamos e você quis ficar.
-Eu não quero ficar, eu só não quero voltar pra cá nunca mais. Eu tenho que saber o que está rolando aqui, e depois acabar com tudo.
-Quer saber? Então tá. Isso aqui é um jogo multibilionário com apostadores mundiais. O dono disso aqui foi quem criou o vírus, ele vendeu para representantes do mundo inteiro que espalharam a infecção. Novos jogadores são trazidos a cada semana até ter um total de 70 jogadores, e aí começa a batalha de cada equipe até sobrar um só representante que vai aceitar um desafio moldado só para essa pessoa. E o desafiante não tem como vencer.
-Como vocês sabem disso?
-Entramos naquela cabana lá atrás, o cara deixou todos os arquivos abertos.
-Então eu já sei o que fazer. Mas não aqui, não agora, provavelmente os outros acordaram, vão vir me procurar. Me encontrem aqui, quando anoitecer. Pode ser que eu demore um pouco, mas continuem aqui.
-A gente não vai deixar você ficar.
-Vocês tem que deixar, ou isso nunca vai parar.
Eu não quero que ela fique, por mim agarrava ela e a arrastava de volta para o Jipe. Mas ela tem razão, o cara que a sequestrou a quer por um motivo, e ele não vai deixá-la por um preço tão barato assim. Voltamos para a estrada, as meninas nos olham com caras decepcionadas.
-Ela está la.
Elas correm na minha direção furiosas.
-E você a viu?
-Porquê ela não está aqui?
-O que aconteceu?
Eu ergo as mãos.
-Esperem um segundo!
Explico para elas o que a Bia disse, elas entendem. Depois ficam furiosas.
-E como você deixou que ela ficasse?
-Eles vão matar ela!
-E a culpa é sua!
Eu grito.
-EI!
Elas me olham.
-O que vocês queriam que eu fizesse? Amarrasse ela e a trouxesse a força? Ótimo, mas aí eles iriam evá-la de novo. Seja lá o que esse cara quer, é pessoal com a Bia. E eu não posso fazer nada pra ajudar, mas ela tem um plano. Confiem nela. Deus! A gente já achou ela, a parte mais difícil já foi.
Eles ficam em silêncio. Eu sento no capô do Jipe. Gabe vem ao meu lado.
-E o que a gente faz? Espera até meia noite pra depois entrar na floresta?
Eu balanço a cabeça uma vez.
-Ela vai dar um jeito de acabar com essa maluquice, eu confio nela.
-Nós também.
Eles disseram em coro. Ficamos perdidos em conversas paralelas, eu ainda não acreditava que a tinha encontrado e ela quis ficar. Estava visivelmente irritado. Ouvi alguma coisa. Parecia alguém correndo. Chamei Gabe.
-Tá ouvindo isso?
Eu disse a ele.
-Acho que sim. Parecem... Pessoas correndo?
-Pessoas não.
Eu vi alguns zumbis correndo na nossa direção.
-Entrem nos carros!
Mas era tarde demais, eles não vinham apenas da floresta, corriam para nós vindos da estrada, das lojas e sabe-se mais de onde. Estávamos cercados. Eles nos alcançaram no momento em que Anne pulou na caçamba, nem todos estavam nos carros. Eu desci.
-Entrem logo!
Milly e o menino que me deu carona até aqui estavam cercados por um grupo de cinco zumbis. Gabe veio ao meu lado.
-Vamos precisar disso.
Ele me entrega uma arma que pegamos na delegacia.
-Disso também.
Eu alcanço a mala e pego alguns pentes de munições. Corremos para ajudar mas é em vão, os zumbis já estão em cima deles, há sangue espalhado pelo chão. Eu continuo, mesmo depois de ver seus olhos se fechando, mesmo depois de suas mãos caírem ao lado do corpo. Mesmo depois das balas acabarem. É preciso que Gabe me arraste de volta para o Jipe até eu parar, mas eu continuo gritando, continuo me debatendo até estar dentro do carro. Há sangue nas minhas mãos. Há sangue escorrendo pelo meu rosto, eu olho pela janela. Consigo ver as montanhas que limitam a ilha. Esse não é o paraíso que achamos que fosse, não é o ponto seguro que a Bia acreditava. Estávamos enganados, estávamos presos e sem lugar para ir. Eu me preocupei, para onde iríamos depois que tirássemos a Bia de lá?  Cidades grandes eram um suicídio, não podíamos ficar aqui. Para onde iríamos? Paramos o carro alguns metros antes da balsa. Phelipe desceu do carro junto com o resto das pessoas. Anne saiu da Hilux procurando por Milly entre nós. Vi as lágrimas no seus olhos, vi ela morder o punho para não chorar, vi ela correr para a água e gritar. Gabe foi atrás dela, nós encaramos o chão. Eu soquei a grade que protegia as janelas do Jipe. Sentei no asfalto quente e esperamos. Gabe não voltou com Anne até o sol se pôr. Havíamos comido qualquer coisa que pegamos no posto. Anne estava com o casaco de Gabe, o capuz puxado mesmo no sol da tarde, ele a abraçava e ela olhava para o chão. Eu olhei para o lado. Costumava ficar assim com a Julia quando estávamos no colégio.
-O que vamos fazer com a Bia?
Eu olhei para Phelipe.
-Vamos encontrá-la, ouvir o que ela tem pra dizer e tirá-la de la.
-Eu não gosto nem um pouco da ideia que ela tem. Apesar de ter salvado a gente, ela se meteu em encrenca.
A namorada do Phelipe se virou para mim.
-Mas também cometemos erros, a Bia era a única que estava sozinha no hotel, por outro lado, não acho que o sequestrador hesitaria em levar os dois.
Eu concordei.
-Eu sempre disse que deveríamos amarrar ela numa cadeira. A Bia é muito enérgica, nunca tá parada, quando bebe refrigerante na madrugada não há quem aguente.
Eu sorri.
-Então, como medida de prevenção, a gente amarra ela e trás de volta.
Eles riram.
Phelipe olhou para o relógio de pulso.
-Se quisermos chegar á meia noite, temos que ir agora.
Nos levantamos.
-Montem um acampamento aqui. O mais perto da água que conseguirem. Voltamos assim que possível.
Larissa acenou com a cabeça.
-Voltem com ela.
-Não voltaremos de outro jeito.
Eu, Gabe e Phelipe entramos no Jipe. Eram quase meia noite. Eu não estava surpreso, o tempo passa rápido aqui na ilha, como se 24 horas não fossem o bastante. Deixamos o carro na entrada da trilha, apenas o deixamos lá e entramos na floresta. Estava escuro mas ainda dava para ver o sangue, as marcas de mãos, não havia mais corpos, apenas o sangue e as marcas. Me concentrei em olhar para a frente, para os galhos, as folhas, a terra. Nada de sangue. Nada de zumbis. Chegamos na clareira e esperamos, ela não havia chegado. A lua ficaria cheia em alguns dias, havia muitas estrelas no céu.
-Ela ainda não chegou.
Eu olhei para Gabe.
-Ela vai vir.
-Não. Não vai.
Alguém se aproximava de nós, não era a Bia.
-Quem é você?
Eu me levantei.
- Sou amigo dela.
Eu olhei para Gabe. Ele olhou para o menino e acenou com a cabeça para mim.
-Cadê ela.
Ele deu um passo em nossa direção. Estendeu um colar. Era o mesmo colar que ela estava usando naquela manhã. Eu peguei o colar, se ele estava aqui, se a Bia não estava e se um "amigo" dela tinha vindo então ela estava.... Eu soquei o "amigo" dela, ele ajoelhou no chão e me xingou.
-Droga cara! Porque fez isso?
-Cadê ela!
-Tá no acampamento seu maluco! Eles estão vigiando ela, sabem que ela quer fugir.
Ele tirou a terra da roupa e se levantou.
-Eles pegaram ela correndo pela floresta hoje. Tem guardas na entrada do acampamento, ela não poderia vir. Seja lá o que ela sabe Jason está muito interessado nela.
Phelipe veio ao meu lado.
-Jason? Jason Mueller?
-Sim, acho que é isso.
E me virei para Phelipe.
-O que foi?
-Estudei com esse cara. Droga, eu deveria saber.
-Saber o quê?
-Todo o tempo que estudamos juntos, ele era obcecado por zumbis e morte e apocalipses, ele era maluco, escolheu estudar biociência pra ver se tornava tudo aquilo realidade.
-Que maluco.
-E o que isso tudo tem a ver com a Bia.
-Eu não sei.
-Então a gente vai ter que descobrir.
O amigo da Bia limpa a garganta.
-Ela tem um plano.
-Me diga qual é.
-Bom, eu não sei. Isso sabe.
Ele balança o colar para nós. Eu fico sem entender. O amigo da Bia diz PET em voz alta e deixa o colar no chão. Um holograma surge na forma de uma menina loira de franja.
-Saudações, meu nome é PET, sou o Programa de Evoluão Técnica. Estou destinada á jogadora de nome Ghost.
Ela fechou os olhos por um segundo. Ficou em silêncio, Gabe estendeu o braço para tocá-la mas eu disse não com a cabeça. A menina voltou a abrir os olhos, olhou para nós todos.
-Ela deve estar em apuros.
-O que disse?
-Ah, desculpe-me. Esse é uma mensagem de reiniciamento. Todas as vezes que me converto nos chips sou obrigada a reproduzi-la. É um saco.
Ela sorriu. Andou na minha direção e parou á alguns passos. Eu não daria nem 6 anos para a garota.
-Vocês são os amigos da jogadora?
Eu concordei com a cabeça.
-Desculpe, não posso falar o nome dela com outro jogador presente, são as regras, mas enfim. Tenho um plano para vocês.
Sentamos em círculo enquanto escutávamos o plano da garotinha.
-Há uma arena alguns metros antes do mar, ela é cercada de arquibancadas onde os apostadores ficam esperando por seu campeão, um pequeno fato, Ghost, depois de sua estreia onde matou o primeiro zumbi sozinha, está liderando a porcentagem de apostas a seu favor, 78% esperam que ela vença, 12% esperam que um jogador a mate e 10% esperam que ela seja mordida. Enfim, ela faz muito sucesso. Tem uma sala onde o criador esconde explosivos que usa para conter os zumbis quando eles ficam agitados, vocês poderiam pegar algumas caixas, colocar nos portões, nos acampamentos e nas arquibancadas. Os explosivos são detonados por controle de modo que podem explodir ao mesmo tempo. Ela só teria que jogar a final pra poder distrair todos os jogadores e apostadores e o próprio criador. E então vocês explodiriam esse lugar.
-Espera.
Eu me levantei.
-O cara criou você. Porque está nos ajudando?
Ela sorriu e se levantou.
-Acho os humanos fascinantes. Suas emoções, seus instintos. O modo que agem quando são induzidos pelo medo, pela raiva. O criador despreza a humanidade, tanto que criou algo para acabar com ela, eu não gosto dele. A sanidade também é algo que me interessa nos humanos, é tão fácil perdê-la e é algo tão importante.
Ela estala a língua em reprovação.
-Há mais... PET's?
Gabe pergunta. Ela sorri. Sua imagem treme e oito meninas muito parecidas surgem.
-Somos as originais, nove programas que iriam ajudar os jogadores.
-Parecem gêmeas estranhas que vão nos matar.
Elas riem ao mesmo tempo. Eu me assusto.
-Somos gêmeas, mas não vou matar vocês. Pena que minhas irmãs não pensem o mesmo. Eu sou a primeira PET, o criador me fez com uma capacidade mais humana do que as outras, ele queria companhia. Por isso posso fazer minhas irmãs originais aparecerem, as outras não. Mas eu tenho limites como toda máquina. Preciso ser carregada oito horas por dia, como se fosse dormir. Praticar os truques que faço como trazer minhas irmãs aqui, ou me converter para o chip acaba com a minha bateria mais rápido do que seu eu fosse apenas o programa que sou.
Ficamos em silêncio.
-Você acha mesmo que isso vai funcionar? Esse lance dos explosivos?
-Sim. Posso levá-los para a sala agora. Temos quatro dias até a lua cheia. Quatro dias para acabar com essa loucura.
-Eles não podem entrar.
O amigo da Bia se tornou presente de novo.
-Há guardas por todo o acampamento. Eles não conseguiriam sair da floresta.
- O que vamos fazer então?
-Eu posso ir até la e trazer para vocês. Não seria complicado, Jason me dá as chaves de todas as salas do escritório.
Acenamos com a cabeça.
-Se a Bia confia em você, então confiamos também.
-Mas está tarde. Amanha vai ter um desafio. Enquanto ele acontece, posso trazer os explosivos para vocês.
-Que horas?
-Perto do meio dia.
-Estaremos aqui.
Apertamos as mãos. PET se despede e transforma-se outra vez em um colar.
-A propósito, desculpe pelo soco.
Ele sorri.
-Não foi nada.
E ele desaparece na floresta.
-Então, a gente volta?
-Sim. Temos um plano para botar em ação.Voltamos para o Jipe, dirigimos até a balsa e preparamos tudo. Larissa se mostrou uma ótima opção para montar os dispositivos, como médica ela tem mãos delicadas. Anne se ofereceu para carregar os explosivos, as amigas da Bia se ofereceram para ajudar a colocar os explosivos. O Phelipe detonaria as bombas, eu e Gabe tiraríamos a Bia de lá. Estava tudo pronto. Iriamos tirar a Bia de la.

sábado, 7 de julho de 2012

Perto do Fim. Parte II

Eu fiquei parada. Estava em pânico e não podia fazer mais nada.
-Sai daí.
Eu obedeci. Eu estava encharcada, fui deixando um rastro molhado enquanto saía da poça.
-Ora, ora, ora. É bom tê-la aqui sabia disso?
Eu contraí os ombros, estava frio fora da água.
-Vire-se.
Eu obedeci. Darkness Death me revistou e tirou do meu passa-cinto a adaga que tirei da menina do amarelo.
-O que  você quer de mim?
-Você se acha muito esperta não é? Chega agora, dá um kill impressionante no zumbi, ganha a confiança de todos os jogadores á sua volta com apenas um dia aqui. Impressionante.
-Você tem ciúmes?
Ela chuta a dobra de meus joelhos e eu caio na areia em volta da poça.
-Não seja ridícula.
Eu não tento me levantar, quero saber o que ela está planejando.
-Eu sabia que tinha algo diferente em você, Ghost. Mas não sabia que era algo tão...Comprometedor.
-Do que você tá falando?
Ela agarra os meus cabelos molhados e passa a adaga pelo meu pescoço, não chega a cortar. Ela sussurra no meu ouvido.
-Não se faça de tonta. Eu sei o que você tá planejando.
-Eu juro pra você que não sei do que você está falando.
Ela aperta meus cabelos com mais força.
-Você quer tomar o meu lugar.
Ela chuta minhas costas e eu caio de cara da areia. Não consigo respirar, não enxergo. Eu quero muito quebrar a cara dela. Eu me levanto devagar, tudo dói, tudo machuca, minhas costas estalam quando fico ereta.
-E então?
Ela me pergunta, eu tiro um pouco da areia do rosto.
-A única coisa que eu quero desse lugar, é sair daqui.
Ela ri, investe contra mim, a faca passo a poucos centímetros das minhas costelas. Eu prendo o braço dela com o meu, seguro sua outra mão que tenta me socar, ela solta a faca, dou um joelhada em sua barriga e ela caí de joelhos, Chuto a faca para a poça.
-Eu CANSEI de ver as pessoas tentando me matar.
Ela sorri e tenta se levantar, eu coloco o pé em suas costas e a empurro para a areia
-Não, não, não.
-Você acha que vai ganhar assim, Ghost?
-Assim como menina? Eu estava desarmada e você tinha uma faca e minha adaga. Eu te derrubei usando dois braços e um joelho. Do que você está falando?
Eu a deixo se levantar.
-Estou falando- Ela mexe os cabelos para tirar a areia- De você ter Blast na sua mão, para matá-lo no desafio final.
Eu dou um passo para trás. Como assim? O que ela quis dizer? Ela ri.
-Eu sabia! Sabia que tinha razão. Ou o que? Você acha mesmo que as outras equipes vão sobreviver até a lua cheia? Vão sobrar só os melhores, querida. Infelizmente serão eu, você, Blast, Ky, Bloom e o menino do amarelo que ninguém conhece. Só nós restarão. E será a morte súbita mais disputada de todas. O jogo inteiro foi feito para isso. Descobrir o melhor dos melhores e você tá querendo roubar o meu lugar.
-Roubar o seu lugar?
-Nossa como tu é lerda em! Sim, o meu lugar, o meu troféu, o meu prêmio em dinheiro! Tudo isso é meu.
Eu parei um pouco pra pensar. Éramos muito fúteis. O que ela ia fazer com um troféu e um prêmio em dinheiro se não há mais nada no mundo? Se todos os adolescentes aqui vão morrer até que reste o "melhor", tudo isso em cima de adultos retardados que também só ligam para o dinheiro. Estávamos enganados, estávamos sendo controlados pela ganância que nos cercava. Quase não vi quando DD vinha de novo na minha direção com a minha adaga. Eu a soquei bem perto da boca, ela se abaixou, eu dei uma cotovelada nas costas dela e ela caiu. Eu sentei em suas costas enquanto ela comia areia. Lutar com meu irmão havia realmente me dado forma.
-Eu já não disse que estou cansada das pessoas tentarem me matar?
Tirei a adaga das mãos dela e prendi de volta no meu shorts.
-Tudo bem, tá legal, eu me rendo. Parei. Você é melhor que eu na luta. Onde aprendeu a fazer isso?
-Brigava muito com o meu irmão. Agora vem, não confio em você.
Agarrei-a pelo braço e o dobrei para trás formando um V. Parecia doer. Andei com ela de volta para o acampamento, Blast estava nos esperando no portão.
-O que diabos? Ghost... DD, solta ela pelo amor de Deus!
Eu não a soltei.
-Eu prometo que não vou fazer aquilo de novo. Agora me solta.
-Fazer o que?
Eu dobrei o seu braço com mais força ela se ajoelhou.
-Eu não vou tentar te matar! Droga, me solta!
A soltei e atravessei o portão. Prendi o cabelo úmido num coque, as roupas estavam quase secas.
-Ghost... mas o que diabos ela fez pra você?- Ele ajudou DD a se levantar- Temos que encontrar com Jason. Ele quer falar com a gente.
DD olhou para nós dois.
-A gente quem?
-Eu e Ghost.
Ela resmungou alguma coisa e entrou no acampamento. Blast segurou meu cotovelo.
-O que ela fez pra você?
Ele parecia nervoso.
-Ela tentou me matar, duas vezes. Sorte a dela eu não matar ninguém.
Ele me soltou e começou a andar rapidamente. Eu corri atrás dele.
-Ué, voltamos a estaca zero? Eu tento falar alguma coisa e você é grosso comigo?
Eu rio. Ele continua dando passadas rápidas, eu seguro seu braço.
-Dá pra andar mais devagar? Aquela maluca tentou cometer homicídio comigo...
Ele sorriu.
-O que foi? Ela tentou me matar e você fica aí rindo.
-Não, nada. A maioria das pessoas não fala homicídio.
Eu dou uma cotovelada de brincadeira.
-Não sou a maioria das pessoas.
Apostamos corrida até a sala de Jason, eu ganho.
-Não é justo!
-Nada a ver, você caiu porque é burro.
Ele tira a areia dos cabelos.
-Você me empurrou.
-Assim?
Eu o empurro contra a porta do Doutor Sociopata que está fechada. No momento que Blast bate contra a porta ela se abre e nós dois tomamos um susto. Doutor Sociopata nos observa antes de nos convidar a entrar.
-Sentem-se.
Há uma mesa de jantar para oito pessoas. Doutor se senta na ponta, eu e Blast nos sentamos lado a lado.
-Bom, vocês são uma dupla e tanto!
Nos entreolhamos, eu afasto minha cadeira.
-Vimos hoje que vocês dois atuam melhor em dupla, então eu tenho uma proposta pra vocês.
Eu olho desesperada para Blast. Ele acena com a cabeça uma vez.
-Eu proponho um desafio duplo. É de meu conhecimento que os dois desejam deixar o jogo. Então porque não? Eu vou escolhendo os outros jogadores nesta madrugada e no dia de amanha enquanto os dois vão se preparando. O que acham?
Eu estou sem palavras. Isso não pode acontecer, ele não abriria mão tão fácil assim. Blast não espera que eu concorde. Ele daria tudo pra sair daqui.
-Eu aceito, quer dizer, aceitamos. Nós dois. Estamos dentro.
Doutor sorri e entrelaça os dedos.
-Ótimo. Aproveitem o jantar meus caros.
"Porque pode ser o último." Eu jurei que ele falaria isso. Ficamos em silêncio enquanto ele deixava a sala. Asism que a porta se fechou eu avancei em Blast.
-Tá maluco! O que você pensou quando aceitou? Você é doido, eu não acredito que...
Estava segurando a gola da sua roupa, ele me olhou bem nos olhos. Eu o soltei.
-Você é idiota por acaso? Não se aceita assim, sem discutir, sem pensar sem...
Eu grito. Grito com ele, com o Doutor, com a garotinha e com todo mundo. Sento e apoio a cabeça na mesa. Ele coloca a mão nos meus ombros.
-Eu sei. Me desculpa. É que.. Eu daria tudo pra sair daqui e...
-Sair daqui e ir para onde menino? Não há mais nada lá fora. Não tem sua família esperando por você, nem sua namorada, nem ninguém. Apenas zumbis, sangue e uma vida de fugitivo. Não que aqui seja legal. E eu ainda tenho meus amigos. Mas eu não sei pra onde vamos. O nosso lugar seguro virou uma piada. As outras alternativas foram eliminadas. Somos sem-teto numa era onde não há policiais que impeçam invasão á domicílio.
Ele ri.
-Eu não sei pra onde eu vou. Talvez possa virar sem-teto com você.
Eu o olho furiosa.
-Estou brincando!
-Não diga isso nem de brincadeira.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, eu estou comendo algo parecido com cordeiro ou algo assim. não sei. Eu sei que está bom.
-Eu ainda não sou o cara legal?
Eu sorri.
-Não.
Ele riu.
-Eu sou legal!
-Eu não acho isso.
Ele se senta do meu lado e começa a comer.
-Vou fazer você mudar de ideia.
Eu rio.
-Ah é? Nunca! Você nunca vai ser legal.
Eu termino minha comida e o deixo sozinho na sala. Corro de volta para a floresta. Já está anoitecendo e eu tenho muitas perguntas a fazer. Chego no portão. Eu estava me sentindo fraca e cansada, mas agora estou bem. Poderia arrancar esse portão do lugar. Demoro um pouco para ver a pequena silhueta nas sombras da floresta.
-Eu estou aqui.
Sussurro para as sombras. A menina entra ainda mais na floresta. Ela para perto do tronco caído onde eu e Blast treinamos.
-Você precisa fugir.
Eu ando até ela.
-Como?
-Tudo isso é uma armadilha, o jogo, os zumbis, os jogadores. Eles querem você, Bia.
Eu dou um passo pra trás.
-Como vo... Como sabe meu nome?
-Sabemos tudo sobre você, o criador tem muito interesse em você. Sabemos por que.
-Sabemos?
-Eu e minhas irmãs.
Ela treme um pouco como se fosse uma imagem e de repente as outras meninas de vestido branco aparecem.
-Somos o Programa de Evolução Técnica. Ou PET se preferir. Fomos criadas para ajudar os jogadores, e eu estou te ajudando. O criador quer você Bia, ele não está nem aí para os outros jogadores. Todos eles irão morrer esta noite.
Eu dou outro passo para trás.
-Você tem que fugir.
-Me diga como!
Ela e suas irmãs se sentam no tronco.
-Há um meio.
Uma delas fala.
-Você aceitou o desafio e o terá de cumprir.
Outra completa.
-Eu sei que seus amigos vão te encontrar aqui.
-Peça para eles que entrem na sala 304.
-Mande a Arena pelos ares.
Eu parei um pouco pra pensar. A PET que trouxe minha espada se levantou.
-Ou se preferir, fuja agora. Fuja enquanto eles não sabem que você está aqui.
-Mas e vocês?
-Vamos ficar bem.
-Venham comigo.
-Não podemos.
-Não vou deixar vocês aqui.
-Então vamos agora.
Corremos pela floresta. Eu devia encontrar Lucas na clareira. PET voltou a ser a menina somente a menina loira que me trouxe a espada. Eu a coloquei nas minhas costas enquanto corria.
-Eles descobriram!
Eu corro o mais rápido que posso. Não vou me cansar, não posso me cansar. Eu tropeço. PET caí das minhas costas mas me ajuda a levantar, estamos correndo de novo. Ela para. Não está ofegante mas fica tremendo como se fosse uma imagem.
-O que você é?
-Não dá tempo de explicar. Eles estão perto.
Eu olho ao redor. PET treme mais uma vez e se diminui até ficar no formato dos colares de identificação.
-Você podia fazer isso? Podia ter feito isso antes de eu te carregar pela floresta né!
Eu a amarro em meu pulso. Ouço passos, começo a correr de novo. A adaga fica balançando em meu cinto então eu  tiro de lá. Corto minha mão ao tentar tirar um objeto afiado enquanto corro pela floresta. Eu olho ao redor, estou perto da campina. Está escuro e eu não enxergo quase nada. Eu paro, observo o que estou fazendo. Estou correndo, com um colar no pulso, uma adaga ensaguentada na mão e há alguém me perseguindo. Lucas deveria me encontrar aqui, eu sou muito burra. Acabei de fazer o sonho que eu morro se realizar. Eu corro de novo, mas estou me cansando, minhas juntas doem e então eu caio. Alguém está em cima de mim. Eu grito mas ele tapa a minha boca.
-Tá maluca! Fica quieta e deixa que eu cuido disso.
Eu balanço a cabeça uma vez. Blast não deixa eu me levantar.
-Achei ela!
Ele grita, e somos cercados por vários guardas armados. Doutor Sociopata abre caminho por eles. Anda na minha direção. Levanta o meu queixo fazendo-me olhar para ele.
-Pensou que poderia fugir assim?
Eu balanço a cabeça negativamente.
-Que bom que você sabe. Levem-na de volta para o acampamento.
Ele olha para mim.
-Não me faça ter que vigiar você.
Eles me levaram de volta ao acampamento. Eu estava com PET no pulso, assim que ficasse sozinha. Pediria um favor á ela. Blast dispensou os guardas quando saímos da floresta. Ele segurou meu ombro.
-Você tava pensado em quê exatamente.
-Eu tinha que encontrar alguém na floresta.
Ele fica em silêncio por alguns minutos.
-Eles te acharam
-Sim.
Ele me solta e se afasta. Me acompanha até a cabana e se despede. Eu seguro seu braço.
-Por favor.
Ele me olha.
-Vá na campina, chame o nome PET em voz alta. Peça que ela explique aos meninos o plano de fuga dela. Vai dar certo. Eu sei que vai. Por favor, se eu tentar sair de novo eles vão prendê-los. Eu sei que vão.
Ele me abraça.
-Eu vou. Mas você fica me devendo uma.
Ele tira PET do meu pulso e corre de volta para a floresta. Eu tento dormir enquanto penso no que pode acontecer.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

.COMUNICADO.

Oooi gente!
Desculpa de verdade por ter demorado pra postar, eu sei que é mancada da minha parte mas vocês sabem como são as férias. É só dormir e comer e sair e dormir de novo....
Enfim, aqui está outro capítulo pra vocês, comentem, deem suas opiniões, falem comigo por que é super legal quando vocês falam comigo *-* E aproveitem essa história que vocês dizem ser super legal.

Perto Do Fim.

Eu não sabia o que fazer direito. Blast continuava me beijando e eu, bom, eu estava em pânico. Quando uma coisa dessas acontece é normal você ficar sem reação. Eu só estava, confusa na verdade, como? Porque? Minha cabeça rodava com tantas coisas que passavam por ela e, num minuto tudo acabou. Assim que ele se afastou pude perceber o que eu sentia. Incredulidade, na certa. Porque diabos ele e beijou? O que ele tinha na cabeça? Porque ele esta sorrindo desse jeito? Eu me virei e corri, corri o mais rápido que pude para longe dele. Entrei na minha barraca e deitei no saco de dormir, desejando apagar o mais rápido possível. Mas parece que eu ficava apenas me remexendo ali. A cena não saia da minha cabeça, o que aquele menino estava pensando, agindo daquele jeito? Eu fui adormecendo, e aos poucos não me lembrava de nada.
Eu estava na floresta, correndo de algo que me perseguia, na minha mão esquerda uma faca ensanguentada, na direita, um colar militar com o nome Blast gravado. Eu corria tanto que meu peito ardia em fogo, não podia parar. Não podia. Alguém me derrubou, caí de cara na terra e por pouco não bato a cabeça em uma pedra, eu grito por socorro mas a pessoa tapa minha boca. É o fim. A pessoa me vira, mas está escuro demais para vê-la, ela tira de minhas mãos machucadas a faca ensanguentada e sorri por um minuto.
-Parece que você não foi uma boa menina.
A voz masculina diz em reprovação.
Eu esperneio, me remexo toda mas ele está sobre mim, segurando meus pulsos. Eu sei que ele está armado, posso ver a silhueta da adaga em sua cintura. Ele vai me matar porque eu fugi.
-Vamos acabar com isso sim?
As nuvens desaparecem e posso ver o rosto do Doutor Sociopata. Ele retira a adaga do cinto e a ergue de forma dramática, eu fecho os olhos.
-Uma pena eu ter que matar minha melhor jogadora.
Eu posso sentir o esforço que ele faz para não abaixar a faca na minha direção, posso quase ver onde ele quer me acertar.
-Pare com isso.
Outra voz aparece e eu sou obrigada a tentar olhar, mas o Doutor é maior do que eu e não posso ver mais do que uma sombra. O Doutor se levanta, eu observo meu pulso direito onde o colar está amarado. Blast está em pé, atrás do Doutor.
-Ora, vejo que também conseguiu achá-la.
-Sim.
-Então deixe-me terminar, você sabe as regras.
Eu estava olhando para ele, mas ele olhava para o Doutor.
-Deixe que eu faço.
Eu arquejo, ele não poderia.
-Ora ora, que corajoso de sua parte!
Doutor lhe entrega a adaga mas eu estou cansada demais para tentar fugir enquanto isso acontece.
-Levanta.
Ele não olha para mim, está com muita raiva. Eu também estou, confiei nele e ele está prestes a me matar. Eu me levanto, estou mais cansada do que aparento. Minha cabeça está tão cheia que seria melhor que Blast me matasse, assim eu não precisaria me preocupar. Eu o olho, ele apenas sorri.
-Foi bom jogar com você.
Blast estende a mão, mas eu apenas desamarro seu colar. Eu o estendo e deixo o colar em sua mão.
-Obrigado por devolver, sem ele não poderia ganhar o troféu.
Eu estou quieta, ele não merece ouvir o que eu quero falar. Alguém grita meu nome, eu olho em volta mas estão muito longe.
-Ande logo, eles estão chegando.
Blast pensa por um minuto e eu quero muito que ele acabe com isso, não quero que eles me vejam morrer. Eles não iriam suportar.
-Me mate de uma vez!
Eu grito, mas me arrependo porque ouço uma voz familiar. "Por aqui!" Blast sorri e chega um pouco mais perto.
-Foi realmente uma honra, Bia.
E ele me esfaqueia, para acertar o coração, mas seu golpe não é tão preciso e eu caio de joelhos com a adaga cravada no peito. Dói. Dói tanto que lágrimas caem sem meu consentimento. Eles começam a rir. Minha visão escurece, eu estou sem foco. Caio de lado na terra fria, mas talvez eu é que esteja gelada. Blast e o Doutor saem andando no momento em que Lucas me vê. Meu cabelo está no meu rosto de modo que eu não consigo enxergá-lo. Mas sei que ele está ali. Ele grita, e me vira para que possa me olhar, meus olhos querem se fechar para o abismo eterno mas eu me forço a continuar olhando para ele. Lucas tira o meu cabelo do rosto enquanto sussurra alguma coisa.
-Me...Desculpe.
Ele me olha nos olhos mas meu tempo acabou, eu não aguento mais. Eu o vejo gritar pela última vez, e então tudo fica escuro.
Eu acordo sobressaltada com a mão onde a adaga deveria estar. Mas eu estou viva, por enquanto. Saio da barraca e me vejo ainda no amanhecer, não dormi tanto assim. Eu começo a andar e quando me dou conta estou no mesmo lugar do meu sonho. E é bem mais assustador do que no meu sonho. Eu ouço passos e fico alerta, talvez não devesse estar aqui. São passos cautelosos de um caçador, eu me escondo atrás de uma árvore. Alguém se aproxima.
-Eu acho que é aqui.
Eu conheço essa voz.
-Essa é a praia, eu tenho certeza.
Também conheço essa. Eu escuto por mais alguns segundos.
-Então ela esta por aqui, vamos em frente.
Eles estão aqui, eles me acharam. Eu saio de trás da árvore e fico a três passos de Lucas que me olha sem acreditar. Eles ficam em silêncio. Phe, Gabe e Lucas estão bem na minha frente. Eu corro na direção deles, abraço-os sem pensar. Eles me apertam forte e não me soltam por um bom tempo.
-Eu achei que nunca mais veria vocês.
Eles me soltam.
-Você achou mesmo que iríamos deixar você sumida?
-Não.
Eu sorrio e os abraço mais uma vez só pra ter certeza de que estão mesmo aqui.
-Então vamos.
Lucas pega minha mão e começa e e guiar para dentro da floresta. Eu quero ir, quero sair desse inferno mais do que tudo mas algo me impede.
-Eu não posso.
Eles me olham.
-Isso aqui é uma loucura, é um jogo doentio que não vai acabar, e eu não quero que continue.
-A gente sabe, mas isso podia ficar pra depois.
Gabe fala comigo mas estou convencida de que o Doutor vai me perseguir mais vezes, se eu não jogar o jogo dele.
-Eles vão me achar de novo, eles sabem que estão aqui. Vão continuar me trazendo até que eu jogue e ganhe.
Eles ficam quietos.
-Tem um cara, parece ser o dono disso aqui, ele quer que eu aceite o desafio, quer que eu jogue conforme suas regras, só assim ele vai me deixar ir.
Eles me olham por alguns instantes, Lucas pega o meu colar de identificação.
-O que isso quer dizer?
-Quer dizer que eu já estou aqui, e não posso fugir.
-Então o que a gente faz? Não vamos falar para os outros que te achamos e você quis ficar.
-Eu não quero ficar, eu só não quero voltar pra cá nunca mais. Eu tenho que saber o que está rolando aqui, e depois acabar com tudo.
-Quer saber? Então tá. Isso aqui é um jogo multibilionário com apostadores mundiais. O dono disso aqui foi quem criou o vírus, ele vendeu para representantes do mundo inteiro que espalharam a infecção. Novos jogadores são trazidos a cada semana até ter um total de 70 jogadores, e aí começa a batalha de cada equipe até sobrar um só representante que vai aceitar um desafio moldado só para essa pessoa. E o desafiante não tem como vencer.
-Como  vocês sabem disso?
-Entramos naquela cabana lá atrás, o cara deixou todos os arquivos abertos.
-Então eu já sei o que fazer. Mas não aqui, não agora, provavelmente os outros acordaram, vão vir me procurar. Me encontrem aqui, quando anoitecer. Pode ser que eu demore um pouco, mas continuem aqui.
-A gente não vai deixar você ficar.
-Vocês tem que deixar, ou isso nunca vai parar.
Eles me abraçam e eu volto para o acampamento. Tenho que bolar um plano, e tenho que falar com o Doutor. Eu corro para a praia, corro como se estivesse no sonho, em poucos minutos passo pela enfermaria e paro na sala onde recebi minha identificação. E abro a porta assustando o cara que esta ali.
-Preciso falar com...
O cara me olha, esperando.
-Com o homem que me trouxe até aqui.
-O nome dele é Jason, Jason Mueller. E ele está ocupado.
Eu bati as mãos na mesa dele.
-Eu vou falar com ele. Agora!
Ele se levantou.
-Então me acompanhe.
Ele me levou pelos corredores, parou na frente de uma porta. Ele bateu três vezes e eu contei oito batidas de coração até Jason (Doutor) abrir a porta. Ele estava com óculos de leitura, ficou surpreso com a minha presença mas logo me convidou a entrar.
-A que devo a honra de sua presença, Ghost.
Eu fui tão direta que ele deixou seus óculos cairem.
-Quero que você acabe com essa palhaçada. Eu quero sair daqui, quero que meus amigos sobrevivam, não quero ser perseguida até a morte ou acorrentada para não fugir. Eu quero que esse jogo acabe e eu quero que você de um fim nesse apocalipse todo.
Depois de se recompor ele riu.
- Você acha que é fácil assim?  Chegar aqui, exigir coisas impossíveis e ainda esperar um resultado vindo de mim? Eu não vou parar nada. Um vírus como esse já se alastrou até em ilhas desertas. Um jogo como esse custa milhões e milhões de dólares que eu não estou disposto a perder. Você é só uma peça. Facilmente substituível. Facilmente descartada.
Ele se sentou atrás de sua mesa, meticulosamente colocada no centro da sala. Eu era dinamite, e estava prestes a explodir. E ele não ia querer estar perto quando eu explodisse.
-Então eu aceito seu desafio, desde que minhas exigências sejam cumpridas.
Ele sorriu.
-Não é tão fácil quanto você imagina garota.
-Eu estou preparada.
Saí da sala dele com os pés batendo no chão e uma batida tão forte da porta que algumas pessoas olhavam para mim e abriam caminho pelos corredores.
Eu estava de volta no acampamento, estava com tanta raiva que chutei o portão para abri-lo. Me faltava mais um assunto antes de me preocupar com aquele desafio estúpido. Encontrei Blast facilmente, ele me esperava, ou a outro alguém. Ando em sua direção e ele se desencosta da árvore.
-Achei que você ia se esconder de mim.
Eu estou com raiva. Queria socá-lo, queria que seu sangue fizesse uma poça em volta do seu corpo. Eu me controlo.
-Já aceitei o desafio. Mas vou treinar sozinha.
Ele dá um passo em minha direção.
-Sem mim você não vai conseguir.
-É o que vamos ver.
Eu passo por ele, estou com tanta raiva que poderia derrubar a árvore mais próxima. Eu queria encontrar Lucas, queria fugir dali. Mas corria o grande risco de ser raptada de novo. Eu estava andando sem rumo pela floresta. Ouço alguém falar com voz artificial para que os jogadores se apresentem na Arena. Eu vou andando, DD me encontra no portão.
-Boa jogada, iniciante.
Eu ignoro, mas ela permanece do meu lado até chegarmos na Arena. Posso ver Blom e Ky acenarem para mim. Eu podia tirá-los daqui.
A voz artificial começa um comunicado.
-Hoje teremos uma mudança de planos jogadores. Apresento á vocês..A Morte Súbita!
Todos os jogadores começaram a falar, nos jogos, morte súbita poderia ser a eliminação imediata do time em uma competição. Ninguém sabe o que significa aqui.
-Quero que cada equipe escolha três jogadores que melhor os representem. Eles serão os primeiros a jogar.
A equipe azul se reuniu em uma bola de jogadores, todos eles falavam ao mesmo tempo. DD os interrompeu.
-Eu vou. Escolham os outros dois manés que virão comigo.
Eles se olharam pensativos e eu encarei o chão até que tudo ficou em silêncio. eles olhavam para mim.
-Eu?
-É, agora escolhe o outro.
Eu olhei no rosto de cada um dos jogadores no meu círculo, eles estavam com medo, ansiosos e confusos. Havia um único rosto que sorria.
-Blast.
Ele se adiantou em vir ao meu lado. Tinha um sorriso cínico no rosto que me dava vontade de socá-lo até os zumbis terem nojo dele. A voz artificial tornou a falar.
-Jogadores apresentem-se.
Um por um de cada equipe falou seu codi-nome com o peito inchado e tanta certeza que me deu medo. Minha voz era apenas um sussurro.
-Ghost. Equipe Azul.
A voz nos mandou formar um círculo no meio da praia, os outros jogadores deveriam ir para as arquibancadas.
-O que você acha que a gente está fazendo aqui.
Blast sussurrava perto demais do meu ouvido. Eu não o respondi. Quem sabe o que se passa na cabeça do Doutor (Jason). Eu observei os outros jogadores, Ky e Bloom não estavam ali. Se isso de morte súbita fosse algo entre matar os outros jogadores, eu não teria que matá-los.
-Que suas armas sejam entregues.
Surgiram algumas meninas, cabelos cortados á navalha como de meninas japonesas, rostos de boneca e vestidos brancos. Aquilo devia ser brincadeira. A mesma menina que entregou minha espada, a trouxe para mim. Ela me fez abaixar para ouvi-la.
-Isso é uma armadilha. Assim que puder, fuja!
E ela saiu saltitando com as outras garotas-fantasmas. Aquilo me perturbou. Como assim uma armadilha? Pra onde eu deveria fugir? Por que diabos essa menina estava me ajudando?
-Jogadores, eu lhes apresento, A Morte Súbita. Esse desafio consiste em sobreviver á vários ataques de zumbis e fazer com que sua equipe mantenha o mesmo número de integrantes. A equipe que perder um integrante deve se retirar da Arena. A equipe vencedora ganhará um jantar especial. Que comece o jogo!
Nos entreolhamos por alguns segundos, não teríamos que matar as equipes adversárias, mas é claro que DD não pensava assim.
-Tentem matar algum membro de cada um deles, assim sairemos mais rápido.
-Não precisamos matá-los.
DD me olhou.
-Deixe que os zumbis façam isso.
Ela chegou bem perto do meu rosto, era da minha altura, eu encarava seus olhos.
-Pense assim e acabará morta. Vamos acabar com isso.
Eu não irei matá-los, não irei matá-los não irei.... O primeiro zumbi corre em nossa direção, meu primeiro intuito é me afastar, correr para bem longe com a minha espada." Isso é uma armadilha. Assim que puder, fuja!" Eu repassava a frase da garotinha enquanto corria. Mais zumbis, eles nos cercavam e estávamos a pelo menos 3 metros de distância um do outro. Eu não olhava para as outras equipes. Olhava para os zumbis que corriam em nossa direção, estaríamos cercados em poucos minutos. Tentei me afastar, mas a menina da equipe amarela me derruba na areia.
-Você vai ser a primeira a morrer. Ghost.
Ela cuspiu meu nome, tinha em mãos uma adaga muito parecida com a do meu sonho, eu girei meu corpo e agora estava sobre ela.
-Eu não vou te matar, tomara que os zumbis façam isso.
Ele tentava sair de baixo de mim mas eu era mais pesada, segurei seus braços em cima de sua cabeça e olhei para trás no minuto em que um zumbi se jogava na minha direção,  peguei a adaga que caiu do meu lado e me desviei assim que o zumbi caiu na areia. Ele se atrapalhou todo para levantar e eu ainda tinha a garota do amarelo debaixo de mim. O zumbi rastejava na direção da menina, eu me levantei e a chutei a menina do amarelo na barriga.
-Isso é por tentar me matar sua vaca.
E o zumbi mordeu seu pescoço enquanto ela abraçava a barriga. Eu corri com a adaga em uma mão e a espada em outra. Parei com os pulmões em fogo para prender a adaga no passa cinto do meu shorts. Outro zumbi vinha e eu só tive tempo de levantar a espada e cair com o impacto, ele estava preso á uma certa distância de mim e tentava me alcançar com as mãos podres. Eu o chutei com toda a minha força e me levantei rapidamente enquanto ele tentava se levantar, num golpe cortei sua cabeça com a espada. Corri de novo e olhei para a Arena, estava uma confusão só. Humanos brigavam com humanos, zumbis tentavam morder humanos, humanos lutavam com zumbis e a areia da praia das conchas era manchada de vermelho. Eu estava cansada, corri muito, mal comi e estava exausta pela falta de sono. Alguém se aproxima, estou agachada mas ouço os passos surdos na areia, levanto com a espada no pescoço de quem se aproxima. Estou ofegante e Blast também. Ele levanta as mãos em rendição.
-Calma, só vim oferecer uma mão.
Eu tiro a espada.
-Não quero nada de você.
Viro as costas e continuo observando a carnificina á minha frente. Ele coloca a mão no meu ombro, eu me viro e o ameaço com a espada.
-Se eu fosse você pararia com isso.
Ele sorriu e ergueu as mãos. Alguns zumbis corriam em nossa direção, eu vi os corpos inertes dos outros jogadores. Onde estava DD? Os zumbis se aproximavam, eu me preparei. Se eu não os matasse eles iriam me matar, se eu ão os matasse eles iriam me matar... O primeiro zumbi investiu contra mim, eu dei um pulo para a esquerda deixando ele dar de cara com uma árvore, Blast continuou batendo a cabeça dele até ele parar de se mexer. Outros estavam chegando, eu não estava com força para cortar a cabeça deles, então só os parava, fazia um corte nas pernas, ou nos braços ou os deixava presos na lâmina enquanto Blast terminava de matá-los. Eu estava exausta. Uma buzina soou.
-Parabéns á equipe azul! São os vencedores desta noite.
As meninas voltaram para pegar nossas armas, eu estava suja, suada, havia sangue nas minhas mãos e na lâmina da espada. Eu estava passando mal. Me ajoelhei na areia.
-Eu disse para você fugir.
Eu olhei para a menina, ela sinalizou a espada com sua cabeça.
-Pra onde eu vou?
Ela sorriu.
-Eu te ajudo, me encontrei no portão do seu acampamento depois do jantar. Vou te ajudar a sair daqui.
Ela pegou minha espada, nem se importou de manchar o vestido de sangue. Saiu saltitando com as outras meninas. Alguém me levanta, eu estou farta. Exausta, cansada, esgotada de tudo aquilo. Tiro a mão de Blast do meu ombro, percebo que estou com a adaga da menina do amarelo.
-Eu poderia te esfaquear agora mesmo.
Ele sorri.
-Você não faria.
Eu pego a adaga mas o Doutor Sociopata caminha até nós.
-Parabéns meus jogadores, sua equipe será recompensada pelo seu esforço. Vão se limpar, tenho uma proposta para os dois.
Eu não via DD em lugar nenhum, Alguém coloca a mão no meu ombro e eu me viro com a adaga apontada para o peito de DD.
-Nossa, olá pra você também.
Eu sento na areia.
-Qual é? Um joguinho e já está assim?
Ela ri. Eu apoio a cabeça nos joelhos. Fecho os olhos mas só consigo ver os corpos ensanguentados. Eu corro. Estou correndo até a cachoeira. Vou tentar lavar esse sangue de mim. Estou correndo, pulando pedras e desviando de troncos. Essa é a minha praia. O meu paraíso. Olho para o céu azul, olho para o padrão semelhante de árvores. Eu estou perto. Me lembro de quando descobri esse caminho.
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" -Tem certeza de que é por aqui tio? A gente veio do outro lado...
Ele não olha para mim, está procurando alguma coisa no alta das árvores.
-Tá vendo aquela árvore ali?
Ele aponta para uma árvores que é visivelmente mais alta do que as outras.
-Você tem que chegar até ela.
Andamos até a árvore grande, que está bem no meio de duas trilhas.
-Agora a gente vai pra direita. Não esquece, árvore grande depois direita.
Seguimos pela trilha, é mais escuro aqui dentro da floresta. Não há asfalto, mansões ou ricaços tomando champanhe. Eu gosto desse lugar.
-Agora tá vendo aquela pedra ali?
-Parece uma estrela do mar.
-Isso. A gente vai na direção dela.
-Então é árvore grande, direita e estrela do mar?
-Isso Bia, você aprende rápido.
Ele sorri e bagunça meus cabelos molhados por causa do mergulho que nos trouxe para a outra costa da praia. Passamos por cima da pedra estrela do mar e tiramos alguns galhos do caminho. O que eu vi foi impressionante. Era uma cachoeira, a cachoeira da praia. Só que privativa e muito mais legal. Era como uma rua sem saída formada por paredes de pedra e árvores, havia uma grande poça funda de água onde a cachoeira caía. Eu empurrei meu tio lá dentro.
-Pra voltar pra praia é muito simples. É só seguir aquela trilha ali.
Ele apontou para o caminho sinuosos de pedras que havia pouco depois do fim da poça."
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Acho a árvore, vou para a direita, demoro um pouco e acho a pedra que não parece nada com uma estrela do  mar e sim com algo achatado e estranho. Pulo a pedra, tiro alguns galhos e estou de volta ao meu paraíso. Mergulho na poça de roupa e tudo, fico submersa pelo tempo que meus pulmões permitem. Em baixo da água esfrego m pouco de musgo nas roupas para o sangue sair. Eu quero ficar ali pra sempre. Mergulho mais uma vez só para fazer as imagens de hoje sumirem, só para ter mais um pouco de paz. Quando abro os olhos há uma faca apontada para o meu pescoço.